Crítica | Fútil e Inútil

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Independente do que você consome de humor vindo dos Estados Unidos, se você fizer o caminho inverso a fim de buscar as referências que o comediante ou ator se inspirou para o trabalho, você provavelmente encontrará diversos padrões. Claro, o Saturday Night Live é referência nos Estados Unidos e está no ar desde 1975, mas mesmo ele teve muito de sua criação influenciada por um nome: Doug Keeney.

A trajetória de Keeney, criador da revista de humor National Lampoon, foi contada no livro A Futile and Stupid Gesture de Josh Karp e adaptada para os cinemas em Fútil e Inútil, filme que estreou no festival de Sundance e tem distribuição pela Netflix.

Will Forte interpreta Doug Keeney, um recém formado em Harvard que não sabe direito como prossegui com a vida agora que terminou a universidade. Keeney então convence seu amigo Harvey Beard (Domhnall Gleeson)a continuar com a Lampoon, revista de humor que tinham nos tempos de Harvard.

Uma das edições da National Lampoon, a revista circulou de 1970 a 1998 e rendeu programas de rádio, espetáculos teatrais e filmes como "Clube dos Cafajestes" (1978) e "Férias Frustradas de Verão" (1983)

Uma das edições da National Lampoon, a revista circulou de 1970 a 1998 e rendeu programas de rádio, espetáculos teatrais e filmes como “Clube dos Cafajestes” (1978) e “Férias Frustradas de Verão” (1983)

Com a Lampoon alcançando tendo cada vez mais sucesso, a amizade entre os dois fica cada vez mais abalada, principalmente pelos constantes casos extraconjugais de Keeney e o vício em cocaína. Em agosto de 1980, Keeney viajou para o Havaí a fim de se recompor após mais uma confusão causada pelo seus vícios e desapareceu, sendo encontrado morto dias depois após uma suposta queda de um penhasco. Até hoje não se sabe se sua morte foi um acidente ou suicídio. O filme aborda da criação da National Lampoon até a morte de Keeney, enfatizando todo o legado que o comediante trouxe para a cultura americana.

A revista National Lampoon, junto com espetáculos de teatro e programas de rádio, foi responsável por revelar grandes nomes do humor e da indústria do entretenimento como Chevy Chase, Michael O’Donoghue, Gilda Radner, Bill Murray, Harold Ramis, Ivan Reitman, Anne Beatts, John Belushi e Chris Miller.

Foi a Lampoon, inclusive, que abasteceu o elenco do primeiro Saturday Night Live lá em 75, com Chase, O’Donoghue, Radner, Beatts e Belushi. Fato que, de acordo com o filme, atingiu o já abalado emocional de Keeney.

O filme dirigido por David Wain (Wet Hot American Summer) consegue dosar a trajetória tragicômica de Keeney com competência, sabendo a hora de incluir piadas, por mais sério que seja a temática. Entretanto, em diversos momentos o filme desacelera demais em vista de um começo que funcionou muito bem e deixa o resultado final cansativo e inconstante.

Apesar disso, Will Forte faz um excelente trabalho ao compor Keeney entregando bem quando o roteiro pede por algo mais dramático. Apesar do astro ser Forte, Fútil e Inútil ganha muito por trazer boas adaptações dos comediantes dos anos 70/80.

Will Forte e Domhnall Gleeson em cena de Fútil e Inútil, uma história sobre humor mesclada à uma história de amizade

Will Forte e Domhnall Gleeson em cena de Fútil e Inútil, uma história sobre humor mesclada à uma história de amizade

Joel McHale demora a convencer como um Chevy Chase jovem, mas consegue trazer de forma interessante o ícone que Chase é para a comédia americana, apesar de julgar que McHale ganha pontos pela piada interna que é interpretar seu antigo colega de elenco em Community.

Talvez as melhores adaptações fiquem por conta de John Gemberling como John Belushi e Jackie Tohn como Gilda Radner. Os dois atores conseguiram boas interpretações de dois dos mais marcantes comediantes que já passaram pelo Lampoon e pelo SNL.

Apesar de ser um filme relativamente fácil, Fútil e Inútil ganha muito em qualidade se você conhecer o contexto e a importância da saraivada de nomes que citei nos últimos parágrafos. É um filme que se mostra uma grande piada interna ao ver atores de comédia atuais interpretando muitas das referências que eles tem do humor.

A história trágica de Keeney não deixa a produção pesada, ela ainda é uma celebração de tudo que o humor dos anos 70/80 trouxe de bom para a cultura atual. Talvez a grande benção e maldição de Fútil e Inútil é que ele se sustenta mais nos contextos e referências do que no cinema por si só.

No fim, tem-se a impressão que ele não sabe qual caminho seguir. Fútil e Inútil é um filme que ou você conhece a história de antemão antes de assistir pra curtir as referências, ou você detesta o resultado final porque não tinha bagagem para aproveitá-lo como deveria, não existe meio termo.

Já assistiu Fútil e Inútil? O que você achou da adaptação dos grandes comediantes dos anos 80? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

Fútil e Inútil (A Futile and Stupid Gesture, 2018)

Fútil e Inútil (A Futile and Stupid Gesture, 2018)
6,6

Roteiro

6/10

    Atuação

    8/10

      Fotografia

      7/10

        Trilha Sonora

        6/10

          Edição

          6/10

            Pros

            • Celebração de um período de ouro na comédia norte-americana
            • Excelentes atuações e adaptações de personalidades famosas da comédia
            • Boas piadas

            Cons

            • Filme pouco acessível para grandes públicos
            • Desenvolvimento inconstante com momentos de marasmo

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