Crítica | O Pacote

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A qualidade do cinema besteirol adolescente é algo extremamente subjetivo. Há quem veja filmes como American Pie e cults como o Clube dos Cafajestes de 1978 como retratos da excelência cômica de uma geração, mas também existem aqueles que veem neles filmes pobres e sem conteúdo. Talvez por isso que O Pacote, filme da Netflix, me soa tão intrigante aos olhos.

Dirigido por Jake Szymanski (Os Caça-Noivas), o filme acompanha Sean (Daniel Dolheny), Jeremy (Eduardo Franco) e Donnie (Luke Spencer Roberts), três amigos que partem para um tradicional acampamento regado à muita bebedeira.

Os planos de curtir a farra começam a desandar quando Jeremy convida sua irmã, Becky (Geraldine Viswanathan), pela qual Sean tem uma paixonite (me recuso a usar o termo “crush” quando a gente tem “paixonite” na língua portuguesa), e Sarah (Sadie Calvano), ex-namorada de Donnie.

Sean está prestes a partir para um intercâmbio na Alemanha, então o acampamento seria a última chance que teria de se acertar com Becky.

As coisas dão errado quando Jeremy sofre um peculiar (e doloroso) acidente e seus amigos precisam correr contra o tempo para salvar as… partes do amigo (associe o termo “partes” com o nome do filme e você entenderá que tipo de acidente o personagem sofreu).

E é na premissa absurda que rege o cinema besteirol que O Pacote tem pontos a seu favor. É aquele humor que se via em American Pie ou Todo Mundo em Pânico atualizado para os dias atuais.

Para o bem ou para o mal, O Pacote deposita grande parte de sua graça em seus personagens reagindo aos absurdos da trama.

Para o bem ou para o mal, O Pacote deposita grande parte de sua graça em seus personagens reagindo aos absurdos da trama.

Não dá para exigir algo muito sério de O Pacote, é um filme que desliga seu cérebro pelos absurdos elevados à décima potência. Claro, ele garante sinceras risadas pela boa química entre seus personagens e um texto bem feito com inspiração nos eufemismos de quinta série acerca de genitálias.

Entretanto, O Pacote não faz um bom trabalho com os clichês do gênero. Não há nada de errado num filme que se apóia neles, mas é preciso que haja alguma novidade na forma de abordá-los, coisa que ele não fez.

É de regra toda comédia besteirol ter algum personagem infantil boca suja, tudo na tentativa de subverter a ideia de crianças como sendo fofas e inocentes. O pacote tenta brincar com isso, mas depois que você vê isso pela décima quinta vez no cinema, a piada não tem o mesmo efeito.

Ou o clichê do atendente de posto de gasolina veterano de guerra que saca uma arma lao perceber estar sendo enganado pelo grupinho de adolescentes, que escapam incólumes do confronto após uma saraivada de gritos agudos acompanhados de uma trilha sonora animadinha de rock.

O Pacote não faz nada além da cartilha “filme besteirol adolescente” e isso é um ponto negativo para ele, justamente porque tinha potencial para fazer um melhor uso de sua premissa absurda.

Ou talvez esteja cobrando demais de um filme fabricado justamente para apresentar o que se espera dele. Como disse antes, é um filme para desligar o cérebro, principalmente se você tem 16 anos.

O que você achou da comédia besteirol de O Pacote? Qual é seu filme favorito do gênero? Deixe seus comentários!


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O Pacote (The Package, 2018)

O Pacote (The Package, 2018)
5

Roteiro

3/10

    Atuação

    6/10

      Edição

      5/10

        Trilha Sonora

        7/10

          Fotografia

          4/10

            Pros

            • Boa química entre personagens

            Cons

            • Clichês do gênero apresentados sem nenhuma novidade
            • Reviravoltas previsíveis

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