‘Tomb Raider – A Origem’ não quebra a maldição de filmes baseados em jogos

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Fazer um filme baseado baseado em um jogo de vídeo-game nunca vai ser uma tarefa fácil. Por mais que o jogo te dê todo um background de história, são mídias completamente distintas. Para o cinema é necessário uma adaptação de trama que se encaixe num contexto coerente dos jogos, fora a necessidade de tirar o jogador do papel de ativo e passá-lo para o passivo.

Diversos títulos já tentaram isso e acabaram falhando muito. Já aconteceu com Mortal Kombat, Warcraft, Assassin’s Creed, Super Mário e por aí vai. E de todas essas franquias, a de Tomb Raider é a que mais insiste nas adaptações, mesmo não acertando a mão no tom de seus filmes.

Essa não foi a primeira e nem a segunda vez que Tomb Raider veio aos cinemas. E, muito provavelmente, também não será a última. Apesar dos problemas, o filme, agora estrelado por Alicia Vikander tem potencial de crescimento, apesar de ter falhado no seu filme de origem.

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Como o próprio nome já diz, Tomb Raider – A Origem, vai contar os primeiros passos de Lara Croft em suas aventuras. Já de cara, o filme ganha pontos positivos por mostrar uma Lara mais acessível do que a que era interpretada por Angelina Jolie nos filmes de 2001 e 2003. Aqui, a protagonista apresenta zero apelação sexual de sua personagem, focando mais em suas atitudes e em sua cabeça do que eu seu corpo.

Lara, então com 21 anos, tenta esconder ao máximo sua verdadeira história. Filha do explorador Richard Croft (Dominic West), ela abre mão de seu passado após o desaparecimento de seu pai. Por conta disso, é normal que o roteiro dê a solução óbvia de mostrar uma protagonista com dificuldades financeiras, mas que abre mão do império deixado por Richard.

Ao ter que encarar a realidade que ela tentou deixar para trás, um pertence deixado por seu pai começa mudar a história. Com uma espécie de quebra-cabeça japonês, Richard deixa uma pista para Lara, para que ela possa saber o que ele realmente fazia e qual havia sido sua última missão antes do desaparecimento, intitulada Projeto Himiko.

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Alicia e Walton tem boas cenas de embate ao longo do filme

Ao ficar a par de tudo, ela resolve ir contra a vontade do pai e parte rumo ao desconhecido para tentar saber o que realmente aconteceu com ele. Para isso ela vai até uma ilha na costa japonesa chamada Yamatai, que fica dentro do Mar do Diabo. Com esse nome, coisa boa não é.

Para auxiliá-la nesse missão, ela contara com a ajuda torta de Lu Ren (Daniel Wu). Ao desenrolar da trama, descobrimos que ambos tem semelhanças em suas histórias, o que causa uma ligação entre ambos.

Chegando na ilha, Lara se depara com um cenário inesperado que é comandado por Matthias Vogel (Walton Goggins), o antagonista da história. Não era apenas o pai de Lara que estava atrás da lenda de Himiko. E é claro que Vogel não pretendia isar o mito para o lado do bem.

Em determinada parte do filme, cabe a Lara solucionar uma série de puzzles que, apesar da obviedade, são necessários para dar continuidade ao filme

Em determinada parte do filme, cabe a Lara solucionar uma série de puzzles que, apesar da obviedade, são necessários para dar continuidade ao roteiro

Qualquer coisa que eu tente ir além disso por soar como spoiler. Por mais que o filme não tenha me agradado tanto, não sou eu que vou estragar a sua experiência cinematográfica.

A melhor parte de Tomb Rider – A Origem, é que ele deixa um bom gancho para uma eventual continuação. Se bem trabalhado, essa segunda parte tem tudo para ser melhor que o atual filme. O roteiro de Tomb Raider começa bem, apresentando o início da jornada da heroína, alternando sua realidade com flashbacks.

O primeiro arco do filme, justamente esse de origem, é o que mais agrada ao longo da trama. Tudo que é mostrado ali vai ser justificado mais para frente do filme. O problema é que, depois disso, a história desanda.

Baseado no jogo de 2013, ele tem momentos de Lara Croft, como é mostrado no game. O problema é que o roteiro se perde com o passar do tempo. Digo até que ele chega a ser preguiçoso pela quantidade de decisões óbvias que são tomadas. Você vê a cena e é quase instintivo saber o que vai acontecer dali poucos segundo. Ele é cheio de momentos “quer ver que ela vai fazer isso? Olha lá, ela fez”

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O grande ponto negativo do filme fica por conta da atuação Walton Goggins ao interpretar Matthias Vogel, um dos vilões mais chatos que eu já vi no cinema. O personagem é totalmente blasé e pouco acrescenta para a história. Pouco tempo depois de sua aparição, você passa grande parte do tempo torcendo para que ele se dê mal. Não porque ele é um vilão, mas porque ele é um porre.

Por outro lado, a atuação de Alicia Vikander merece os parabéns. Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por A Garota Dinamarquesa, ela é praticamente a única coisa que se salva no filme.Com sua força, ela passa a impressão de uma heroína totalmente realística, por mais que o roteiro queira ir para um outro lado.

A parte técnica do filme também é digna de felicitações. Ele consegue causar imersão pelo jogo de câmeras que foi utilizado ao longo do filme, desde planos abertos até os closes. A parte da efeitos especiais manda muito bem, principalmente em uma cena de tormenta. Ela termina cheia de auê, mas seu desenrolar faz valer a pena.

Vá aos cinemas com a expectativa baixa, talvez sua experiência seja melhor que a minha. Tomb Raider – A Origem chegou essa semana aos cinemas do Brasil. O longa é dirigido pela dinamarquês Roar Uthaug e protagonizado por Alicia Vikander.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

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