Amizade de ponto de ônibus

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Foto: Tumblr

É incrível como em situações inesperadas da vida surgem oportunidades de contato. Isso mesmo, contato. Seja por um “oi”, um olhar, um aceno ou até mesmo por um simples agradecimentos, mas há contato. O engraçado é notar esse contato todo em situações em que, normalmente, o resto do mundo não preza nem pela educação do “Bom dia”, quanto mais de um contato.

Num desses dias de frio, onde a mão congela porque o casaco não tem bolso, o vento faz seu rosto avermelhar e o nariz vira uma pedrinha de gelo, cheguei no ponto de ônibus, como todos os outros dias. Três meninas, dois rapazes, todos universitários. Ninguém proferia sequer uma palavra, quem dirá iniciar um contato com aqueles que ali estavam esperando o próximo ônibus lotado e morrendo de frio.

Uma semana se passou e notei que no ponto de ônibus de sempre só restou uma menina. Eu e ela. O restante dos tais universitários devem ter mudado de ponto ou então resolveram mudar o horário, mas não os vi mais. Foi então que criou-se um contato. A primeira frase foi “O ônibus já passou?”, a segunda foi “Nossa, como o ônibus tá lotado hoje!”, a terceira foi “Acho que tem dois lugares lá no fundo, vamos lá?” e por aí foi.

Nesse meio tempo, outros contatos surgiram nos ônibus da vida. Sabe aquela senhorinha simpática que você sempre cede o lugar e ela acaba querendo saber qual o curso que você está fazendo, qual ponto vai descer ou então pergunta sobre o seu namorado que não existe. Sabe também aquela mãe com uma criança legal? Tudo bem que nem sempre as crianças que sobem em ônibus são legal, na maioria das vezes são encapetadas e só querem saber de aprontar, mas descobri que existe uma certa exceção à regra. É sempre assim: você cede o lugar umas três vezes e um contato se inicia. Você responde quatro perguntas e a pessoa já pensa que te conhece. Ah, a vida de contato…

O mais engraçado, é que após o contato vem uma certa amizade. Amizade que eu digo de pegar o mesmo ônibus, de descer no mesmo ponto, de conversar durante o longo trajeto de 20 minutos, de guardar um lugar quando o cara gato do seu lado sair, de rir ao mesmo tempo quando alguém fala algo absurdo no ônibus, entre outras coisas. É engraçado e divertido ter alguém com quem compartilhar essas situações da vida. Coisas tão corriqueiras, que muitas vezes passam despercebidas aos olhos daqueles que não se atentam ao mundo paralelo ao seu redor.

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