A segunda temporada de Daredevil e as partes boas (e outras nem tanto) de uma coisa excelente

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Ano passado quando falei sobre a primeira temporada de Daredevil, comentei minhas preocupações com a Marvel estreitar demais suas ramificações e resultar num universo muito intrincado para o espectador desavisado. O ponto é que Daredevil ainda não quer vincular absolutamente nada com o universo cinematográfico e a presença do personagem no vindouro Guerra Civil é quase impossível (uma bela de uma oportunidade perdida, assim pensa esse que vos fala). Na verdade, a falta de uma conexão maior entre TV e cinema é mais uma briguinha interna da Marvel Television com a Marvel Studios, mas prejudica o desenrolar criativo de seus produtos.

O fato é que essa segunda temporada de Daredevil ainda destoa muito do que a Marvel apresenta no cinema. Mas opiniões mudam e não encaro essa diferença entre produtos como uma coisa tão ruim assim.

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Na segunda temporada, Matt Murdock (Charlie Cox) continua a trabalhar como advogado de dia e vigilante à noite, dessa vez com o Demolidor cooperando cada vez mais com a polícia. O trabalho do Demolidor começa a ficar difícil quando uma série de organizações criminosas começa a ser morta por uma espécie de justiceiro. Não demora até tanto o Demolidor quanto Matt Murdock conhecerem Frank Castle (Jon Bernthal), o responsável pelas mortes. E é nas diferenças entre as regras do jogo entre o Demolidor e o Justiceiro é que surgem os principais conflitos da temporada.

Como se o Justiceiro não fosse problema suficiente, Elektra Natchios (Elodie Young) está de volta à cidade e precisa da ajuda de Matt para deter A Mão, uma organização milenar que pretende alcançar o poder com planos secretos envolvendo uma arma chamada Céu Negro.

O acumulo de tramas e conspirações presentes na temporada jogam todos os personagens ao extremo e as reações a partir de situações extremas são excelentes e funcionam bem ao longo da temporada. Foggy (Elden Henson) tem excelentes momentos interagindo com Matt e lutando contra a promotoria no tribunal, este que foi um dos pontos altos da temporada. Foggy é um personagem que foge do simples alívio cômico e apresenta uma sagacidade excelente ao servir como contraponto à melancolia de Matt.

Quem também arrasou nesse segundo ano foi Karen Page (Deborah Ann Woll), sendo uma personagem que cresceu episódio após episódio e protagonizou um dos momentos mais tocantes da temporada, ao recordar Ben Urich (Vondie Curtis-Hall). Palmas para a linda Deeborah Ann Woll, que soube carregar bem os dramas da personagem, a morte de Ben e (no caso pelas mãos da moça) James Wesley (Toby Leonard Moore) foi um ponto de virada para a personagem, e a sua conexão com o Justiceiro prova isso.

Frank Castle finalmente recebeu uma adaptação à altura, fugindo do estereotipo e apresentando uma história que cresce em importância ao longo dos episódios quase sem perder o folego. Digo “quase” porque o encerramento do plot do Justiceiro soou jogado e as revelações postas na mesa pelo Coronel Schoonover (Clancy Brown) podiam ter sido mais bem trabalhadas, tanto que faltou entender a motivação por trás das ações do Coronel. Talvez as pontas soltas na história do Justiceiro sejam solucionadas na possível série solo do personagem, mas ainda acredito que isso não é desculpa para interromper uma história tão boa.

Por falar em faltar motivação, Elektra foi a que mais sofreu com isso. Ao que tudo indica, ainda não acertaram a mão ao adaptar a personagem (escola Jennifer Garner de como não adaptar Elektra). Talvez por ela apresentar o pano de fundo místico da série e isso tem sido um problema para a Marvel, visto a dificuldade em fazer a série do Punho de Ferro sair do papel. O ponto é que Elektra aparentava não saber para qual lugar caminhar. Não sabia se pendia para o lado de Matt, Stick (Scott Glenn) ou seguia seu próprio caminho. Uma personagem de desenvolvimento problemático e desinteressante se comparado ao Justiceiro.

Acredito que o problema maior tenha sido o excesso de tramas nesse ano. São histórias interessantes e significativas para o desenvolvimento dos personagens, mas que brigavam por tempo de tela entre uma e outra sequência de ação muito da bem feita. Outro ponto negativo: houve um excesso de sequencias de ação, principalmente ao tratar do plot da Mão. Lógico, pancadaria é bom e eu gosto, mas a história precisava de tempo de tela para desenvolver e isso poderia ser resolvido se cortassem metade das sequencias de ação em que o Demolidor e a Elektra lutam com os piores ninjas do mundo que nunca acertavam um golpe mortal contra seus alvos.

No conjunto da obra, Daredevil fez um bom segundo ano. Problemas e comparações com o espetacular primeiro ano são inevitáveis e, ao olhar as particularidades da temporada, vemos que a trama do Justiceiro destoa muito em qualidade com relação à da Mão. E isso provocou furos no roteiro, pequenos, mas que prejudicam a experiência.

Daredevil pecou pelo excesso com tanta frequência quanto acertou nos excessos ao ser violenta, crível, bem atuada, coreografada e editada. Na qualidade técnica, Daredevil superou o ano anterior, faltou um cuidado maior ao conduzir sua história que tinha potencial, mas que deixou a desejar. Não dá para dar um tiro certeiro sempre, nem Justiceiro consegue.

Já assistiu a segunda temporada de Daredevil? Deixe seus comentários 😉

 

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