Como ‘O Destino de Uma Nação’ tornou ‘Dunkirk’ um filme melhor

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Uma das piores coisas no mundo do cinema é colocar muito hype sobre uma produção. E o pior de tudo é que, muitas vezes, isso acontece de forma que você nem percebe. Ao colocar suas expectativas em demasia sobre um filme, se ela não é alcançada, a forma como você vê o produto é afetada consideravelmente, a ponto de desgostar daquilo.

Falando por mim, é inevitável que eu fique empolgado com filmes de heróis, esportes e Segunda Guerra. De forma inconsciente, e até mesmo inconsequente, minhas expectativas sempre são as maiores possíveis sobre produções que abordem tais temáticas. E assim como dito anteriormente, se o filme não bate minha expectativa, o desgosto é consequência.

No fim de 2017, Hollywood me deu mais um desses exemplos, com o lançamento de Dunkirk, dirigido por Christopher Nolan. O filme conta a história do entreveiro na Batalha de Dunquerque, em 1940, onde uma divisão de panzers nazistas estavam cercando um grande montante dos exércitos britânico e francês.

No fim das contas, e isso não é spoiler, já que aconteceu na história, cerca de 300 mil soldados foram evacuados dali durante a Operação Dínamo. O resgate foi ordenado por Winston Churchill, então primeiro ministro-britânico.

Essa operação ficou muito conhecida pelo fato de não apenas a marinha britânica ter auxiliado na retirada, mas a grande quantidade de embarcações civis que também se dispuseram ao resgate.

Em um primeiro momento, não consegui comprar a ideia do filme, afinal de contas, ele não é um simples filme de guerra. O longa deixa de lado as grandes batalhas campais e passa a trabalhar em pontos específicos. Em Dunkirk, vemos três cenários sendo apresentados: soldados que esperam o resgate, uma embarcação que parte para a França com esse ideal e um suporte dado por aviões, onde Tom Hardy foi protagonista. E aqui que morou o problema.

Quando idealizo um filme de guerra, eu quero algo na linha de O Resgate do Soldado Ryan. Quero ver tiro, explosões e tudo o que uma produção assim tem a oferecer. Ao ter essa visão viciada do gênero, foi meio que inevitável torcer o nariz para a obra.

Dunkirk deve ser destaque no Oscar 2018 nas categorias técnicas. Nesta cena, vemos Harry Styles em primeiro plano

Dunkirk deve ser destaque no Oscar 2018 nas categorias técnicas. Nesta cena, vemos Harry Styles em primeiro plano

Com a chegada de um novo ano, uma nova chance para Dunkirk, afinal de contas, ele foi indicado em 8 categorias, só ficando atrás de A Forma da Água, que teve 13. Em um primeiro momento, pensei em nem ver o filme, já que não havia gostado dele na primeira vez, mas tudo mudou depois que eu tive a oportunidade de ver O Destino de uma Nação.

O filme, protagonizado por Gary Oldman, conta justamente a história da posse do então primeiro-ministro, até o desfecho da Operação Dínamo. Mesmo não tendo conexão alguma entre os filmes, ambos estão conectados diretamente, o que foi um mind blowing gigantesco.

Enquanto Dunkirk mostra um impasse militar, de uma missão que fracassara, O Destino de uma Nação mostra todo o contexto político por trás deste infortúnio. Se no primeiro momento eu não tinha comprado a ideia do filme de guerra, graças ao longa de Churchill, o cenário se alterou drasticamente.

Gary Oldman é o favorito a levar o prêmio de Melhor Ator. A Maquigem também tem boas chances, mas tem em 'Extraordinário' um forte concorrente

Gary Oldman é o favorito a levar o prêmio de Melhor Ator. A Maquiagem também tem boas chances, mas tem em ‘Extraordinário’ um forte concorrente

Ao ver os dois filmes, um seguido do outro nessa maratona pré-Oscar, finalmente pude ver o que estava por trás de tudo isso. Dunkirk aborda, e muito bem, a visão dos soldados Encurralados. O medo de um possível novo ataque nazista, atrelado a incerteza de que se um reforço viria.

Enquanto isso, em O Destino de uma Nação, as incertezas na Inglaterra eram outras. Churchill, que então era única opção no parlamento, sofria pressão de ambos os lados. A Batalha de Dunquerque era sua última chance.

Graças a atuação brilhante de Oldman, atrelado a um roteiro muito bem escrito, a verdade pula na tela. Ali, vemos um chefe de estado na corda bamba. Em suas mãos, o destino de milhares de soldados. Sua chance de fazer algo certo.

Mesmo sendo filmes independentes um do outro, os dramas se encaixam como um quebra-cabeça. A experiência que se cria ali é algo que eu nunca havia vivenciado. Se vale uma dica, faça como eu. Veja O Destino de uma Nação, seguido de Dunkirk. Tudo o que foi dito aqui vai soar com mais exatidão ainda.

Ambos os filmes são destaques do Oscar 2018, que acontece no dia 4 de março. E você vai ficar sabendo de tudo o que estará acontecendo na maior cerimônia do cinema mundial através do nosso Twitter.

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Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

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