Empresas trabalham para diminuir toxicidade de suas comunidades

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Não precisa de muito esforço para entender em qual patamar os games estão hoje em dia. Segundo a DigiCapitalesse mercado movimentará mais de R$ 550 bilhões só em 2018. No Brasil, nos últimos cinco anos, o mercado de games dobrou, de acordo com o 2º Censo de Games.

O que ainda existe de forma relutante, é a discrepância de interesses dentro de um jogo. Enquanto para muitos isso virou profissão, seja como desenvolvedor, streamer ou e-atleta, para muitos outros, o vídeo-game ainda é um hobby. Uma alternativa de escape e relaxamento depois de um dia cansativo no mundo lá fora. E é aqui que começa o problema.

Se exaltar durante uma partida, seja por felicidade com uma jogada certeira, ou um rage, após essa jogada certeira, mas do seu adversário, é normal. Acontece nas melhores famílias. Só que muita gente insiste no segundo caso, e o que deveria ser apenas um deslize, acaba virando constância e vai, aos poucos, contaminando um todo.

Jogadores casuais que são afastados dos games por isso. Pra quê ficar num lugar onde eu quero estar de boa e xingam até a 274ª geração da minha mãe? Pergunte para as mulheres que jogam o quanto elas já foram assediadas e hostilizadas durante uma partida pelo simples fato de serem mulheres.

Mas, felizmente, algumas empresas estão trabalhando duro para que isso aconteça cada vez menos. É um caminho longo? Demais. E vai ser tortuoso para a galera bad vibes, mas felizmente os primeiros passos já foram dados.

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Blizzard e Ubisoft são duas empresas que tem trabalhado por comunidades melhores em dois de seus principais títulos: Overwatch e Rainbow Six Siege, respectivamente.

Em R6, os usuários estão convivendo com uma onda de banimento, seja ele temporário ou definitivo. Os alvos dessa operação são jogadores que utilizam o chat do game para atacar outros jogadores com termos impróprios.

Para não ser injusto e banir alguém de forma errada, a Ubisoft tem trabalhado com um sistema de 4 strikes. O primeiro gera uma paralisação para o jogador de apenas 17 minutos, num sinal de aviso. Durante esse tempo, ele não consegue acessar nenhum modo do jogo.

Nos strikes 2 e 3, o usuário recebe uma suspensão de duas horas. Em caso de reincidência, a pena vem de forma mais pesada. Uma investigação é feita na conta do jogador e, se verificado que esse tipo de ação é recorrente, o ban hammer vem estralando.

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Já em Overwatch, o caminho tem sido contrário. Ao invés de banir jogadores, o game da Blizzard vem recompensando as boas ações. Foram introduzidos ao jogo, há cerca de duas semanas, dois sistemas novos: Endorsements Looking for Group. 

No Endorsements, ao fim de cada partida, os jogadores podem votar em companheiros de equipe e, até mesmo, adversários, que merecem destaque ao fim de cada round. Se o jogador for votado várias vezes, isso pode lhe render recompensas.

Já no Looking for a Group, a ideia é que as equipes sejam equilibradas entre seus membros durante uma partida. Esse sistema aqueda o número de heróis a cada partida, o que torna os rounds mais justos, elevando a qualidade da disputa. Sempre bom lembrar que você pode escolher entre as classes de healer, DPS ou tank.

E isso já vem trazendo bons resultados para a comunidade de Overwatch. De acordo com um fórum oficial da Blizzard, em levantamento feito nos Estados Unidos e Coreia do Sul, para a versão de PC do jogo -a versão de consoles ainda não foi divulgada-, mostrou uma queda de, respectivamente, 26,4% e 16,4%. A queda também foi registrada na toxidade diária de determinados jogadores. A taxa caiu em 28,8% nos Estados Unidos e 21,6% na Coreia do Sul.

Isso tudo deve ter deixado Jeff Kaplan, desenvolvedor do game, bem feliz. Em setembro do ano passado, ele disse em entrevista que “o mau comportamento não está estragando apenas a experiência dos outros, mas ele também está tornando o progresso do game diminuir muito“.

Felizmente, principalmente para a comunidade, os números tem mostrado o contrário.


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