Eu Fico Loko e o único acerto dos Youtubers no cinema

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Se você habita este maravilhoso mundo chamado internet, já deve ter percebido o tamanho que certos youtubers alcançaram. Os rockstars do século 21, eles carregam milhões de seguidores, tanto no online, quanto no offline.

Aproveitando-se do sucesso obtido no Youtube, muitos deles aproveitaram para “migrar” para mercados mais tradicionais, talvez com o intuito de conquistar novos públicos. Depois das 11, Boca Rosa e Gustavo Stockler viraram peças de teatro. Dani Russo se aventura no mundo da música. Dani Nocce e Caio Novaes, do Ana Maria Brogui, lançaram livros. Além de PC Siqueira, Cauê Moura e Pathy dos Reis que já apresentaram programas de TV. Isso só para citar alguns poucos casos.

Só que, do ano passado para cá, muitos nomes resolveram apostar em um novo formato, para eles, pelo menos. Eles saíram das telinhas dos celulares e computadores, para ganhar o Brasil nas telonas, através de seus longas-metragens. Sim, os youtubers invadiram os cinemas. Mas é aqui que mora o perigo.

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Cena de “Porta dos Fundos – Contrato Vitalício”

Nas minhas contas, entre 2016 e 2017, foram lançados quatro filmes, baseados neles ou que tiveram alguns youtubers no elenco. E essa balança tende muito mais para o lado negativo.

Quem puxou a fila foi “Porta dos Fundos – Contrato Vitalício“. No elenco, todos os atuais e ex-participantes do atual terceiro maior canal do Youtube brasileiro. Na direção, Ian SBF, que é o responsável pela maioria dos esquetes do Porta. Jogar em casa é a receita para o sucesso? Eu acho que não.

O filme, segundo a sinopse do AdoroCinema, conta a história de “Miguel (Gregório Duvivier) e Rodrigo (Fábio Porchat) são dois amigos que costumam realizar filmes juntos. Certa ocasião, um de seus filmes ganha um prêmio importante em um festival internacional. Animados com a premiação, os dois saem para comemorar e Rodrigo assina, em um guardanapo de bar, um contrato vitalício que garante que ele estaria em todos os filmes de Miguel dali para frente. No entanto, Miguel desaparece e só retorna dez anos depois. Quando reaparece, ele leva para Rodrigo, agora um ator consagrado, a proposta de um filme insano que pode destruir sua carreira“.

Apesar de ser um filme de comédia, o longa praticamente não tira um riso sequer do espectador. Os personagens são fracos, pois não se cria o menor vinculo entre eles e quem está assistindo. Isso sem contar a quantidade de esteriótipos que eles são baseados, o que os torna ainda mais forçado.

A história é sem pé nem cabeça. Parece que eles pegaram pequenas esquetes, fizeram algumas pontes, e venderam essa coisa horrenda como filme. Talvez se eles tivessem vendido as mini-séries que foram feitas no canal, o resultado seria bem melhor.

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Kéfera Buchmann como Geraldine em “É Fada”

Após se aventurar no mundo dos livro e do teatro, Kéfera Buchmann, a maior youtuber feminina do Brasil, com quase 11 milhões de inscritos, embarcou nos cinemas com o filme “É Fada“, uma adaptação do livro “Uma Fada Veio me Visitar“, da talentosa Thalita Rebouças, com Cris D’Amato na direção.

O filme, segundo a sinopse do AdoroCinema, conta a história “da tagarela e atrapalhada Geraldine (Kéfera Buchmann), que após se dar mal em uma série de trabalhos, recebe a missão de ajudar a jovem Júlia (Klara Castanho). A garota vive com o pai e acaba de trocar de colégio. Ela tem dificuldade de lidar com os novos colegas e não é nenhum pouco popular na escola. A fada tentará mudar isso, ajudando em sua vida social e amorosa”.

Mesmo eu não sendo o público alvo deste tipo de filme, eu fiquei extremamente incomodado com o resultado final do mesmo. O personagem da Kéfera é ela com orelhas pontiagudas. Não tem como fugir disso.

Apesar da boa atuação de Klara Castanho, o filme não empolga, muito em conta do roteiro fraco e para lá de cliché, que sugere que a garota só será bem aceita se seguir o esteriótipo da patricinha, coisa que já não é tão bem vista no mundo atual.

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Júlio Cocielo (Canal Canalha), Igor Cavalari (Igão Underground) e Lucas Olioti (T3ddy) em cena de “Internet – O Filme”

Internet – O Filme” reúne algumas das moires estrelas do Youtube nacional, como Júlio Cocielo, Felipe Castanhari, Cauê Moura e, até mesmo, o funkeiro MC Catra e Thaynara Og, a rainha do Snapchat. Se juntarmos seus seguidores, faltarão dedos para contá-los. Agora, se juntarmos a qualidade do filme, nem precisa abrir a mão.

O longa se assemelha na estrutura de “Porta dos Fundos – Contrato Vitalício“, ao trabalhar com pequenas histórias dentro de um contexto. Só podemos considerar que fazem parte de um mesmo filme por acontecerem no mesmo lugar, que é um evento de youtubers.

Não dá para criticar a atuação da galera, uma vez que ninguém ali é ator. São pessoas normais que se arriscaram no mundo do cinema. Talvez a experiência tenha sido válida, mas o resultado do filme, que teve Rafinha Bastos na produção, foi pífio.

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O elenco principal de “Eu Fico Loko”, com Christian Figueiredo, personagem central da história

Na humilde opinião deste que vos escreve, “Eu Fico Loko – O Filme”, de Christian Figueiredo é, até agora, o único acerto do youtube no cinema.

Dirigo por Bruno Garotti, segundo o AdoroCinema, o filme conta a história de “Christian (Filipe Bragança) que é um adolescente pouco popular na escola, que também não tem vida fácil em casa. Enquanto sofre bullying dos colegas e busca a sua própria identidade, ele se preocupa com o primeiro beijo, a primeira noite com uma garota… Christian também é um cinéfilo que grava paródias de filmes para colocar na Internet. Aos poucos, ele decide usar as redes sociais para contar as suas histórias de vida”.

Podemos dizer que o filme é a versão masculina de Confissões de Adolescente. Assim como acontecia na série de 1994 e, posteriormente, no filme de 2014, o longa trabalha contando a história de um menino e suas “dificuldades” passadas na adolescência.

De todos os apresentados, neste foi possível criar vínculos com os personagens. Seja a identificação com o protagonista ou a raiva que se tem do vilão, interpretado por Michel Joelsas.

Além desses, o longa ainda conta com bons nomes da nova geração de atores, o que aumenta ainda mais a proximidade com o público alvo. Em tela, vemos Giovanna Grigio, a garota nova, Isabella Moreira, o primeiro amor e José Victor Pires, que é o fiel e descolado escudeiro do protagonista.


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