Batwoman, nova série do Arrowverse, tem um piloto razoável

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A despeito dos seus resultados por vezes decepcionantes (alô terceira temporada de The Flash!), é necessário dar o braço a torcer e aplaudir a CW por tudo o que fez com o Arrowverse. Gerir quatro séries (seis se contar com a iminente entrada de Black Lightning na franquia e, agora, Batwoman) de maneira que suas tramas sigam qualquer coisa que lembre coerência não é tarefa fácil.

E, convenhamos, a CW conseguiu criar um universo televisivo bem mais interessante que as séries Marvel/Netflix. Claro, são públicos-alvo e execuções diferentes, mas a proposta é basicamente a mesma.

Batwoman, a nova do Arrowverse, pretende continuar com a consistência que é a marca dessa franquia e, talvez, substituir espiritualmente Arrow, atualmente na sua última temporada.

Com Caroline Dries (de The Vampire Diaries e Smallville) na cadeira de showrunner, Batwoman é a primeira adaptação live-action da personagem da DC Comics criada em 1956 e reformulada em 2006 como a primeira super-heroína abertamente lésbica dos quadrinhos e ícone LGBTQIA+.

No episódio piloto, Kate Kane (Ruby Rose) retorna a uma Gotham City mudada. A cidade se viu livre da presença do Batman há três anos e têm na figura da Crows Security, uma empresa particular de segurança comandada pelo pai de Kate (Dougray Scott), a única opção para manter a cidade segura.

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O retorno súbito de Kate acontece após o sequestro de Sophie Moore (Meagan Tandy), ex-namorada de Kate e uma figura de respeito dentro da Crows Security. Por trás do sequestro da moça está Alice (Rachel Skarsten), uma criminosa que pretende tocar o terror em Gotham e expor os podres da Crows Security.

A partir do sequestro e da recusa do pai de Kate em deixá-la ajudar no resgate de Sophie, ela tropeça no segredo de Bruce Wayne, seu primo, e assume o manto de Batwoman para salvar Sophie e ajudar Gotham a resistir frente ao terrorismo excêntrico de Alice.

O piloto de Batwoman faz o que é básico dos pilotos de qualquer série: apresentar seus personagens e conflitos gerais para ir afunilando nos próximos episódios. Logo, é comum que ele seja uma maçaroca corrida de pessoas e plots que não levam a lugar algum.

Em pouco mais de quarenta minutos, Batwoman teve que apresentar Kate, seu pai, Sophie, Alice, Mary (Nicole Kang) e Luke Fox (Camrus Johnson). Contextualizar as Indústrias Wayne e Gotham enquanto uma cidade protegida pelo Batman e depois, com a misteriosa ausência do Homem-Morcego.

De todos os pilotos do Arrowverse, Batwoman foi o que mais apanhou para encaixar sua história de fundo ao longo do episódio. O uso das narrações em off serviu para explicar muitas coisas, claro, mas poderia ter sido melhor aplicado. Me mostre, não conte. Ou, já que vai contar, que trabalhem melhor o texto das narrações.

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Batwoman faria um piloto bem mais palatável se tivessem pego alguns plots apresentados nele — como, por exemplo, toda a história de Mary sendo médica dos pobres — e transferido para os episódios seguintes, iria limpar o roteiro de maneira muito benéfica, garantindo um piloto mais estruturado.

Aponto esse excesso de variáveis como um problema porque quando o piloto encontra seu foco — Kate descobrindo o segredo de Bruce e lutando para salvar Sophie — é que a série mostra a que veio. E isso só acontece depois de vinte minutos, apresentando uma ação e desenvolvimento comum ao Arrowverse, mas que agrada. A CW sabe como ninguém fazer o feijão-com-arroz nas suas séries, não dá pra entender como ainda podem tropeçar tanto no começo.

Depois de cinco séries, o Arrowverse entra em um limbo em que, ao mesmo tempo em que se espera mais do mesmo (o feijão-com-arroz que a gente gosta e confia), torcemos para algo diferente em suas séries. Talvez Batwoman possa ser aquela que vai trazer esse “algo a mais”, seja pelo seu roteiro ou pela representatividade de colocar uma heroína lésbica em evidência.

Potencial existe, como sempre, o que resta é acompanhar os próximos episódios e esperar para que encontrem o seu rumo.

E aí, está empolgado com Batwoman? Deixe seus comentários!


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