Crítica | A Grande Jogada

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Aaron Sorkin é um dos maiores nomes da indústria do entretenimento atualmente. Conhecido pelo trabalho em filmes como A Rede Social, Questão de Honra e séries como West Wing e The Newsroom, A Grande Jogada marca a entrada do roteirista na cadeira de direção.

O filme, baseado em uma história real, acompanha Molly Bloom (Jessica Chastain), uma esquiadora profissional que precisa repensar sua vida após um sério acidente. Sem perspectivas na ensolarada Los Angeles, Molly começa a gerenciar jogos de pôquer com participação de celebridades, empresários e ricaços. As apostas alcançando números cada vez mais altos e Molly cada vez mais se aproximando da ilegalidade.

Acusada de operar apostas ilegais, Molly recorre ao advogado Charlie Jaffey (Idris Elba) para traçar uma defesa, tendo que compartilhar com ele muito do que aconteceu de errado durante os anos em que gerenciou a jogatina. A Grande Jogada se desenvolve durante as interações de Molly e Charlie, tendo várias idas e vindas temporais evidenciando o que Sorkin sabe fazer de melhor: diálogos.

Na história real que inspirou o filme, celebridades como Tobey Maguire, Leonardo DiCaprio e Macaulay Culkin participavam dos jogos organizados por Molly Bloom

Na história real que inspirou o filme, celebridades como Tobey Maguire, Leonardo DiCaprio e Macaulay Culkin participavam dos jogos organizados por Molly Bloom

Assim como no pôquer, Sorkin usa a situação dos personagens como se eles estivessem em um jogo. Molly blefa e se segura em muitos momentos como forma de se proteger ou proteger pessoas próximas. Se Molly falar demais, ela escapa das acusações do FBI, mas vai contra seus valores morais de proteger a identidade daqueles que participavam de suas sessões de pôquer.

O caso de Molly foi marcado por muitos julgamentos precipitados e a idealização do que ela é. A Grande Jogada faz bom uso da ideia que as pessoas projetam nela por ser uma figura feminina de poder num ambiente masculino. O jogo de poder é bem explorado no filme, com homens se sentindo atraídos ao mesmo tempo em que se sentem diminuídos pela figura quase que divina idealizada pelos que se envolveram com Molly.

Não são desperdiçadas oportunidades de criticar a forma como os participantes dos jogos de pôquer e do FBI encaram a figura que é Molly Bloom, realmente endereçando essas críticas ao machismo, mas sem escancarar demais. O que melhora consideravelmente o filme, ao saber trabalhar subtextos sem forçar a trama principal para encaixá-los.

Sorkin diz muito com poucas linhas de diálogo, e Chastain faz bom proveito disso ao compor uma personagem interessante e com códigos éticos bem definidos que são postos em conflito com a situação em que Molly se encontra. A dualidade da situação é um prato cheio para Chastain brilhar, sabendo representar sua personagem como um ser tremendamente emocional que se esconde sob a máscara de uma estrategista.

Jessica Chastain e Idris Elba em cena de A Grande Jogada, química em tela patrocinada pelo excelente texto de Aaron Sorkin

Jessica Chastain e Idris Elba em cena de A Grande Jogada, química em tela patrocinada pelo excelente texto de Aaron Sorkin

As máscaras que Molly usa e, eventualmente, vão ao chão são exploradas de forma sutil pelo roteiro que, infelizmente, tem seus problemas. A Grande Jogada exagera nas narrações em off, o que cansa bastante, por mais que a excelência do filme esteja no seu texto.

Outro fator que diminui A Grande Jogada fica na duração do filme, diversos momentos dele poderiam ser cortados com facilidade em prol de um filme mais dinâmico. Toda a existência do personagem de Joe Keery é um bom exemplo de algo que poderia ser cortado, visto que pouco acrescenta à história além de evidenciar o controle e poder que Molly detém sob os participantes dos jogos. Elemento que, além de já ter sido afirmado anteriormente, poderia ter sido trabalhado de outra maneira, sem gastar minutos do filme com isso.

A Grande Aposta se arrasta por 2h19min sem necessidade, apresentando bons diálogos no caminho e atuações competentes por parte de Chastain e Elba, e acertando na edição que minimiza essa lentidão.

Como primeira empreitada de Aaron Sorkin na direção, A Grande Jogada acerta em diversos momentos ao saber contar um história que implorava para ser trazida para o cinema. Apesar dos problemas, Sorkin pode se considerar bem sucedido ao saber contar bem a jornada de Molly Bloom.

Indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, A Grande Jogada tem boas chances de levar o prêmio, ficando atrás apenas do favorito Me Chame pelo Seu Nome.

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A Grande Jogada (Molly's Game, 2017)

A Grande Jogada (Molly's Game, 2017)
7,9

Roteiro

9/10

    Atuação

    10/10

      Fotografia

      8/10

        Trilha Sonora

        6/10

          Edição

          7/10

            Pros

            • Excelente atuação de Chastain e Elba
            • Roteiro bem trabalhado

            Cons

            • Uso excessivo da narração em off
            • Duração extensa sem necessidade
            • Trilha sonora pouco inspirada

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