‘Captain Tsubasa’ volta ao passado sem agredir o original

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Visitar o passado é a modo do momento. A industria cultural adotou isso como uma tendência que não deve sumir tão cedo assim. Por um lado é péssimo, já que isso denota uma falta de criatividade e medo de arriscar em algo novo. Por outro lado, é “jogar” em casa e apostar em algo que sabe que dará retorno.

Apesar do tiro certo, não é sempre que vão acertar em um produto, principalmente quando este toca em uma “ferida aberta” em mundo chamada nostalgia. Muita gente tem se prendido em um saudosismo exagerado e dado chilique quando algo que ele gostou passará por uma releitura. O caso mais recente aconteceu com ThunderCats, que ganhou uma repaginada pelas mãos do Cartoon Network.

Mas quando o tiro no escuro acerta em cheio, o resultado acaba sendo para lá de prazeroso. Quando, no Twitter, vi que relançariam o anime Captain Tsubasa, que no Brasil era chama de Super Campeões, eles tocaram na minha ferida. Mesmo a possibilidade sendo óbvia, afinal de contas, é ano de Copa, não sabia o que esperar. O fato é que, mesmo após anos sem assistir a esse título, sua nova versão me levou a uma viagem ao meu assado.

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Originalmente, Captain Tsubasa foi uma série de mangá escrita e ilustrada por Yoichi Takahashi entre 1981 e 1987 lá no Japão. O anime estreou no Japão em 1983, mas só foi chegar ao Brasil muitos anos depois, de 1994 até 1995 pelas mãos da TV Manchete.

O desenho conta a história de Oozora Tsubasa, que no Brasil virou Oliver, um jovem japonês apaixonado pelo futebol. Esse mangá/anime teve uma aceitação extremamente positiva em seu país, uma vez que enaltecia o esporte por lá, totalmente emergente na época, dando a ideia de que poderia se desenvolver em torno de seus jovens talentos. Inclusive, ele teve o apoio da própria Federação Japonesa de Futebol.

Assim como todo anime, Captain Tsubasa tem sua própria física, anulando totalmente o que conhecemos no mundo real. Apesar disso, ele não precisa de muito para prender a atenção do público. Muito disso se deve pelo fato dele retratar o sonho de milhões em serem jogadores de futebol. Ainda mais aqui, no Brasil.

Por aqui, o anime teve uma aceitação positiva também. Desde os primórdios dos episódios, a ligação com o Brasil é feita. O treinador do time da escola de Tsubasa é Roberto Rongo, um brasileiro de origens japoneses. Craque da Seleção Brasileira, ele volta para seu país de origem na esperança de um tratamento adequado para um descolamento de retina, que o tira do futebol para sempre.

Além disso, no avançar da história, apesar de times genéricos, um deles tem clara inspiração no São Paulo FC. Isso se deve também, pelo fato do desenho ter tido inspiração em Musashi Mizushima, que passou pelo Tricolor do Morumbi entre 1975 e 1985.

Mizushima e Tsubasa

Mizushima e Tsubasa

A grande sacada da versão de 2018 foi respeitar a história original. Basicamente, elas são as mesmas. O anime segue recontando a história de Oliver Tsubasa e toda a sua trajetória no mundo do futebol. Ele estreou em abril e ainda temos poucos episódios disponíveis. Apesar disso, muita coisa do passado está ali.

Desde o primeiro episódio somos reapresentados aos personagens clássicos, como o baixinho e invocado Ryo Ishizaki, seu primeiro amigo no mundo da bola, fora o já citado Roberto Rongo. Mas o mais legal de tudo foi poder rever o meu personagem preferido da época, o goleiro Genzou ‘Benji’ Wakabayashi. Eu até tenho uma camisa do Japão com seu nome e número nas costas hehe

Da mesma maneira que Tsubasa é um talento com a bola nos pés, com seus chutes que desafiam a física, Wakabayashi é debaixo da meta. No começo da história, ele se torna o principal algoz do protagonista, mas se o atual seguir o antigo anime, isso mudará mais para frente.

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Trazendo esse anime de volta a vida, a TV Tokyo marcou um golaço. Além de aproveitar o hype da Copa, ela deu um ar de refresco ao título. Fazendo isso, além de agradar aos mais velhos, pela manutenção da história, ela consegue atrair os mais novos. Isso fará com que a lenda de Oozora ‘Oliver’ Tsubasa perdure por muito mais tempo.


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