‘Com Amor, Van Gogh’ e a beleza do cinema sobre tela

Navegar por...

Em outubro deste ano, fiz um texto falando sobre a produção de Com Amor, Van Gogh. E desde então, esse filme habitava o meu pensamento.

Na sua concepção, um time com mais de 100 pintores foram contratados para transformar esse filme em arte. Arte no sentido literal da palavra, já que ele foi totalmente feito para parecer uma pintura sobre tela, com tinta e tudo mais.

E finalmente o longa foi lançado. A espera vale a pena. Se a ideia já era assustadoramente encantadora, a concepção foi além. Com Amor, Van Gogh é o primeiro longa-metragem feito neste estilo, de imitar pinturas na tala.

Ao todo, 120 obras do pintor holandês aparecerem ao cena, entre os 65 mil quadros (frames) que tornaram o filme um dos mais belos que eu já tive a oportunidade de assistir.

02,

Robert Gulaczyk, no papel de Vincent Van Gogh

O filme se passa no ano de 1891, um ano após a morte do pintor, que atentou contra sua própria vida. Nele, o carteiro Roulin (Chris O’Dowd) envia seu filho Armand (Douglas Booth) para Paris, para que ele possa entregar uma carta enviada para Theo Van Gogh, irmão do falecido pintor.

Ao chegar à Cidade Luz, Armand é pego de surpresa ao saber da morte de Theo (não é spoiler se está na história). É então que começa a sua busca para quem ele pode entregar a carta enviada pelo falecido. A última entre as mais de mais de 800 trocadas entre Vincent e Theo.

Então Armand começa a rondar Paris, para tentar entender porque o excêntrico pintor havia tirado a sua própria vida com o tiro na altura no estômago. E é aqui que começa a grande sacada do filme.

03

Douglas Booth como Armand

Ao decorrer de todo os filme, Dorota Kobiela e Hugh Welchman, diretores do filme, colocam as obras de Van Gogh para conversarem. Claro que não direi como para não entregar a trama, mas a sacada é genial.

O carteiro Roulin e Armand, por exemplo, são duas das obras de Van Gogh. Originalmente, eles foram pintados em 1888. E eles são apenas dois dos quadros/personagens que aparecem e tem relevância para o filme.

Ainda veremos, entre outras obras, Adeline Ravoux, a “animada filha do dono da pousada” (Eleanor Tomlinson), além dos quadros da Família Gachet. Eles estão representado por Dr. Gachet (Jerome Flynn), médico de Van Gogh, Louise (Jerome Flynn), sua esposa e esposa do doutor e Marguerite (Saoirse Ronan), filha do mesmo.

Saoirse Ronan como Marguerite

Saoirse Ronan como Marguerite Gachet

Feito de forma totalmente artesanal, Com amor, Van Gogh demorou oito anos para ser feito. O tempo não surpreende quando vemos o resultado final do longa. A cada cena, é como se as pinturas estivessem sendo fitas em nossa frente.

O filme é relativamente curto, com apenas 94 minutos de tela. Eu vejo o tempo como ideal. Ele é suficiente para que você imergir no filme, criando rápido vinculo com personagens cativantes. A minha preferida foi Adeline Ravoux, interpretada por Eleanor Tomlinson. Ela quem deu vida a “animada filha do dono da pousada”.

Quando tiver oportunidade, dê uma chance ao filme. Garanto que ele vai te surpreender. E não se espante caso ele apareça entre os indicados  como melhor filme de animação do Oscar 2018, hein.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Comentários

comentário(s)