9-1-1 e Ryan Murphy com potencial de fazer o que sabe fazer de melhor

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Quem me acompanha nos comentários sobre séries de TV, seja aqui no blog, no podcast, no meu Twitter e até no meu finado canal do YouTube (um dia ele ressuscita, calma), sabe que sou a última pessoa do mundo a dar chances para séries procedurais. Sim, aquelas séries de caso da semana como CSI ou Law & Order são bacanas de acompanhar, mas nunca senti a vontade de assistir religiosamente.

9-1-1, nova série da FOX, parece, a principio, ser mais uma série procedural que serve para ser vista com compromisso zero se não fosse por causa de um nome envolvido: Ryan Murphy.

Claro, o criador de Glee e Nip/Tuck sozinho já é motivo suficiente para dar uma chance à 9-1-1. Acrescente a presença de Brad Falchuk, Tim Minear e Alexis Martin Woodall e temos a chance de sucesso.

Os quatro, juntos, já criaram algumas das séries, se não bem sucedidas, ao menos das mais aclamadas dos últimos anos, como American Horror Story, Feud e as já citadas Nip/Tuck e Glee.

Em 9-1-1, Connie Britton vive Abby, uma atendente do serviço de emergências que tenta salvar vidas pelo telefone enquanto enfrenta a doença da mãe

Em 9-1-1, Connie Britton vive Abby, uma atendente do serviço de emergências que tenta salvar vidas pelo telefone enquanto enfrenta a doença da mãe

9-1-1 acompanha o cotidiano das equipes de socorristas de Los Angeles. A série foca em Abby (Connie Britton), uma atendente do 911 que é o primeiro contato que vitimas em situação de perigo tem com uma chance de sobreviver. Em casa, ela lida com a mãe diagnosticada com Alzheimer.

Nas ruas, a equipe dos bombeiros é liderada por Bobby Nash (Peter Krause), que passou um tempo afastado por conta de problemas com bebida. Bobby tem uma relação de mentor-pupilo com o problemático e irresponsável Buckley (Oliver Stark). Completa o time de bombeiros Henrietta Wilson (Aisha Hinds) e Howie Hen (Kenneth Choi).

No lado dos policiais, a oficial Athena Grant (Angela Basset) também tem sua dose de confrontos com Buckley, nada comparado ao que sofre em casa com um casamento abalado quando o marido revela ser homossexual.

Apesar de comum, 9-1-1 não promete ser uma série ordinária. Claro, se eles mantivessem apenas a linha caso da semana ainda seria uma boa produção, mas Murphy nunca foi alguém que se contenta com o comum.

Murphy tem o costume de subverter clichês em prol do que é novo, de cutucar o senso comum e trazer boas reflexões. Tanto o Buckley quanto Athena trouxeram isso no episódio, sendo personagens humanos e que dão margens para questionamentos sobre as atitudes que podem vir a tomar ao longo dos episódios.

Peter Krause, Oliver Stark, Aisha Hinds e Angela Basset em cena do piloto de 9-1-1

Peter Krause, Oliver Stark, Aisha Hinds e Angela Basset em cena do piloto de 9-1-1

9-1-1 tem potencial, e Murphy tem cacife para explorar isso bem feito, ou não. A mesma Glee, por exemplo, que nas primeiras temporadas foi algo genial ao brincar com estereótipos, começou a patinar com o tempo. Acredito que com 9-1-1 as chances de errar a mão são mais difíceis, é uma série que aparenta ser bem mais segura de quais caminhos quer seguir.

O saldo desse piloto é positivo, em parte pelo trabalho excelente de Connie Britton, que atua praticamente sozinha olhando para o computador e consegue ser responsável por diversos dos melhores momentos do episódio. O elenco, no geral, se mostra um dos trunfos de 9-1-1. Angela Basset está ótima e a personagem dela garante bons momentos dramáticos para a série. Murphy sabe trabalhar bem o elenco que tem em mãos, isso sempre foi algo que ele soube fazer bem.

Questiono a decisão da FOX lançar 9-1-1 apenas na Mid Season, que é uma temporada de vacas magras na TV americana, a série tem potencial para bater de frente com as grandes estreias da Fall Season.

A FOX precisa de um carro chefe e um maior cuidado com 9-1-1 poderia ser bom para a audiência do canal. Só o episódio de estreia da série marcou 6 milhões de espectadores na faixa das 21h, batendo séries como Modern Family e Law & Order: SVU, uma audiência baixa, mas que poderia fazer a diferença se a FOX tivesse se empenhado mais na divulgação da série.

Está com vontade de acompanhar 9-1-1? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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