A Forma da Água é o romance nada convencional de Guilhermo del Toro

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A edição 2018 do Oscar me soou um pouco estranha. Por mais que tenhamos grandes produções e que estão concorrendo em diversas categorias, nenhum filme destoa como absoluto.

Apesar disso, é inegável dizer que alguns filmes despontam como favoritos. Nas categorias de atuação, Três Anúncios para um Crime devem levar duas. Nas categorias técnicas, a previsão é que Dunkirk deve ser o destaque.

Já nas categorias mais nobres, de melhor diretor e filme, A Forma da Água tem grandes chances de vitória. Dirigido por Guilhermo del Toro, o filme foi quem recebeu o maior número de indicações na edição do Oscar 2018. Ao todo, o longa estará disputando 13 categorias, com destaque para as duas citadas no início deste parágrafo. Del Toro, inclusive, ganhou o Globo de Ouro na categoria de Melhor Diretor no começo do ano.

Richard Jenkins, Sally Hawkins e Octavia Spencer concorrem a Oscar's em categorias individuais

Michael Shannon ao lado de Sally Hawkins e Octavia Spencer. As duas concorrem, respectivamente, nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante

Como disse no Juntacast sobre novos clássicos do cinema, esse tipo de filme, onde criaturas são os protagonistas, não me despertam o interesse. Para você ter uma ideia, nunca vi o tal “O Labirinto do Fauno“, também dirigido por del Toro. Mas como a temporada de Oscar “me obriga a isso”, resolvi assistir ao filme para ver qual é que era. E para a minha surpresa, ele é realmente bom.

O filme se passa o contexto da Guerra Fria e conta a história de Elisa Esposito (Sally Hawkins), uma mulher muda que, ao lado de Zelda Fuller (Octavia Spencer), são zeladoras em um laboratório experimental secreto dos Estados Unidos.

Naquela repartição, ocorrem estudos que possa beneficiar os Estados Unidos na corrida espacial contra os soviéticos, que naquela altura, já haviam enviado alguns animais para fora da órbita terreste. E é claro que os americanos não estavam nada felizes com esse cenário.

Para dar uma resposta a altura, eles encontraram uma criatura humanoide, uma espécie de Homem Anfíbio (Doug Jones), na Amazônia e o levaram até aquela repartição para que ele fosse estudado pela equipe do Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg). E é aqui que a história começa a tomar forma e partir para um lado, no mínimo, curioso.

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Quem diria que eles seriam um casal?

Digo curioso pela forma que ele é direcionado. Ao tomar ciência da criatura, Sally começa, aos poucos, a interagir com ele. A relação que poderia ser a de um humano com uma espécie de pet começa a evoluir. Ela entende que a criatura não é apenas um ser irracional, muito pelo contrário.

A zeladora é responsável por tentar mostrar ao monstrengo coisas da vida, passando de algo simples, como comida até chegar na parte sentimental, onde os dois desenvolvem um relacionamento livre de preconceitos, apesar de ambos serem de mundo completamente distintos. E ela fará de tudo para vê-lo a salvo.

Por se passar no contexto da Guerra Fria, o filme ainda aborda temáticas como de espionagem por parte dos soviéticos. Claro que eles são postos como os vilões dessa produção hollywoodiana. Para isso, o papel de Michael Shannon, como Coronel Richard Strickland, ganha força na hora das investigações e momentos mais truculentos.

Richard Jenkins também está no filme. Ele dá vida a Giles, um artista homossexual. Sua atuação o rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante

Richard Jenkins também está no filme. Ele dá vida a Giles, um artista homossexual. Sua atuação o rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante

A fábula que mistura o romance com o fantasioso impressiona. Sua narrativa é bem construída, sabendo trabalhar os mementos de tensão com maestria. A prova disso foi sua indicação a disputa de Melhor Roteiro Original, este assinado por Vanessa Taylor e pelo próprio Guillermo del Toro, que conseguiu fazer a sua própria versão de O Monstro da Lagoa Negra (1954).

Por fazer um personagem mudo, Sally Hawkins ganha muito pontos por sua atuação no longa. Sua expressividade supre totalmente a falta de seus diálogos, e isso não a impede de ser sacana, em todos os sentidos da palavra, quando a situação pede.

O filme deve ser visto com a mente aberta, até pela maneira como as histórias se desenrolam. O resultado é extremamente positivo e vale ser aplaudido.

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Doug Jones como a criatura

Dirigido por Guilhermo del Toro, A Forma da Água chega aos cinemas do Brasil neste final de semana. Em seu elenco principal temos Sally Hawkins, Octavia Spencer, Richard Jenkins, Michael Shannon e Michael Stuhlbarg.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo. Ele e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)
8,7

Roteiro

9/10

    Atuação

    9/10

      Fotografia

      9/10

        Trilha Sonora

        9/10

          Edição

          8/10

            Pros

            • Narrativa bem conduzida
            • Atuação de Sally Hawkins
            • Destaque para os personagens secundários

            Cons

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