Da ficção para a realidade – o mundo do cosplay

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Posso te fazer uma pergunta? O que te leva a gostar de uma obra ficcional?

A história contada? Os atores que ali estão? A trilha sonora? Os gráficos? Tá, eu sei que são muitas perguntas, mas tudo tem um propósito. Pensando em tudo isso, lanço uma outra pergunta: quão importante um personagem é para fazer algo cair no gosto da galera?

Isso mesmo, o personagem. Todo mundo aqui deve ter algum predileto. Aquele que, se não fosse por ele, a história não seria a mesma coisa. Star Wars não seria tão bom sem Darth Vader. Assassin’s Creed não teria tão interessante se não tivéssemos tido o Ézio Auditore. E o que seria dos Simpsons sem o Homer?

E existem diversos motivos para tomarmos gosto por um personagem. Ele nos faz rir, chorar, ficar apreensivos e, até mesmo odiá-los. E o legal que muitas pessoas dão um passo além nessa paixão, a ponto de interpretá-los de alguma maneira. E assim surgiram os cosplayers.

Cosplayer dá a vida de Ciri, personagem de Gwent (Foto - Lucas Cabrero)

Cosplayer dá a vida de Ciri, personagem de Gwent (Foto – Lucas Cabrero)

Para quem não sabe, cosplay é uma abreviação de costume play. Costume é traje, enquanto play, neste caso, dá a ideia de atuação. O ideal de um cosplayer é escolher um personagem e, consequentemente, se transformar nele. Além da vestimenta, a galera também incorpora falas e trejeitos, tudo para ser o mais fiel possível.

Reza a lenda que a prática teve início no final dos anos de 1930, na primeira edição da The World Science Fiction Conventiona Worldcon. Naquela oportunidade  Forrest Ackerman e Myrtle R. usaram, pela primeira, trajes inspirados em alguma coisa durante um evento.

Ackerman usou uma vestimenta de “future costume”, imaginando como seria uma roupa de um cidadão do futuro. Já Myrtle criou um vestido baseado no filme britânico de ficção científica Things to Come, de 1936, escrito por H. G. Wells e Lajos Biro e que teve a direção de William Cameron Menzies. No Brasil, o filme veio com o nome de Daqui a Cem Anos.

Desde então, a prática se tornou cada vez mais comum. Em toda feira voltada para o público de cultura pop, é possível ver cosplayers por todos os lados. E sempre um mais incrementado que o outro. A fidelidade que alguns conseguem é impressionante, devo dizer.

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Na BGS 2017, entre vários personagens, Letícia também apareceu como D.Va, de Overwatch (Foto: Lucas Cabrero)

E para que você conheça um pouco mais sobre a prática, batemos um papo com Letícia Pereira, de 22 anos. A estudante de engenharia civil veio direto de Salvador, Bahia, para dar vida a diversos personagens, como Lara Croft, personagem principal da franquia Tomb Raider e D.Va, do game Overwatch.

Junta 7.: O que te levou para esse mundo?

Letícia Pereira.: Eu sempre gostei muito de filmes e ir para eventos desde pequena. Meu atual namorado me apresentou a video-games e começamos a gostar juntos do mundo geek em geral. Até que programamos uma viagem pra CCXP (ComicCon Experience) e resolvemos fazer o cosplay do Joker e da Harley (Quinn, ambos do filme Esquadrão Suicida, de 2016) pro evento.

J7.: Quando foi que você começou a fazer cosplay? E qual o seu primeiro personagem?

LP.: Meu primeiro cosplay foi na CCXP 2015 e a predileta é a Arlequina.

J7.: Qual tipo de personagem que você gosta de trazer para o mundo real?

LP.: O personagem que gosto de trazer para o mundo real varia muito do que estou gostando. Eu gosto de muitas coisas diferentes, em momentos diferentes. Então tem personagem de me animo muito e faço. Não tem um critério.

O que muitas vezes define é a dificuldade e se tenho como fazer. Por exemplo, eu não tenho maquina de costura, então personagens que usem apenas tecido já é mais difícil.

J7.: De todos os cosplays que você já fez, qual o seu preferido e por que?

LP.: O meu preferido ate hoje é a Arlequina. Talvez não pela personagem em si, mas pelo momento. Meu primeiro cosplay foi na CCXP, como falei. E o filme não tinha saído ainda. O hype estava grande e as pessoas adoraram.

Eu não fazia ideia de como era estar em um evento desse porte de cosplay. E foi uma experiência maravilhosa. Além de que pude fazer com meu namorado, o que foi ótimo também.

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Letícia como Harley Quinn, a Arlequina, de Esquadrão Suicida, durante da CCXP 2015 (Foto – Amanda Café)

J7.: Qual é o seu critério para escolher um personagem para efetuar a sua versão em real life?

LP.: Meu primeiro critério pra escolher um personagem é gostar dele (risos) obviamente. Mas daí eu considero custo, tempo, se eu sei fazer tudo, se posso aprender. Tudo isso.

J7.: Tem algum personagem que você quer/queria muito fazer, mas acabou desistindo porque precisaria de muito dinheiro e/ou tempo para realizá-lo?

LP.: Eu tinha em mente fazer Aloy, de Horizon Zero Down para esse ano. Uma das skins dela. Mas tive que desistir dela porque não iria ter tempo, principalmente. E também pelo custo.

As poucas pessoas que eu vi que fizeram (o cosplay) utilizaram peças de impressora 3D e tal. E eu não teria acesso e dinheiro pra isso, então teria que improvisar com outros materiais. O que significa mais tempo ainda.

J7.: Em média, para ser um cosplayer, precisa muito dinheiro?

LP.: Sim, ser cosplayer demanda dinheiro. Mas dependendo do cosplay, dá pra reaproveitar coisas que você já tem. Sem dinheiro, você acaba ficando um pouco limitado, mas dá pra se aventurar.

J7.: Quais as maiores dificuldades de se fazer um cosplay? E nas feiras, é algo tranquilo ou também se passa muito perrengue para entrar no personagem?

LP.: Cada cosplay tem sua dificuldade diferente. Uma parte é quando você empaca e fica tipo: que porra eu faço agora?! Mas uma coisa em geral é o dinheiro mesmo. E eu nunca tive nenhum problema em feiras. No máximo uma maquiadora mal humorada, que fez a maquiagem errada. Mas não foi nada demais.

Em outro cosplay, Letícia interpretou a versão feminina de Reaper, do jogo Overwatch

Em outro cosplay, Letícia interpretou a versão feminina de Reaper, do jogo Overwatch

J7.: Como você percebe a reação da galera com o seu trabalho?

Muita gente não entende ou acha meio estranho. Por que gastar dinheiro nisso? Tem gente que gosta de gastar com sapatos ou relógio. Eu gosto disso. Mas é diferente do que as pessoas tão acostumadas. Mas ninguém nunca falou nada ruim para mim. Não sei por trás…

J7.: E nas feiras, como que é a interação com o pessoal? Eles pedem para tirar foto, chegam para conversar ou finge que não viram?

Em feiras maiores, como a CCXP, a galera interage bastante sim. Aqui em Salvador, não tanto quanto, mas interage também. Mas várias pessoas já me falaram “ah, te vi sei lá onde mas fiquei com vergonha de pedir pra tirar foto“.

J7.: Você já sofreu algum tipo de assédio enquanto fazia um cosplay?

LP.: Nunca sofri nenhum assédio. A não ser hater no Instagram. Mas sempre que saio de cosplay, estou com meu namorado. Acho que isso influencia as pessoas respeitam mais. Infelizmente

J7.: Tem alguma dica para quem quiser começar a fazer cosplay?

Primeiro é não ter medo de fazer nenhum personagem. Fazer o que gosta é sempre mais divertido. Segundo, o primeiro cosplay nunca vai ficar perfeito. Você pega o jeito com o tempo. E a evolução é muito legal. Então o importante mesmo é se divertir por que isso que vai te dar vontade de continuar e fazer melhores. Terceiro, a internet é sua melhor amiga. Sempre tem alguém dando dicas e postando vídeos. Então o primeiro passo pra fazer cosplay é pesquisar.

Caso você queira acompanhar mais o trabalho da Letícia, vale a a pena segui seu Instagram.

Ela e muitos outros cosplayers estarão aqui na Brasil Game Show, que rola até o dia 15 de outubro. Você poderá conhecê-los na Cosplay Zone Kinoplex, que além de sessões de foto, irá promover desfiles com importantes figuras do mundo dos games.

No dia 13, sexta-feira, o desfile começa às 17h30 e terá Hideo Kojima, criador da série Metal Gear como jurado. No sábado, dia 14, é a vez de Nolan Bushnell, criador do Atari, julgar os cosplayers. O concurso começa às 15h.

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