Estamos na “3ª Onda” dos animes?

Navegar por...

Eu nasci nos anos 90 e consumi as animações orientais, os animes, desde que eu me conheço por gente. Ainda assim, assisti animes por muitos anos sem saber exatamente o que eram. Demorei a entender que grande parte dos animes são adaptações animadas de mangás, diferente das animações ocidentais que majoritariamente eram obras originais. Sendo dos anos 90, eu também consumi auge dos animes, ao menos na TV aberta. Ao longo destes anos pude notar as nuances de produção dos animes. Esse texto tem o objetivo de dar uma pincelada em relação a como foi essa evolução até os dias atuais.

Pode-se dizer que houve uma 1ª Onda de animes desembarcando no Brasil nos anos 80 e 90. Animes como Dragonball, Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Pokémon, Digimon, Yu-Gi-Oh!, Sakura Card Captors e alguns outros. Não dá para dizer que são os melhores animes, ou que são os mais importantes lá no Japão, mas certamente esses sucessos possibilitaram uma consolidação de um público consumidor de animes por aqui.

1 - Copia

A 1ª Onda

A 2ª Onda, já nos anos 2000, teria então títulos como Naruto, One Piece, Bleach, Death Note, FullMetal Alchemist, Code Geass e muitos outros. Essa onda sofreu com a pirataria, pela democratização da internet e um espaço limitadíssimo dos animes na rede aberta. Nessa época, eu começo a levar os animes a sério, assistindo-os episódio a episódio. Os animes mais populares nessa época eram em grande parte shounens e pareciam intermináveis, como Naruto e Bleach (ou que realmente é interminável, como One Piece).

Essa característica somada ao fato de que os mangás que inspiravam os animes são produzidos de forma mais lenta, “popularizou” os episódios e sagas fillers. Os fillers seriam literalmente um “enchimento” para a história original enquanto o mangá era adiantado, tudo para não tirar o anime que ia semanalmente ao ar. Essa tendência foi tamanha que o anime de Bleach, por exemplo, teve 366 episódios sendo 169 fillers, ou seja, quase metade do anime.

A 2ª Onda

A 2ª Onda

Vi muitos amigos desistindo de alguns títulos, tanto porque não gostavam dos episódios fillers ou porque ficavam enraivecidos ao descobrirem que assistiram diversos episódios que não levavam nada a lugar nenhum, pois a história do filler normalmente é esquecida para não causar contradições no futuro. Eu acredito que os estúdios perceberam isso. Além de perder uma parte dos fãs, os fillers poderiam dar espaço a outras adaptações na grade de transmissão dos canais japoneses.

É então que surge a 3ª Onda, a que estaríamos vendo atualmente, cicatrizada pelos fillers, sem sofrer tanto com a pirataria, pois agora os licenciadores podem lucrar com royalties pagos por redes de streaming como Crunchyroll, Daisuki e a própria Netflix. É notável como os grandes sucessos contemporâneos de animes têm no máximo 24 episódios por temporada intercalados por pausas de exibição.

A 3ª Onda

A 3ª Onda

É claro, ainda existem animes como One Piece, Naruto Shippuden (certamente Boruto também) e Dragonball Super que ainda queimam seus últimos cartuchos de popularidade. Mas os claros exemplos desta 3ª Onda seriam Shingeki no Kyojin, One Punch Man, Sword Art Online, Nanatsu no Taizai, Boku no Hero Academia, Tokyo Ghoul e muitos outros.

Esse modelo de distribuição via streaming permite uma maior diversificação de títulos, pois agora eles podem muito bem focar em gêneros específicos que antes não emplacariam se não fossem massificados, como One Punch Man por exemplo. Isso permite uma visibilidade não só mais do shounen, que reina soberano no ocidente. Lógico, o shonen é a demografia mais popular no Japão, mas lá há um espaço maior para as outras demografias e esse modelo parece diversificar cada vez mais os animes que chegam para nós.

E você? Acha essa divisão em ondas coerente? Está gostando desse novo modelo de distribuição?
Então deixa um comentário! Valeu!

Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Comentários

comentário(s)