Crítica | Dora e a Cidade Perdida

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Se você convive com crianças pequenas (filhos, irmãos, sobrinhos, netos, afilhados, etc), você inevitavelmente terá algum tipo de contato com produções voltadas ao público infantil. E, por mais que tenhamos exemplos de como o entretenimento de crianças pode ser insuportável (Galinha Pintadinha deixa de ser divertido lá pela quinta vez), ainda temos coisas legais que tratam crianças como seres humanos em formação e até oferecem uma dose de entretenimento para os mais velhos.

Dora, a Aventureira, animação exibida pelo Nickelodeon entre 2000 e 2019, fica no meio termo entre insuportável e genuinamente agradável se você já passou do público-alvo há mais de uma década. O filme live-action, dirigido por James Bobin (Os Muppets), consegue agradar os mais velhos ao mesmo tempo em que entende o público para quem foi feito.

Isabela Moner como Dora em Dora e a Cidade Perdida (Foto: Reprodução/Paramount Pictures)

Isabela Moner como Dora em Dora e a Cidade Perdida (Foto: Reprodução/Paramount Pictures)

Analisando pelas lentes corretas

Em Dora e a Cidade Perdida (Dora and The Lost City of Gold, 2019), a aventureira Dora (Isabela Moner) cresceu e é enviada para a cidade grande enquanto seus pais (Michael Peña e Eva Longoria) partem em busca da cidade dourada de Parapata.

Sentindo-se deslocada por sempre ter vivido na selva, Dora tenta manter sua personalidade amigável e otimista com todos, a contragosto de Diego (Jeff Wahlberg), seu primo e alguém que sempre teve a cidade grande como habitat natural.

Quando Dora, Diego e os novos amigos Randy (Nicolas Coombe) e Sammy (Madeline Madden) são capturados e enviados à selva por um grupo de mercenários. Eles precisam se unir para encontrar os pais de Dora e desvendar os segredos de Parapata antes que caiam nas mãos erradas.

Você pode até não gostar de filmes de aventura voltados ao público infantil, mas é inegável o talento que as partes envolvidas em produções do gênero têm para compreender as necessidades de sua audiência. É por isso que quando se para pra analisar Dora e a Cidade Perdida, você precisa fazê-lo com as réguas corretas.

Em resumo, não dá para exigir demais de um filme feito para crianças e baseado em uma animação que pedia para você gritar “Raposo, não!” para a tela. Dora e a Cidade Perdida é extremamente simplório em seu desenvolvimento. É um filme que leva os personagens do ponto A ao ponto B com traçados já definidos por anos de produções que fizeram o mesmo.

Logo, você consegue compreender de imediato a função de alguns personagens e os foreshadowings que produções do tipo apresentam. De certa forma, Dora e a Cidade Perdida é um filme bastante autoconsciente, o que torna uma experiência divertida ver como o roteiro reage à própria simplicidade.

O humor se faz presente em muitos momentos e funciona para todos os públicos. Longoria e Peña são deliciosos em tela no papel dos pais de Dora e Moner consegue trabalhar bem a inocência da personagem principal, sabendo reagir bem e de maneira coerente. Coerência que, infelizmente, param na personagem principal.

Eva Longoria, Isabela Moner e Michael Peña em Dora e a Cidade Perdida (Foto: Vince Valitutti/Paramount Pictures)

Eva Longoria, Isabela Moner e Michael Peña em Dora e a Cidade Perdida (Foto: Vince Valitutti/Paramount Pictures)

Dora e a cidade dos potenciais desperdiçados

Não dá pra cobrar demais de Dora e a Cidade Perdida, isso é um fato. Entretanto, existem coisas que poderiam ter sido melhor trabalhadas, sobretudo o elenco de apoio.

Diego é um personagem interessante e com uma curva de aprendizado que vai de encontro ao de Dora e o filme consegue apresentar bem essa jornada. Enquanto isso, Sammy e Randy não fazem muita coisa além de gritar e correr. Sammy ainda tem bons momentos e um paralelismo interessante com as jornadas de Dora e Diego. Enquanto que Randy simplesmente está lá para comentar o que está acontecendo.

Alejandro (Eugenio Derbez), um professor que ajuda Dora e seus amigos, é outro que sofre para ir além de um personagem de uma nota só. Ele consegue ser responsável pela reviravolta mais interessante do filme. Entretanto, é uma reviravolta que não tem muito efeito e tampouco eleva a sensação de perigo. O mesmo acontece com a trupe de mercenários que é simplesmente esquecida, não dá pra temer vilões que não fazem vilanias.

Isabela Moner e Eugenio Derbez em cena de Dora e a Cidade Perdida

Isabela Moner e Eugenio Derbez em cena de Dora e a Cidade Perdida (Foto: Vince Valitutti/Paramount Pictures)

Correndo contra o tempo sem necessidade

De longe, o maior problema em Dora e a Cidade Perdida é na sua edição. Cortes abruptos e fora de ritmo simplesmente acabam com qualquer senso de espacialidade nas sequências de ação. A edição mal trabalhada faz com que a produção soe como uma colagem de esquetes e momentos de uma história que poderia ser maior que suas 1h42min. Ou então que fizessem bom uso do tempo que tem em mãos.

Apesar dos tropeços, Dora e a Cidade Perdida é um filme que diverte e uma boa adaptação live-action do material original. Ele mostra o quanto as partes envolvidas entendem a proposta da animação e que se distanciar disso seria prejudicial à essência do filme. Às vezes manter-se contido e respeitoso às suas raízes faz a aventura ser ainda melhor.

E aí, vai conferir as aventuras de Dora e seus amigos no cinema? Deixe seus comentários!

Dora e a Cidade Perdida (Dora and The Lost City of Gold, 2019)

Dora e a Cidade Perdida (Dora and The Lost City of Gold, 2019)
5,3

Roteiro

5/10

    Atuação

    8/10

      Edição

      3/10

        Trilha Sonora

        6/10

          Fotografia

          6/10

            Pros

            • Boa adaptação do material original
            • Atuações de Moner, Peña e Longoria

            Cons

            • Edição confusa e sem ritmo
            • Personagens secundários mal aproveitados

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