As muitas faces de Andrew McMahon

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Uma das coisas mais legais no mundo da música — talvez das artes no geral — é a capacidade de caminhar entre gêneros e fazer de tudo um pouco pra manter o interesse vivo. É na personalidade multitarefa que reside a base de grande parte do trabalho de Andrew McMahon.

Andrew Ross McMahon tem uma carreira extensa e relativamente, o americano de 36 anos viveu parte de sua infância em Nova Jérsei e em Bexley, Ohio. Passou por momentos difíceis nessa época por conta da morte de um irmão e um tio, este que, também um artista, despertou o interesse de Andrew no mundo da música.

Em entrevista ao site Keyboard em 2010, Andrew conta que começou a tocar piano aos nove anos de tanto ver e ouvir a mãe tocar. Ele conta que “praticava piano de oito a dez horas por dia, geralmente até meus pais pedirem para eu parar”. Aos dez, começou a compor suas próprias canções e ter aulas do instrumento.

A primeira empreitada

McMahon formou sua primeira banda no colégio com amigos da época. Batizada de Left Here, o grupo ganhou uma batalha de bandas local em 1997, mas acabou se separando pouco tempo depois.

Algumas sementes da primeira banda de Andrew foram deixadas para trás e, junto com Brian Ireland (bateria) e Kevin “Clutch” Paige (baixo) — antigos integrantes da Left Here —, formaram a Something Corporate em 1998. A nova banda era completada por Josh Partington (guitarra) e Richard Hernandez (guitarra e back vocals).

Em 2002, Something Corporate lançou seu primeiro álbum, Leaving Through the Window figurou em listas da Billboard apresentando um pop punk bastante polido.

Something Corporate tem muito a cara do rock do começo dos anos 2000, dá pra sentir uma vibe All-American Rejects e Jimmy Eat World no trabalho. O grupo lançou seu segundo álbum em 2003. Intitulado North, o álbum alcançou a 24ª posição no top 200 da Billboard e garantiu uma apresentação da banda no Jimmy Kimmel Live.

A pausa, um documentário e um manequim

Em 2004, Something Corporate entrou em hiato voltando apenas em 2010 para um compilado e alguns B-Sides.

Nesse tempo de pausa, Andrew McMahon reuniu-se com Bobby “Raw” Anderson (guitarra e back vocals), Mikey “The Kid” Wagner (baixo e back vocals) e Jay McMillan (bateria) para formar o Jack’s Mannequin.

Esse novo projeto mantinha muitas características dos trabalhos anteriores, mas dessa vez com um pouco mais de, digamos, brilho. Batidas mais aconchegantes e se afastando em muitos momentos do pop punk de antes.

Em 2005, um dia após terminar de gravar o primeiro álbum, Everything in Transit, Andrew foi diagnosticado com Leucemia linfoblástica aguda, forçando-o a se afastar dos palcos momentaneamente. Andrew curou-se da leucemia após um transplante de medula óssea da sua irmã, Kate.

A experiência originou o documentário Dear Jack, contando do ano em que enfrentou a doença, o fim de um relacionamento e o lançamento do primeiro álbum do Jack’s Mannequin.

Votando ao Jack’s Mannequin, músicas da banda apareceram em One Tree Hill e a atriz Hilarie Burton (que interpretava Peyton Sawyer na série) apareceu no clipe de “The Mixed Tape”.

Jack’s Mannequin ainda lançou outros dois álbuns, The Glass Passenger (2008) e People and Things (2011), trazendo a cada canção mais elementos do indie e alternativo.

Jack’s Mannequin encerrou suas atividades em 2012 com um saldo positivo (os ingressos para o show final se esgotaram em horas) e deixou Andrew McMahon livre para tentar mais coisas na carreira.

Uma série de TV no meio de uma região selvagem

Entre 2012 e 2013, McMahon trabalhou na carreira solo enquanto escrevia canções para outros artistas. Foi seu trabalho como compositor que o garantiu um emprego no seriado Smash.

McMahon contribuiu com canções apresentadas na segunda temporada da série e também no musical da Broadway produzido após o cancelamento da mesma. McMahon foi indicado ao Emmy pelo trabalho na série com a música “I Heard Your Voice in a Dream”.

Em 2014, McMahon iniciou uma nova fase na carreira solo com o nome de Andrew McMahon in The Wilderness com o primeiro single, “Cecilia and the Satellite”, nomeado em homenagem à filha recém-nascida.

O primeiro álbum, homônimo, foi lançado em 2014 e trazia muitas das influências apresentadas em Jack’s Mannequin, ampliando ainda mais a pegada alternativa e indie que McMahon flertara nos trabalhos anteriores.

Até o momento outros dois álbuns foram lançados, Zombies on Broadway (2017) e Upside Down Flowers (2018), sendo ambos excelentes em muitos aspectos.

O mais interessante de acompanhar a carreira de McMahon é ver que todas as mudanças, algumas delas bastante bruscas, e experimentações ao longo dos anos não soam como uma tentativa desesperada de alcançar sucesso (seja lá o que “sucesso” significa).

McMahon conquistou uma legião de fãs em todos os projetos ao longo da vida, se quisesse poderia continuar com o Something Corporate até hoje e ainda assim apresentar um bom trabalho. As mudanças são sinais de um artista que reconhece a vontade e necessidade de evoluir no momento certo e da maneira correta.

Poucas pessoas na indústria têm essa noção de como e quando evoluir e chacoalhar sua base de fãs (bons e atuais exemplos ficam com Lady Gaga e Marina Diamandis), Andrew McMahon é uma dessas pessoas.

Pensando como alguém que trabalha com arte (escrever ficção não é a mesma coisa que escrever e cantar músicas, mas as possibilidades de atuação são tão vastas quanto), Andrew McMahon é, ao mesmo tempo, intimidador e inspirador.

Não, não vou aparecer semana que vem com meu primeiro álbum de estúdio embaixo do braço.

Eu acho.

Já conhecia toda a versatilidade de Andrew McMahon? Deixe seus comentários!


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