Another Life, da Netflix, desaponta na primeira temporada

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Uma das consequências de ser um fã alucinado de Battlestar Galactica é acabar acompanhando de perto a carreira dos atores da série de 2003. Já passei boas horas assistindo Hawaii Five-O por causa da Grace Park, vibrei com Edward James Olmos em Dexter (mesmo numa temporada ruim demais) e eu já respondi tanto stories da Tricia Helfer no Instagram que eu não sei como a moça ainda não me bloqueou.

Logo, era bastante óbvio que eu ficaria empolgado com Another Life. Afinal, é uma série estrelada por Katee Sackhoff (a Starbuck de BSG) sobre viagens espaciais. Um prato cheio para qualquer órfão de Battlestar Galactica!

O problema é que o “prato cheio” em questão se mostrou um tanto intragável.

A tripulação da Salvare em uma aventura intergalática com mais problemas do que acertos (Divulgação/Netflix)

A tripulação da Salvare em uma aventura intergalática com mais problemas do que acertos (Divulgação/Netflix)

Criada por Aaron Martin (Slasher), Another Life acompanha a tripulação da Salvare em uma viagem espacial para descobrir a origem de um misterioso artefato alienígena que pousou na Terra. No comando da missão, Niko Breckinridge (Sackhoff), uma capitã linha dura que teve de deixar na Terra seu marido (Justin Chatwin) e filha (Lina Renna) para trás.

No espaço, Niko tem seus desentendimentos com Ian Yerxa (Tyler Hoelchlin), o segundo na hierarquia de comando, se reconecta com a piloto Cas (Elizabeth Faith Ludlow) e estreita os laços com William (Samuel Anderson), uma IA que consegue ser mais humana do que muitos dos outros tripulantes da Salvare.

Enquanto a missão no espaço evidentemente não sai como o planejado (até porque se desse tudo certo não teria série), na Terra o marido de Niko investiga junto do governo americano quais são as intenções do artefato alienígena e tenta de qualquer maneira estabelecer contato com o objeto, usando Harper Glass (Selma Blair), uma repórter/blogueira como aliada e, ao mesmo tempo, inimiga ao longo da temporada.

Another Life tem uma premissa simples e direta, isso não é problema algum. É fácil identificar que toda a história do artefato e da missão é apenas o pontapé para desenvolver outras temáticas. E a série propõe algo legal, Niko, seu marido, Cas, Ian e todos os outros personagens tinham uma noção do que eram suas vidas antes da chegada do artefato. Saber lidar com o peso de quem eles eram antes e quem eles são depois do artefato é o principal foco da série.

Lina Renna e Justin Chatwin em cena de Another Life. O plot terrestre que não acrescenta em nada. (Divulgação/Netflix)

Lina Renna e Justin Chatwin em cena de Another Life. O plot terrestre que não acrescenta em nada. (Divulgação/Netflix)

Entretanto, Another Life promete e não cumpre por um simples motivo: os personagens não cativam. Nos dez episódios de quase uma hora, temos uma sucessão de interações forçadas de personagens odiosos e que incham a trama sem necessidade. São dez episódios de pessoas brigando entre si sem motivo aparente porque no instante seguinte voltam a se dar bem.

Exemplo de Michelle (Jessica Camacho), uma personagem que passou episódios sendo desagradável com Niko para depois defendê-la quando Cas tem uma discussão com a capitã. Ponto que não fez sentido algum para uma personagem que só sabia ser antipática. Ou então Zayn (JayR Tinaco), médico da Slavare, que dá um empurrãozinho para convencer Ian a iniciar um motim contra Niko para no episódio seguinte apresentar-se como alguém moderado e um aliado para a capitã.

William é quem mais sofre com isso, sendo levado de um lugar para o outro apenas para servir às funções do roteiro. Quais as limitações dele como IA? Ah, aí depende do que o roteiro precisa.

Essas pequenas incoerências são constantes em episódios que tem, sim, bons momentos, mas que deixam um gosto estranho na boca, transformando Another Life em uma série inconstante, você não sente tensão pelo destino dos personagens, você não se empolga e nem se compadece com a evolução deles. Você apenas assiste uma colagem de momentos aleatórios de pessoas insuportáveis.

Jessica Camacho e Tyler Roelchin em cena de Another Life no papel de personagens insuportáveis. (Divulgação/Netflix)

Jessica Camacho e Tyler Hoelchlin em cena de Another Life no papel de personagens insuportáveis. (Divulgação/Netflix)

A completa irrelevância de Another Life é amplificada com seus plots terrestres. Toda a investigação do marido de Niko acerca do artefato é desinteressante, mal feita e um desperdício de talento e tempo. Não à toa o episódio em que o núcleo da Terra não aparece é um dos melhores da temporada.

O que frustra é justamente o desperdício de talento, o design da Salvare é espetacular e Another Life tinha muito potencial para ser uma série, no mínimo, divertida, mas nem isso consegue.

E são problemas fáceis de identificar e solucionar, é a questão a acertar algumas arestas, corrigir motivações de personagens e limpar a trama de plots desinteressantes (quem se importa com o trisal entre August, Oliver e Javier?). Existe potencial em Another Life, talvez umas horinhas a mais na sala de planejamento poderiam ter salvo a série do desastre completo.

Já conferiu a primeira temporada de Another Life? Deixe seus comentários!


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