Crítica | O Mundo Sombrio de Sabrina – 1ª temporada

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Há quem tenha Sabrina, Aprendiz de Feiticeira guardada na memória afetiva. A sitcom exibida entre 1996 e 2003 baseada nos quadrinhos da Archie Comics marcou gerações, eu incluso. Não entro na classe da memória afetiva (me chame no eventual remake de Alf, o ETeimoso), mas assisti muito da série quando criança.

Logo, a ideia de um remake da série nunca despertou pessimismo da minha parte. E O Mundo Sombrio de Sabrina (The Chilling Adventures of Sabrina ou, simplesmente, CAOS), desde suas primeiras notícias, nunca quis ser melhor ou idêntica em comparação à série anterior. Forçar tal comparação da minha parte seria, no mínimo, injusto com ambas.

O Mundo Sombrio de Sabrina é baseada no reboot dos quadrinhos realizado em 2015 que trouxe os personagens da Archie Comics para uma estética mais sombria e realista

Sob o comando de Roberto Aguirre-Sacasa (Riverdale, também baseada nos quadrinhos da Archie Comics) e com dedo do faz-tudo Greg Berlanti na produção, CAOS acompanha Sabrina Spellman (Kiernan Shipka), filha de um bruxo com uma mortal.

Com a morte dos pais quando criança, Sabrina vive com suas tias, Hilda (Lucy Davis) e Zelda (Miranda Otto), e seu primo, Ambrose (Chance Perdomo). Na iminência de seu aniversário de dezesseis anos, Sabrina precisa escolher entre se dedicar à arte das trevas e os objetivos escusos do capeta em pessoa ou viver sua vida humana ao lado dos amigos e namorado.

Com uma atmosfera bem mais sombria que a série de 1996, O Mundo Sombrio de Sabrina consegue trabalhar bem a dualidade entre a vida humana e bruxa da personagem. Não apenas isso, a série sabe trabalhar bem toda uma gama de gêneros ao longo dos seus dez episódios.

Sra. Wardwell (Gomez), Susie (Watson), Roz (Sinclair), Sabrina (Shipka) e Harvey (Lynch)

Sra. Wardwell (Gomez), Susie (Watson), Roz (Sinclair), Sabrina (Shipka) e Harvey (Lynch)

Talvez a única comparação justa que possa ser feita seja com a sua série “irmã”, Riverdale. E digo que CAOS é bem mais eficaz que a série da CW ao caminhar por entre gêneros. O humor em Chilling Adventures of Sabrina funciona tão bem quanto o drama, terror ou suspense. Apresentando doses certeiras e inusitadas sempre que possível.

Entretanto, a série sofre dos males da Netflix ao ter uma barriga no meio da temporada e em alguns plots secundários que prejudicam o ritmo da série. Alguns plots da vida humana da Sabrina e seus amigos no começo da temporada pareciam servir apenas para preencher espaço enquanto que o quinto, sexto e sétimo episódio pouco acrescentam à trama. Ainda são episódios divertidos por si só, mas é o filler que prejudica a maratona.

Definitivamente, a série sofre em trazer relevância para seus personagens humanos. Conceitualmente, Susie (Lachlan Watson), Roz (Jay Sinclair) e Harvey (Ross Lynch) são bons personagens, mas que ficam deslocados na série. Dos três, Susie é a que mais sofre com um plot desinteressante envolvendo fantasmas de descendentes passados.

Harvey ainda tem a vantagem de ser o interesse amoroso de Sabrina, mas ele é um personagem tão idealizado na questão de bom moço que qualquer perspectiva de vê-lo se desenvolver como figura ativa cai por terra em diversos momentos. Roz talvez seja a mais redonda desse núcleo fora de sintonia com o resto da série, mas ela fica restrita mais a um potencial futuro do que algo ativamente útil para essa primeira temporada.

Por outro lado, o núcleo bruxo da série funciona pelos excelentes Ambrose, Zelda e Hilda. Cada um representa os potenciais e desvantagens à frente de Sabrina se ela assumir de vez sua vida bruxa.

Sabrina (Shipka) e  suas tias, Hilda (Davis) e Zelda (Otto). Diversas faces de um só universo

Sabrina (Shipka) e suas tias, Hilda (Davis) e Zelda (Otto). Diversas faces de um só universo

Ambrose é um personagem fabricado para ser o favorito dos fãs por conta de sua sagacidade e sensualidade. Ele traz à Sabrina o potencial de viver a vida ao máximo, tirando proveito dos poderes que tem. Essa personalidade de Ambrose amplia em muito os subtextos da série sendo que ele precisa lidar com — e ensinar Sabrina — as consequências de uma vida libertina.

Suas tias refletem a devoção, com Zelda sendo a mais fervorosa. A personagem composta por Miranda Otto tem um bom desenvolvimento ao longo da temporada amolecendo conforme Sabrina se coloca em perigos. Hilda também explora a devoção numa escala menor, mostrando os problemas de ser devota: acabar sob a sombra dos outros.

Todos esses personagens — mais a excelente Sra. Wardwell de Michelle Gomez — orbitam ao redor de Sabrina e conseguem fazer uma personagem com um desenvolvimento interessante. Me incomoda um pouco a aparente ingenuidade da moça em diversos momentos ao longo dos episódios e isso, junto da sorte que ela tem de escapar de situações complicadas, mostra que o roteiro às vezes força resoluções apenas para encaixar melhor as peças no tabuleiro, correndo o risco de soar incoerente.

Com alguns tropeços no caminho e pontos a serem melhorados numa vindoura segunda temporada, O Mundo Sombrio de Sabrina cumpre sua proposta de forma divertida e honesta.

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