A IMENSIDÃO DA JANELA DO MEU QUARTO

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Da minha janela eu não vejo só a paisagem bonita do pôr-do-sol, vejo o mundo e tudo o que ele tem para me oferecer. Do último andar do meu prédio eu vejo como as minhas expectativas são grandes, como eu anseio por tudo com tamanha intensidade que mal cabe no meu próprio peito, mas, mesmo assim, mantenho meus pés no chão e tenho a consciência de que se essas expectativas despencarem o tombo será feio. Da tela do meu celular eu vejo todas as possibilidades em minhas mãos e me sinto dona de mim mesma, podendo agarrar alguma e deixar as outras guardadas em uma pastinha para depois.

São em momentos como esse, reparando em tudo o que posso alcançar, e aquilo que também não posso, que me deparo com meus dilemas de solidão ou então começo a tentar solucionar casos da minha vida que já não tem mais nenhuma solução, aqueles casos que foram resolvidos por si só sem um ponto final. Mas de que importa? Ou melhor, quem se importa? Será que eu ainda me importo? Digo que não em voz alta, balançando a cabeça, como se esse simples ato fosse apagar tudo o que se passa na minha cabeça agora. “Claro que eu não me importo mais, já dei largos passos adiante e deixei tudo para trás”, penso. Mas será que eu deixei mesmo?

É nessa imensidão, onde me encontro agora, que os devaneios começam e o ponto final resiste em chegar. Traço planos para o futuro, tento resolver o passado e não me preocupo muito com o meu presente. Com o passar dos dias estou aprendendo coisas novas, coisas que amadurecem a ponto de me sentir bem e completa, sem precisar procurar a mão de alguém para segurar enquanto ando pelas ruas escuras da cidade. Estou aprendendo com a independência, com as loucuras da vida, com a solidão e, de vez em quando, com a falta dela. “Aprenda a ser feliz inteiramente e descobrirá o sentido da vida”, essa é a frase que estou seguindo atualmente. Frase que está na geladeira, no mural de recados, na agenda e de plano de fundo do computador, para sempre lembrar que eu não sou uma metade, mas sou completa comigo mesma e que estou muito bem.

Assim, da minha janela eu não vejo apenas o anoitecer, mas sim o nascimento de várias outras possibilidades ao meu redor. Anseio pelo novo dia, pelo amanhecer, pelo novo sol. Busco a felicidade incessante para que eu transmita coisas positivas para aqueles que estarão ao meu redor. Procuro absorver da luz tudo de bom que há, para que assim eu possa sorrir e iluminar o meu caminho sempre que precisar. E no meio de tudo isso, do bem-estar que estou sentindo, me lembro sempre não fechar a janela e não deixar de admirar a imensidão, já que será sempre através dela que novas oportunidades virão.

watana

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