O que aprendi ao ver 366 filmes em um ano

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Lá em 2014, no último dia do ano, lembro de visto uma postagem da página 365Filmes, que falava os benefícios de se assistir um filme por dia. Lembro de ter gostado tanto da ideia que tomei aquilo como resolução de virada de ano: veria 365 filmes em 2015.

Aparentemente eu subestimei essa missão que, a princípio, parecia fácil. Não dei conta e acabei o ano com singelos 211 filmes vistos no último ano. Mas não desisti! Passei a missão para 2016 que teve o agravante de ser bissexto. Demorei, mas cheguei.

Se tratando de filmes, 2016 foi um grande aprendizado em alguns sentidos. Primeiro, não imaginava o quanto seria difícil chegar até aqui. Pode não parecer, mas é filme a dar com um pau. Quando eu chegava em marcas redondas, em 00 e 50, percebia o quão longe eu já tinha ido, mas o quão longe eu ainda estava do final.

Aprendi também o quão de lua eu sou para filmes. Na batalha deste ano, passei mais de mês sem ver filme. Mesmo sabendo da minha meta, não tinha vontade de ver. E convenhamos, ver filme forçado não rola. Arrebenta com toda a experiência.

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Cena de ‘Spotlight – Segredos Revelados’, vencedor nas categorias ‘Melhor Filme’ e Melhor Roteiro Original’ do Oscar 2016

Ao mesmo, tempo, percebi como é bom parar e sentar para assistir a um filme quando se tem vontade. No domingo que aconteceu o Superbowl, consegui ver sete filmes no mesmo dia. Sério, sete!

Aprendi ao longo do ano o quão pouco eu conhecia de cinema e que não é só Brasil e Estados Unidos que produzem filmes. Confesso que não parei ao certo para contar, mas puxando de cabeça, foram mais de dez nacionalidade de filmes vistos, dos mais tradicionais, como França e Japão, ao exóticos (ao menos para mim) como Jordânia, Turquia e República Tcheca.

Aprendi que o mundo não vive só de blockbusters. Vi muitos, não nego. Me apaixonei por Deadpool e me decepcionei com Capitão América – Guerra Civil. Mas ao mesmo, fui descobrindo a beleza de filmes menos badalados, como O Menino e o Mundo, filme brasileiro que concorreu ao Oscar e não se fala uma palavra durante ele todo.

Nem só de produções nababescas eu me alimentei em 2016. Claro que Rogue One – Uma História Star Wars é um filme lindo, mas vocês já assistiram Viagem a Lua? O filme de 1902, a primeira ficção científica da história! É de uma simplicidade (convenhamos, né. 1902) tamanha, tão tosco (comparado ao que temos hoje) que chega a ser maravilho.

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Cena de ‘A Garota Dinamarquesa’, que deu o Oscar 2016 de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’ para Alicia Vikander

Me apaixonei em 2016. Atores, atrizes e diretores ganharam lugar espaço no coração deste que vos escreve. Da mesma maneira alimentei meu desgosto por outros (viu, Tim Burton!). Fazer o que ¯\_(ツ)_/¯

Quentin Tarantino. Que homem! Que filmes! Quanto sangue, né… O cara e fantástico. Vi praticamente todos seus filmes como diretor e gostei de quase todos (vejam Os Oito Odiados, que concorreu ao Oscar deste ano), só Cães de Aluguel que não me agradou tanto. De resto, parabéns.

Eddie Redmayne, outro cara espetacular. Merecia mais o Oscar de ‘Melhor Ator’ do que o Leonardo DiCaprio. Pronto! Falei! DiCaprio ganhou o Oscar com O Regresso de forma merecida, mas foi mais pelo conjunto da obra. Redmayne foi bem melhor atuando em A Garota Dinamarquesa. Seria seu segundo, já que ele levou em 2015 por A Teoria de Tudo (assistam!).

Rachel McAdams, minha crush de 2016. Conheci seu trabalho em Spotlight e me apaixonei, tentando ver o máximo de filmes que ela protagonizava. Por pior que fosse a ideia do filme, ela conseguia se sobressair. Linda, talentosa, meu novo amor. Assistam Questão de Tempo com ela. Apenas <3

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Cena de ‘O Quarto de Jack’, que deu o Oscar de ‘Melhor Atriz’ para Brie Larson

E não poderia deixar de falar de Brie Larson, a futura Capitã Marvel (Marvel <3) e Alicia Vikander, respectivamente, vencedoras do Oscar de ‘Melhor Atriz’ e ‘Melhor Atriz Coadjuvante’. Brie, de atuação intensa e dolorosa, como mãe de uma criança “filha de cativeiro”. Alicia, de atuação sensível, mas forte, como esposa de um cara que se descobre mulher e como máquina futurista em Ex_Machina.

2016 também foi o ano de perder o medo (um pouco, vai) e assistir alguns clássicos de suspense que há muito ouvia falar e nunca tinha visto. O Silêncio dos Inocentes, Seven – Os Sete Crimes Capitais e por aí vai. Não vou me estender pois a lista é bem longuinha.

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Cena de Rogue One – Uma História Star Wars, que tem Felicity Jones (A Teoria de Tudo) como uma das protagonistas. Este foi o meu 366º filme do ano

O cinema é uma forma fantástica de aprendizagem. Com todas as palavras ditas neste texto, minha vontade é de instigar a dar uma real chance aos filmes. Não quero que você faça como eu e realize a louca d ver tantos assim em um ano, mas eu peço para que você abra sua mente para o mundo cinematográfico.

Ao invés de ver um filme de herói pela 654684ª vez, procura por um filme diferente. Não precisa ser um documentário falando sobre as revoltas populares da Ucrânia, como em Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, mas busque algo diferente. Garanto que a experiência será boa

🙂

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