Crítica | Bohemian Rhapsody

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Retratar paixões nunca será uma tarefa fácil, principalmente quando esse amor é o mesmo amor de milhões de pessoas. A linha tênue entre o sucesso e o fracasso se torna minima, por isso aquilo precisa ser praticamente perfeito. Ou quase isso.

Bryan Singer e Dexter Fletcher tiveram essa arriscada missão em suas mãos: retratar em filme a história de um dos grupos mais icônicos da história da música. E na eterna briga entre Beatles e Rolling Stones, é o Queen que nunca perdeu a majestade.

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Bohemian Rhapsody tem a função de ser uma ode ao grupo que foi comandado pelo brilhante Freddie Mercury. Além de contar um pouco da história do cantor, o longa protagonizado por Rami Malek também mostra o “por trás” das principais canções do grupo.

É claro que resumir nhenhentos anos de carreira em duas horas de filme não seria simples, mas o roteiro de Anthony McCarten (excelente roteirista biográfico) consegue se sair muito bem. A obra consegue manter sua linearidade, mostrando a vida de Freddie, de um simples funcionário de aeroporto até se tornar uma das maiores vozes do século XX.

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Além das músicas, o filme retrata importantes detalhes da ascensão de Freddie Mercury. Ele retrata a relação com Mary Austin (Lucy Boynton), a ‘Love Of My Life‘ do cantor, além dele se descobrindo bissexual e a sua outra relação, esta com Paul Prenter (Allen Leech).

É muito interessante ver essa dupla relação ao longo dos anos, que despertou amores e ódios. Amores de quem conhecia a história do cantor, mesmo que por cima, e ódios do “cidadão de bem” que ficou chocado com duas cenas de beijo homoafetivo. Duas cenas de, no máximo, cinco segundos, foram o suficiente para chocar a família tradicional brasileira.

Porra, galera…

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E como é de se esperar em um grupo de rock, diversos conflitos entre os integrantes são retratados. Mas é aí que mora o principal problema do filmes. Ele cai em um ciclo vicioso na hora de expor alguns dos maiores sucessos da banda, entre eles, Bohemian Rhapsody We Will Rock You. Algum conflito acontece, um membro da manda mostra uma nova música, sucesso, turnê. E se repete algumas vezes.

Apesar disso, a banda como um todo é bem representada. A química está presente. Entre todos, o que mais chamou a atenção foi a semelhança entre Gwilym Lee e o guitarrista Brian May ficou assustadoramente idêntica. Da mesma forma, Ben Hardy deu muita personalidade ao baterista Roger Taylor. E tem o cara do baixo… Brincadeira! Mas apesar de Joseph Mazzello se parecer com John Deacon, ele acaba não tendo tanto destaque.

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Como não poderia ser diferente, o grande destaque aqui é Rami Malek. A atuação do Mr. Robot enquanto Freddie é incrível. Irretocável. Do começo ao fim, ele retrata com verossimilhança inacreditável. Fala, jeitos e trejeitos. Tiques e gestos MUITO bem representados,

Infelizmente, porém, esse esmero faltou na ordem da cronologia dos fatos. Tudo o que for dito aqui não é spoiler, afinal de contas, é uma retratação histórica, porém a ordem dos fatores não alteraram o resultado.

É de conhecimento geral que Freddie Mercury era soropositivo e isso é trabalhado no filme. Aqui, porém, colocam a descoberta da doença pouco antes do icônico show do Queen no Live Aid, sendo que na realidade, isso aconteceu depois.

O filme ainda coloca Mercury como uma espécie de “vilão” pelo fim da banda, batendo na tecla de seu contrato para álbum solos. Na realidade, ele não foi o primeiro a seguir esse rumo, já que o baterista Roger Taylor já tinha feito isso.

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Quanto a trilha sonora não tem muito a ser dito, apenas que é Queen.

No todo, o filme é uma grande obra. Ele não precisa de muito para prender a atenção do espectador. As duas horas de filme poderiam facilmente ter sido o dobro e, ainda assim, causaria o mesmo impacto.

A última cena, que retrata o show do Live Aid é extremamente poderosa. A vibe retratada, nem que seja 1% da realidade, é impactante. Não me sentia assim com um final de filme desde o fim de Wiplash.

O longa exalta a vida de um dos maiores artistas da história e isso é incrível. Vá ao cinema e veja esse filme. Sinta, se emocione e vibre com tudo o que é mostrado. O Queen é eterno e “the show must go on”.


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Crítica | Bohemian Rhapsody

Crítica | Bohemian Rhapsody
8,1

Roteiro

7/10

    Atuação

    8/10

      Edição

      8/10

        Trilha Sonora

        10/10

          Fotografia

          8/10

            Pros

            • Rami Malek como Freddie Mercury
            • Trilha sonora impecável

            Cons

            • Algumas distorções histórias
            • Ciclo vicioso no roteiro
            • Repetição de uma mesma fórmula diversas vezes

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