Black Lightning tem problemas para explorar sua abordagem séria no piloto da nova série

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A CW tem mostrado nos últimos anos um canal com potencial para trazer boas produções, seja na questão da representatividade encabeçada por Jane the Virgin e Crazy Ex-Girlfriend ou pela diversão descompromissada do seu Arrowverse. Entretanto, o resultado muitas vezes é inconstante, Jane the Virgin tem derrapado na quarta temporada enquanto que séries como Arrow e The Flash se atropelam em arcos questionáveis e incoerentes com todo o desenvolvimento dos personagens.

Black Lightning, nova aposta da CW no gênero dos super-heróis e, aqui no Brasil, exibida pela Netflix, promete unir a representatividade e subtexto que fez de Jane e Crazy Ex duas das melhores comédias no ar atualmente com a diversão empolgante do Arrowverse.

O Raio Negro do título foi o primeiro super-herói negro da DC Comics a ter um título próprio, criado em 1977 por Tony Isabella e Trevor Von Eeden. O herói possui poderes elétricos bastante semelhantes ao Super-Choque da animação de exibida à exaustão no SBT.

Black Lightning dedicou boa parte de seu episódio piloto em retratar o abuso policial contra a comunidade negra, um debate em alta nos Estados Unidos

Black Lightning dedicou boa parte de seu episódio piloto em retratar o abuso policial contra a comunidade negra, um debate em alta nos Estados Unidos

Na série, produzida por Greg Berlanti, mas que não faz parte do Arrowverse, Jefferson Pierce (Cress Williams) era o Raio Negro após pendurar seu manto para cuidar de suas duas fihas, Anissa (Nafessa Williams) e Jennifer (China Anne McClain). Nove anos depois, ele é um bem sucedido diretor de uma escola que ficou conhecida por tirar jovens em situação de risco das ruas de Freeland.

Ainda assim, a cidade sofre na mão da The 100 (não estou falando da série, amigos), uma gangue que domina as ruas com violência, drogas e corrupção. Quando a guerra entre gangues e polícia começa a atingir sua vida pessoal e profissional, Jefferson reassume o manto do Raio Negro.

É interessante ver o passo que a CW deu ao não incluir Black Lightning no mesmo universo de Arrow, Legends of Tomorrow, The Flash e Supergirl. Mostra como o canal mais se preocupa em contar bem suas histórias, custe o que custar, ao invés de enfiar goela abaixo um universo gigante que não necessariamente agrega valor à série.

E Black Lightning consegue trabalhar em seu episódio piloto bons subtextos que ajudam a justificar essa distância do Arrowverse. A série se mostra bem mais madura ao explorar o abuso policial contra a população negra e as desigualdades e privilégios que permeiam toda uma tensão racial que está, infelizmente, em alta nos Estados Unidos.

Black Lightning tem enormes potenciais e é bem sucedido em explorá-los em diversos momentos. Toda a sequência que endereça de forma bastante explícita o abuso da polícia contra negros é poderosíssima e mostra como a série conseguiria se sustentar bem mais nesses aspectos do que nas lutas preguiçosamente coreografadas disfarçadas por uma edição dinâmica.

Jefferson Pierce (Cress Williams) prepara seu uniforme tecnológico para o retorno do Raio Negro às ruas de Freeland

Jefferson Pierce (Cress Williams) prepara seu uniforme tecnológico para o retorno do Raio Negro às ruas de Freeland

Os vinte minutos finais do piloto, quando Jefferson retoma sua missão de proteger a cidade, descambaram para lutas bem feitas tecnicamente, mas que penderam mais para o galhofa apresentado em Arrow e afins do que algo majoritariamente ousado. Pior, apenas evidenciaram diversos dos problemas ao redor de todo o restante do episódio.

A impressão que fica do piloto é que ele para no meio do caminho e desperdiça potencial para fazer melhor. Parece que não consegue cumprir bem o potencial para o drama na mesma medida em que não cumpre seu potencial para ação.

Para uma série que se vendia como uma manobra ousada da CW em tentar apresentar uma abordagem diferenciada para seus heróis, Black Lightning me soa como mais do mesmo. Sim, ainda é uma boa série porque eles sabem fazer o “feijão com arroz”de forma bem feita, mas dá pra fazer melhor.

A expectativa é positiva, todas as séries da DC na CW demoraram para encontrar sua identidade e acredito que é o mesmo caso de Black Lightning. É esperar pra ver.

Está empolgado com Black Lightning e tem gostado do que viu? Deixe seus comentários.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo. Ela e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui

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