Crítica| Jumanji: Bem-vindo à Selva

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2017 foi um ano que Hollywood mostrou como curte dar sequência a alguns filmes. Para pegar apenas alguns exemplos, Alien: Covenant, estrelado por Michael Fassbender, deu continuidade à saga que foi iniciada em 1979. Da mesma maneira, Carros 3, da Pixar, deu novos rumos para Relâmpago McQueen.

Aparentemente, 2018 pode seguir o mesmo fluxo. E com um grata surpresa, devo dizer. Quando um novo Jumanji foi anunciado, creio que o sentimento de “para quê?” deva ter pairado na mente de quase todos os fãs do longa de 1995, estrelado por Robin Wiliams e Kirsten Dunst.

E talvez esse tenha sido o melhor cenário possível. Com as expectativas bem baixas em relação a produção, o resultado acabou sendo bem mais satisfatório do que o esperado. Jumanji: Bem-vindo à Selva se mostrou um filme responsável, que soube respeitar a sua origem e, ao mesmo tempo, se atualizar de forma satisfatória.

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Alex Wolff como Spencer, enquanto era “absorvido” para dentro do jogo

O filme começa de forma semelhante ao seu original, onde mostra alguém descobrindo o jogo e sendo mandado para dentro dele. A grande sacada ficou por conta da atualização. Se no filme de 1995 Jumanji era um jogo de tabuleiro, na sua ver de 2018, ele passou a ser um jogo de vídeo game.

Passado o tempo, chegamos até uma escola comum americana, onde os nossos protagonistas se encontraram. Ao melhor estilo Clube dos Cinco, Spencer (Alex Wolff), Fridge (Ser’Darius Blain), Bethany (Madison Iseman) e Martha (Morgan Turner) vão parar da detenção, cada qual por seu motivo. O pequeno grupo formado encarna esteriótipos típicos de filmes. Temos, na sequência citada, o nerd, o esportista, a menina bonita e a inteligente. Apesar do clichê, o grupo funciona para o propósito da história.

Ao cumprirem sua “pena”, o grupo encontra um velho vídeo-game na sala onde estão confinados. E é claro que, entre jogar um vídeo-game e cumprir o castigo, aperta o play e coloca para todo mundo jogar. Aqui, o futuro dentro do filme começa a ser traçado. No jogo, cinco personagens estão disponíveis, para escolha, sendo que um está bloqueado. Por conta disso, que pega o controle escolhe seu jogador.

Spencer então se torna Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), Fridge escolhe Moose Finbar (Kevin Hart), Bethany é Professor Shelly Oberon (Jack Black) e Martha fica com Ruby Roundhouse (Karen Gilan). Cada qual com suas habilidades e fraquezas. Ao tentar iniciar o jogo, o console apresenta uma espécie de curto, fazendo com que os adolescentes tentassem desligar o aparelho. Mas aí já era tarde demais. Que os jogos começassem!

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Dentro do jogo, os jovens são transportados para uma densa floresta, agora na forma de seus personagens escolhidos. Como ele se passa dentro de um vídeo-game, muitas coisas desse universo são transpostados para o filme. A primeira grande sacada do roteiro é a ideia dos NPC’s (nonplayer character), que são personagens que interagem com a história de forma programada, sem que você possa jogar com eles. O primeiro a aparecer é Nigel (Rhys Darby), um guia de Jumanji. Ainda somos recebidos por uma cutscene, que vai mostrar aos jogadores o que acontecera na história.

Nela somo apresentados a história de Professor Van Pelt (Bobby Cannavale), vilão da história. Ele veio em busca do lendário Templo do Jaguar, onde estava localizada a sagrada Joia de Jumanji, sua maior obsessão. Ele dizia que queria documentá-la, mas quando a encontrou, não devolveu mais. Diz a lenda que o jaguar vigia Jumanji e quem ousar cega-lo, será consumido por um poder sombrio. Ven Pelt assumiu o controle de todas as criaturas de Jumanji e uma maldição caiu sobre aquele então terra pacífica. Agora cabe aos jogadores recolocar a joia em seu lugar.

Nestes versos está o objetivo da missão,
Devolvam a jóia e retirem a maldição.
Se quiserem do jogo escapar,
Precisam salvar Jumanji e seu nome gritar.

(l to r) Nick Jonas, Jack Black, Karen Gillan, Dwayne Johnson and Kevin Hart star in JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE.

Aqui a aventura realmente começa. Com o desenrolar da história, nosso grupo de aventureiros perceberão que precisarão tomar cuidados com suas ações, já que cada um conta apenas com três vidas, padrão para jogos eletrônicos antigos. Eles ainda encontrarão outro personagem, Professor Jeffern McDonough (Nick Jonas), o quinto player que estava travado quando os jovens começaram seu jogo.

O filme nem de longe é um suprassumo de produção, mas ele convence na proposta inicial. Ao misturar universos da cultura pop, como filme e jogos eletrônicos, ele encontra brecha para agradar diversos públicos. Ele ainda encontrou espaço para fazer uma crítica à sexualização de personagens femininos no mundo dos vídeo-games.

Outra coisa que é bacana ver é como personalidades dos personagens do jogo e das crianças se misturam. Por mais de uma vez veremos Dwayne Johnson, com quase dois metros e mais de 100 kg, agindo como um “nerdzinho” medroso, ou Jack Black encarnando o espírito de uma uma garota popular. Fora outros momentos clichês de filmes adolescentes.

O ponto negativo do longa fica por conta de seu vilão que, no final das contas, acaba sendo um personagem desnecessário. Se a ideia de um vilão fosse realmente necessária, poderiam ter optado por algo mais convincente. E ele ainda poderia ser um pouco mais curto, já que em alguns momentos em suas quase duas horas de duração, ele acaba ficando repetitivo. Apesar disso, a experiência foi positiva.

Dirigido por Jake Kasdan, Jumanji: Bem-vindo à Selva chega aos cinemas neste final de semana.


Este post só foi possível com a ajuda de André Cabrero e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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