A música clássica no mundo dos desenhos animados

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Pode parecer papo de “velho” saudosista, mas a partir de uma certa idade, a gente começa ver coisas do nosso passado com um olhar nostálgico. Uma das lembranças que me fazem sentir saudades dos tempos de criança era acordar no sábado de manhã, só para ver os desenhos animados.

Na TV aberta, a variedade de títulos que nós tínhamos acesso durante os anos de 1990, era muito maior dos que são oferecidos hoje. Antes, praticamente todo canal tinha uma programação voltada para o público infantil. Hoje, apenas SBT e TV Cultura são as que resistiram.

Produtos, nós tínhamos aos montes. Desenhos das turmas da Hanna-Barbera, como Os Flinstons e os dos Looney Toons, Como Pernalonga e Patolino. Isso sem contar em Tom & Jerry, Pica Pau e os desenhos da Disney. Tinha obra para todo tipo de gosto e freguesia. Bons tempos.

E uma coisa interessante é que, mesmo de forma indireta, os desenhos nos ensinaram algumas coisas. Digo indiretamente porque o objetivo dos desenhos da minha época, mesmo que em sua maioria, as criações sejam de pouco antes da metade do século passado, era apenas entreter. Bem diferente de hoje, em que alguns usam o lado lúdico para ensinar e desenvolver as crianças.

Se hoje elas querem o alfabeto, antigamente a gente queria mesmo era ver um coelho dando um tiro na cara de um pato. Mas vamos voltar ao tema.

bugspiano

Pernalonga foi um dos grandes responsáveis pela propagação da música clássica nos desenhos animados

Uma das coisas que mais chamava a atenção nos desenhos, por muitas vezes, era a sua trilha sonora. A música clássica sempre se fez presente nas criações, seja em trilhas de fundo ou episódios especiais onde uma noite de orquestra era o centro das atenções. E foi aí que a paixão começou. Já disse aqui algumas vezes o quão fã de música clássica eu sou, seja ela de forma pura ou mais estilizada, como acontece com as apresentações do Il Volo e do Brooklyn Duo.

E parando para pensar, foi ali que tudo começou. De uma forma inconsciente, fui apresentado a um vasto mundo, das mais belíssimas composições eruditas. Quem diria que os desenhos animados serias as portas para conhecer o trabalho de Ludwig van Beethoven, Frédéric ChopinGioachino Rossini e outros grandes compositores?

Assim como aconteceu essa relação entre eu e os desenhos animados, quem sabe não pode acontecer o mesmo com você que está lendo esse post. Todos sabemos como os mais jovens são imersos no mundo da internet. Por que não aproveitar isso para eles? Vai que temos alguns fãs de música clássica que ainda não foram apresentados para esse universo.

Confira algumas boas obras:

Il barbiere di Siviglia (O Barbeiro de Sevilha), de Gioachino Rossini

De todas as óperas retratadas no mundo dos desenhos, O ‘Barbeiro de Sevilha‘ é, sem dúvidas, uma das mais difundidas. Criação do italiano Gioacchino Rossini, em 1816, ela se baseia em uma comédia francesa, que leva o mesmo nome e é de autoria do francês Pierre Beaumarchais.

Divida em dois atos (unidade que compõe a peça) e três cenas. De todos os personagens da obra, Fígaro é o que tem mais destaque. Ele é o barbeiro da cidade e sempre dá um jeito de se fazer presente nas intrigas e planos que rolam por ali.

Além do Pica-Pau (vídeo acima), é possível ver trechos dessa obra no desenho do Pernalonga, mais especificamente em ‘O Coelho de Sevilha‘.

William Tell Overture, de  Gioachino Rossini 

Outro clássico comum nos desenhos é a abertura da ópera William Tell (Guillaume Tell, no original francês). Assinada pelo italiano Gioachino Rossini, foi a sua última de suas opera, lançada em 1829 e dividida em 5 atos.

É possível ver a obra no desenho do Mickey, em um episódio lançado em 1935 e intitulado The Band Concert. Enquanto Mickey, o mastro, dá tudo de si pelo bem da música, o Pato Donald aparece para atrapalhar o show.

Tom and Jerry in the Hollywood Bowl

Outro desenho que sempre soube trabalhar com músicas clássica foi Tom e Jerry. Além de sempre ter alguma delas em suas músicas de fundo, como as famosas músicas de perseguição, o desenhos soube fazer episódios especiais sobre.

No episódio Tom and Jerry in the Hollywood Bowl, lançado em 1950, o contexto do tópico anterior se repete. Tom, na figura de maestro, não quer dividir o espaço com Jerry. Por isso, o ratinho fará de tudo para infernizara vida do gato e ganhar o seu espaço.

Aqui, é possível ver elementos de duas músicas clássicas. No começo, temos a abertura de Die Fledermaus, do alemão Johann Strauss II, lançada em 1874. No seu desenrolar, que dá as caras é o húngaro Franz Liszt, autor de Les préludes, seu 3ª poema sinfônico, lançado em 1848.

Sinfonia n.º 5 em Dó menor Op. 67, de Ludwig van Beethoven

Quando se fala em ópera, é praticamente impossível não associá-la à Ludwig van Beethoven. O alemão é um dos grandes expoentes da música clássica e sua 5ª Sinfonia, lançada em 1808, é um das mais tradicionais.

Desta vez, a música é entoada em um episódio de A Pantera Cor de Rosa. Enquanto a orquestra tenta fazer uma apresentação da obra de Beethoven, a protagonista tenta, a todo custo e instrumentos, entoar sua característica melodia, composta por Henry Mancini

Andy Panda e o Momentos Musicais de Chopin

De todos os desenhos, ficou claro que os produzidos por Walter Lantz são os que mais se associam com a música clássica. Poderia ter colocado outros diversos episódios onde ela aparece, mas juro que tentei ser o mais sucinto possível.

Para fechar a seleção, de desenhos e de grandes da música erudita, é claro que Frédéric Chopin não poderia ficar de fora. Para isso, um episódio inteiro foi destinado para sua obra. Lançado em 1947, Momentos Musicais de Chopin faz uma ode ao trabalho do pianista polonês radicado na frança.

Ao lado de Pica Pau, Andy Panda em seu piano, nada menos do que cinco obras do compositor. Em sequência, é possível ouvir:

  • Heroic Polonaise in A Flat Major, Opus 53;
  • Fantasie Impromptu in C Sharp Minor, Opus 66;
  • Écossaise in D Major, No. 2; Opus 72;
  • Mazurka in B Flat Major, No. 1, Opus 7;
  • Scherzo in B Flat Major, No. 2, Opus 31.

Apesar do fim trágico do episódio, esse é um dos melhores já feitos, na minha opinião. E olha que esses foram apenas alguns dos bons exemplos que eu poderia dar.

Faltou alguém na lista? Deixe aí nos comentários. Vai que isso tendo um posto novo. Afinal de contas, sono il factotum della città ♪


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