Crítica | Star Wars – Os Últimos Jedi

Navegar por...

Quando O Despertar da Força estreou em dezembro de 2015, a animação em ver um novo Star Wars no cinema depois de anos era algo palpável. Algo semelhante, em escala menor, aconteceu com Rogue One. Entretanto, quanto mais contato você tem com Star Wars, mais você nota seus tropeços. Talvez esse seja o caso de Os Últimos Jedi.

Dirigido por Rian Johnson (Looper: Assassinos do Futuro), o filme começa de onde  O Despertar da Força parou, com Kylo Ren (Adam Driver) perseguindo a Resistência enquanto busca compreender o que matar seu próprio pai no filme anterior significa para ele. Enquanto isso, Rey (Daisy Ridley) tenta convencer um relutante Luke Skywalker (Mark Hamill) a treiná-la nas artes Jedi.

Ainda temos Finn (John Boyega) compreendendo seu lugar na Resistência em um plano para atrasar o avanço de Kylo Ren e Poe (Oscar Isaac) em um confronto ideológico com a Almirante Holdo (Laura Dern) sobre como enfrentar a Primeira Ordem.

E dessa maneira, pormenorizando a jornada de cada um dos seus personagens principais, que Os Últimos Jedi traz dimensões interessantes para a franquia, mas com seus problemas na execução.

Mark Hamill

Mark Hamill

Fragmentar para poder explorar

A escolha por fragmentar seus núcleos permitiu uma maior exploração dos personagens da saga e rendeu bons momentos. É interessante ver como Kylo Ren se comporta, tornando-se um vilão impulsivo, que vê a oportunidade de vencer e a pega, sem medir maiores estratégias. Isso fica evidente no jogo de poder que o personagem tem com o General Hux (Domhnall Gleeson) e Snoke (Andy Serkis).

O mesmo vale para o que foi apresentado de Poe Dameron nesse filme. Tanto ele quanto Finn agregam ao que representa a Resistência e como a linha entre vilões e mocinhos depende de pontos de vista em muitos momentos, algo já explorado em Rogue One. Entretanto, ao passo que o plot envolvendo Poe é interessante (principalmente pela química entre Oscar Isaac e Laura Dern), Finn apresenta um dos momentos mais enfadonhos do filme.

Toda a trama envolvendo Canto Bight tem momentos divertidos e uma crítica social ao que a guerra faz com as pessoas, mas gasta-se tempo de tela demais com ela sendo que não agrega muito à trama principal. Os Últimos Jedi parece um filme sem foco, ainda é tudo muito bem feito e divertido, mas sem foco aparente.

Adam Driver

Adam Driver

Nessa falta de foco, aposta-se numa sucessão interminável de idas e vindas para atualizar o andamento da jornada dos personagens. Tornando tudo cansativo em diversos momentos graças às extensas duas horas e meia de filme que poderiam ter, talvez, quinze minutos a menos.

Rian Johnson sobrecarrega Os Últimos Jedi de variáveis e muita coisa fica perdida no meio do caminho. A conexão entre Rey e Kylo através da Força perde a graça ao longo do filme (juro que senti uma tensão sexual, dá calafrios só de pensar essa possibilidade) e personagens como a Capitã Phasma (Gwendoline Christie), desperdiçada no filme anterior, ressurgem apenas para evidenciar seu desperdício.

Nada tão horrendo quanto o personagem de Benicio Del Toro, que emula um Lando Calrissian no quesito “cafajeste que só quer lucrar”, mas fica perdido na confusão de tramas desnecessárias que envolvem Finn e Rose (Kelly Marie Tran).

Outro aspecto que reflete os problemas de vai e vem excessivo do filme está na própria presença de uma Millenium Falcon vestida de Deus Ex Machina em diversos momentos do clímax. A sensação de que pontos de contato entre as subtramas ficaram perdidas na sala de edição é ressaltada principalmente pela Falcon, que aparece e desaparece quando o roteiro pede. Outros elementos do filme também mostram algumas decisões tomadas apenas por conveniência do roteiro, mas a Falcon Ex Machina é a mais evidente.

Kelly Marie Tran e John Boyega

Kelly Marie Tran e John Boyega

Aí sim a Força nos surpreendeu novamente

O ponto positivo do excesso de variáveis é que elas rendem competentes reviravoltas. Se O Despertar da Força sustentou-se na nostalgia, Os Últimos Jedi apresentou reviravoltas que fazem vibrar do fã mais fervoroso até o espectador mais desavisado.

São reviravoltas plausíveis e que condizem com as motivações dos personagens que as protagonizam, mas que residem apenas no adiamento das resoluções. É o tipo de reviravolta que você fala “Vai morrer… ih, não morreu”. É um artifício bom para o filme e o torna mais divertido ao construir bem seus elementos de tensão.

A longo prazo, questiono essas reviravoltas que adiam resoluções. Afinal, quanto mais você adia, mais necessária é uma resolução à altura da sua construção.

Diferente em tom com relação a todos os outros filmes da saga, Os Últimos Jedi tem tropeços narrativos em contraponto acertos que aquecem o coração do fã. Tudo é tão bem executado tecnicamente que até os problemas do filme são melhores que muitos acertos cometidos por outros blockbusters.

Retornando ao que disse no começo dessa crítica, o problema em Os Últimos Jedi talvez seja pela presença massiva de Star Wars na mídia. Nós, como fãs, relevamos muitos problemas da franquia pelo fato de sermos fãs, por enquanto. Quanto mais tempo passamos com esse universo, mais sentimos suas falhas, coisas semelhantes acontecem com o cinema de herói. A pergunta que fica é: quanto Star Wars é Star Wars demais?

Quais são suas teorias sobre o futuro da saga após Os Últimos Jedi? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marielne Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Star Wars - Os Últimos Jedi (Star Wars - The Last Jedi, 2017)

Star Wars - Os Últimos Jedi (Star Wars - The Last Jedi, 2017)
8,6

Roteiro

7/10

    Atuação

    9/10

      Fotografia

      10/10

        Trilha Sonora

        10/10

          Edição

          7/10

            Pros

            • Maior exploração das motivações e jornadas dos personagens
            • Fotografia impecável
            • Bom elemento de tensão e reviravoltas coesas

            Cons

            • Duração acima do necessário
            • Subtramas sem necessidade para a trama principal
            • Personagens mal aproveitados e/ou mal construídos

            Comentários

            comentário(s)