A décima temporada de Doctor Who: um fim e um recomeço

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Eu demorei bastante para começar a escrever este texto que comenta o retorno de Doctor Who. E os motivos para tamanha demora pouco tem a ver com preguiça ou falta do que escrever, mas sim o fato de que sempre vi Doctor Who como uma obra complexa demais para ser analisada a partir de um episódio apenas.

Agora, com três episódios da décima temporada exibidos e devidamente assistidos (palmas para o Syfy que exibe a série no Brasil um dia depois da exibição lá fora), é possível pensar algumas das mudanças, erros e acertos desse retorno que representa o início de um fim.

Pra quem não conhece, Doctor Who acompanha as aventuras do Doutor (Peter Capaldi), o último dos Senhores do Tempo, pelo espaço tempo dentro da TARDIS, uma espaçonave que é maior por dentro.

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Ao longo dos mais de 50 anos de história, Doctor Who teve diversos interpretes do Doutor (graças à habilidade dele de se regenerar quando próximo da morte) e uma quantidade sem fim de companions, vilões e personagens secundários. Nesse 10º ano, Peter Capaldi continua a vestir o manto do Doutor pela terceira vez e tem como companion a recém chegada Bill (Pearl Mackie).

Entretanto, essa nova temporada também marca a despedida de Peter Capaldi no papel do Doutor além da partida de Steven Moffat do cargo de showrunner da série.

Essa décima temporada levanta várias questões: como o Doutor do Capaldi partirá? Quem substituirá Capaldi no papel do Doutor? O que Steven Moffat reservou de surpresas para sua última temporada no comando da série?

Some toda essa aura de incerteza com a introdução de uma nova companion e teremos a receita do sucesso, ou do fracasso. Para a sorte de Doctor Who, algo que não esteve ao seu favor na esquecível 9ª temporada, ela conseguiu ter sucesso, por enquanto.

As incertezas sobre quais rumos a série pretende tomar deu um frescor mais do que necessário para Doctor Who. Steven Moffat foi responsável por popularizar ainda mais Doctor Who, mas a série nos últimos anos sofreu com incontáveis repetições, arcos e mistérios desinteressantes criados por ele.

O maior problema de Moffat foi insistir demais em personagens que já deram o que tinham que dar para a série, resultado foi um excesso de aparições de River Song, Silêncio, Weeping Angels, Missy, Danny Pink, Clara, Eu (a personagem da Maisie Williams, não “eu”), Madame Vastra, etc. Doctor Who ficou inchada, poluída sem necessidade.

A estreia da 10ª temporada deu uma bela de uma limpada nesses excessos ao focar apenas nas interações ente Doutor, Bill, Nardole (Matt Lucas) e o misterioso habitante de um cofre que o Doutor jurou proteger. Resultado disso são episódios arejados, com poucas firulas, trabalhados na história da semana e no roteiro afiado.

Quem agradece o roteiro afiado é Bill, uma personagem que acabou de chegar e já mostrou à que veio, com excelentes tiradas e reações ao novo universo apresentado a ela pelo Doutor. Gosto de ver Doctor Who se sustentando majoritariamente na relação entre o Doutor e sua companion, é uma lembrança bem vinda da era T.Davies, com os Doutores de Christopher Eccleston e David Tennant.

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Além disso, a nova temporada consegue funcionar perfeitamente como uma apresentação do que é Doctor Who para o espectador desavisado. Poupando novos públicos a maratonar as outras nove temporadas da série, você pode começar tranquilamente a partir dessa atual temporada sem perder muita coisa (como fã da série, recomendo que você assista tudo, mas não faz mal começar pela décima).

Ainda me incomoda um pouco o uso de Nardole nessa temporada, apesar de ser divertido, não entendo completamente sua utilidade na série, sendo um personagem que apareceu aleatoriamente no especial de Natal da 9ª temporada e que não está sendo de grande uso atualmente a não ser servir de escada para piadas do Doutor.

Outro ponto que me incomoda é o anuncio do retorno das duas encarnações do Mestre, o arqui-inimigo do Doutor, vividas por Jon Simm e Michelle Gomez. Em que ponto esses retornos serão interessantes para a série? A impressão que fica é que Doctor Who pode reprisar os erros passados e se inflar com excessos de personagens, tramas e histórias que não atendem as expectativas.

É o fim de uma fase em Doctor Who com a partida de Capaldi e Moffat, espero que essa partida não seja mais amarga que o necessário.

Está acompanhando essa temporada de Doctor Who? Deixe seus comentários, allons-y! 😉


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