Crítica | Death Note (Netflix)

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É um fato que depois de Dragonball Evolution, qualquer tentativa hollywoodiana em adaptar mangás e animes japoneses se tornou algo complicadíssimo. Os fãs, de maneira geral, querem o máximo de fidelidade e são pouco suscetíveis a adaptações. Death Note de cara foi apedrejado quando notaram a falta de atores de etnia asiática e também que o filme não se passaria no Japão.

É sabido que tentar agradar fãs em uma adaptação seja para os cinemas, TV ou mesmo para a Netflix não é uma tarefa fácil. Sempre haverá uma quantidade consideráveis de fãs aborrecidos. Desde já deixo claro que eu sou um grande fã de Death Note, mas que não me importo com alterações desde que sejam para o bem da história que precisa ser contada. Então saiba que minha opinião sobre o filme estará orientada nesse sentido. Então vamos ao filme.

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Death Note

O filme abre com uma cena clássica de um colegial americano: líderes de torcida e jogadores de futebol americano treinando enquanto um nerd resolve lições para outros alunos, Nosso nerd é Light Turner (Nat Wolff). Quando uma tempestade sem aviso cai na escola, um caderno com capa de couro com “Death Note” escrito na capa cai do céu próximo a Light que o apanha.

Após alguns eventos, Light tem a oportunidade de ler o que tem escrito no caderno. Nas primeiras páginas, ele nota uma série de regras de como utilizá-lo, exatamente como no mangá. A diferença se dá nas páginas seguintes onde ele pode ler os nomes que foram escritos por usuários anteriores. Então Ryuk (Willem Dafoe/Jason Liles), o demônio, deus da morte e dono do caderno se apresenta a Light e o incentiva a escrever o primeiro nome.

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Ryuk e Light

O Death Note tem poucas diferenças da obra original para o filme, sua função básica é a mesma: a pessoa que tiver seu nome for escrito no caderno irá morrer. Podendo o portador do caderno estabelecer os eventos que antecederão a morte. As mudanças em relação ao caderno são justificadas pelo enredo e você irá entender o seu porquê no desfecho da história.

Light nesse filme tem uma origem diferente, sua mãe foi morta e o culpado nunca fora condenado. Isso contribui para que o sentimento de vingança dê ignição para as ações de Kira (alter-ego de Light que assassina criminosos). Além disso, aqui ele parece ser muito inteligente assim como no original, mas a trama carece de provas mais objetivas do que hackear o banco de dados da polícia.

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L e Light

Assim, como no original, o pai de Light, James Turner (Shea Whigham) trabalha como detetive de polícia, mas no filme em Seattle. Ele tem o papel na trama em ser o fiel ao sistema e abominar as ações de juiz, júri e executor auto-proclamadas por Kira. L (Lakeith Stanfield), apesar das diferenças em sua fisionomia, preserva os trejeitos e grande parte das características que tornam o personagem o que ele é, uma antítese para Kira, assim como exercer o papel de seu maior rival.

Mia Sutton (Margaret Qualley), que certamente é a versão para esse filme de Misa Amane, foi a personagem que meu ver sofreu mais alterações. Aqui ela é um par amoroso para Light, além de adicionar cargas de impulsividade nele. Mia também é responsável por apresentar a Light, como Kira é visto um novo messias para as pessoas, bem como o culto agora em volta dele criado.

Death Note

Light e Mia

O filme apresenta a discussão moral ao redor do poder do caderno de uma forma sutil. Aos poucos notamos a corrupção que este poder gera, como Kira passa a se importar menos com a “limpeza do mundo” e deixa-se levar pelo ego. O filme tem muitos problemas de tom, ele parece não se decidir e alterna-se entre horror gore, comédia e thriller de uma forma não muito agradável. Até o terceiro ato, o filme tropeçava mas ainda entregava algo bom e divertido, com boas referências a obra original. Mas tudo isso é desmoronado no trecho final do filme, que me desagradou muito. Neste trecho, personagens com Light e L agem de uma forma completamente incompatível com o escopo apresentado.

Death Note passa longe o que está sendo propagado pela internet, o filme tem muitos problemas e quase nenhum deles tem a ver a com as adaptações feitas em relação a obra original. É necessário compreender que trazer algo fruto de uma obra oriental pro ocidente, adaptando um anime ao cinema, carece de adaptações (sim, a cena das batatas era impossível). Eu diria que uma sequência de Death Note se tornou quase impossível. Mas talvez uma adaptação mais digna seria possível se criticássemos o que precisa ser criticado neste filme.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Death Note

Death Note
6,4

ENREDO

7/10

    PERSONAGENS

    8/10

      DESENVOLVIMENTO

      6/10

        DIREÇÃO

        6/10

          TRILHA SONORA

          5/10

            Pros

            • Adaptações
            • Personagem do Ryuk
            • Personagem do L

            Cons

            • Indefinição de tom
            • Trilha sonoro

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