Crítica | Predadores Assassinos

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Filmes que lidam com o confronto entre o homem e criaturas selvagens com sede de sangue não são novidade. Tubarão (Jaws, 1975) talvez seja o mais famoso deles ou o nem tão recente A Perseguição (The Grey), de 2011. Logo, Predadores Assassinos (Crawl, 2019) não traz nada de novo para um gênero já explorado, mas isso não quer dizer que o filme é um festival de situações previsíveis.

Predadores Assassinos é, por mais protocolar que pareça, um filme extremamente bem executado.

Dirigido por Alexandre Aja (Piranha 3D) e com produção de Sam Raimi (Uma Noite Alucinante e a trilogia Homem-Aranha do Tobey Maguire), o filme é um terror ambientado durante um furacão categoria 5 atingindo uma cidade da Flórida. Haley (Kaya Scodelario), uma nadadora, decide ignorar os pedidos para evacuar a cidade e retorna à casa onde morou durante a infância para ver se está tudo bem com seu pai, Dave (Barry Pepper), que não atende as ligações e tem uma relação atribulada com a filha após um divórcio conturbado.

Kaya Scodelario em cena de Predadores Assassinos (Paramount Pictures/Divulgação)

Kaya Scodelario em cena de Predadores Assassinos (Foto: Paramount Pictures/Divulgação)

Com o nível da água subindo rapidamente, ela se vê presa junto com o pai em um porão infestado de crocodilos. Nessa situação extrema (e um tanto absurda), os dois precisam enfrentar as diferenças se quiserem sair vivos dali.

Pesquisando sobre o filme, é interessante descobrir que ele foi ligeiramente (BEM ligeiramente) inspirado numa preocupação real de autoridades americanas de ataques de crocodilos por conta de tempestades. Em 2018, diversos animais foram vistos no perímetro urbano por conta da tempestade Florence que afetou o estado da Flórida. Talvez a premissa de Predadores Assassinos não seja tão absurda assim, só elevada à centésima potência.

O ponto positivo é que a premissa peculiar é bem conduzida pelos dois protagonistas. Scodelario e Pepper tem boa química em tela e trabalham bem um roteiro simples e que se propõe a trabalhar bem a relação entre os dois. Há quem diga que Predadores Assassinos acaba se levando à sério demais para um filme que desafia muito a realidade (Haley nada mais rápido que um crocodilo que consegue alcançar cerca de 32km/h embaixo d’água, algo humanamente impossível), e eu sou em parte simpático a esse pensamento.

O filme tenta apresentar uma profundidade de temas quando o que a gente mais quer ver são humanos sendo devorados por crocodilos. E o que é apresentado soa expositivo demais, principalmente nos primeiros quinze minutos de tela constituído de flashbacks da relação entre pai e filha e personagens repetindo informações que eles já sabem.

Um homem, ferido, carrega um cachorro no colo acompanhado de uma mulher, sua filha, também levemente ferida. estão num cenário externo sob forte chuva com água cobrindo-os até a cintura.

Barry Pepper, o cachorrinho Cso-Cso e Kaya Scodelario em cena de Predadores Assassinos (Foto: Paramount Pictiures/Divulgação)

Entretanto, foi uma apresentação necessária para que possamos ter o mínimo de identificação com personagens que precisam sustentar 1h27min de filme. Pode ter deixado o tom do filme sério demais em contraponto à premissa espalhafatosa? Talvez, mas é mais válido ver um filme cheio de clichês que ao menos tentam estabelecer algum nível de identificação com seus personagens principais do que apenas pedaços de carne ambulantes pedindo para serem devorados.

Penso que Predadores Assassinos conseguiu equilibrar bem seu tom. Tem sua seriedade ao mesmo tempo em que é consciente de suas limitações e incongruências e se permite brincar com elas sempre que possível.

Um ponto que talvez tenha prejudicado o filme foi o uso excessivo de computação gráfica para apresentar os crocodilos. O uso de efeitos práticos ajudaria a produção a elevar seus elementos de tensão e horror. Um pequeno preciosismo que faria muita diferença.

Predadores Assassinos faz muito com uma premissa simples. Consegue ser divertido na medida certa, oferece bons sustos e faz bom uso do carisma de Kaya Scodelario, Barry Pepper e do doguinho Cso-Cso (apelidado no filme de Sugar). Convenhamos, não dá pra cobrar muita coisa do filme além disso. Ainda bem que ele cumpre o que promete!

Já assistiu Predadores Assassinos? Conta nos comentários o que você achou do filme!

 

Predadores Assassinos (Crawl, 2019)

Predadores Assassinos (Crawl, 2019)
5,8

Roteiro

5/10

    Atuação

    8/10

      Edição

      7/10

        Trilha Sonora

        4/10

          Fotografia

          5/10

            Pros

            • Boas atuações
            • Sequências de ação bem executadas
            • Sustos eficientes
            • Uso inteligente do gore

            Cons

            • Diálogos expositivos e clichês
            • Uso excessivo de CGI
            • Incongruências com a realidade

            Comentários

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