A geração do “você precisa”

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Há quem tenha diferentes opiniões sobre a geração de pessoas nascidas nos anos de 1990 (e pouco). Já cheguei a ler: “Geração de preguiçosos”, “Geração de pessoas apegadas as redes”, e por aí vai. Mas a verdade é que as pessoas desse período estão diariamente surtando.

Não por sermos melhores ou piores do que outras gerações, apenas porque a cobrança é muita em cima de nós, e quando essa cobrança não parte da família, parte de nós, para nós mesmos. Basicamente, você precisa ter um emprego. Mas não qualquer emprego, algum que você ganha 10 mil (nem que seja o seu primeiro e nem que você esteja começando a vida, aos 25 anos).

Não importa se você ama esse trabalho/área que escolheu para viver, o importante é se estão te pagando bem, mas não bem para você pagar umas contas, bem para você postar foto #Canadá nas férias de julho.

Você precisa ser magra e sarada, porque afinal, se você não estiver dentro dos padrões ainda impostos, você destoa. Ninguém quer uma mulher gorda e que ganha mal, não é mesmo? Mas isso não basta. Você precisa estudar uma segunda língua, seja inglês, espanhol, ou alemão, porque sem isso você não chega a lugar nenhum.

Precisa ler pelo menos cinco livros por ano, mesmo que naquele tempo livre você só queira assistir a sua série preferida. O noticiário precisa estar em dia, os dentes brilhando, o cabelo escovado, o curso de SEO em dia. Precisa aos 25 não morar mais com os pais, não importando como você vai pagar as contas, porque o que importa mesmo, é o padrão, é a aparência.

A verdade é que toda essa geração vive achando que precisa fazer um monte de coisa em determinado tempo, sem entender que, na verdade, as pessoas são diferentes, possuem vidas e profissões diferentes e o mais importante, de que cada um tem o seu tempo.

Nesse balaio de gato, o precisar não vira uma conquista, vira um fardo. Estamos constantemente frustrados que, quando conseguimos algo, não saboreamos o momento porque precisamos, insanamente, pular para a outra fase agoniante.

Estamos vivendo com a sensação de que, ao fim do dia, não fizemos tudo que precisávamos fazer, logo, somos pessoas que deveríamos nos esforçar mais. Mas a verdade é que estamos fazendo o melhor, com o que a gente tem.

Tudo bem querer muito, tudo bem querer tudo ou até um pouco mais, mas o clichê cai perfeitamente aqui: “Uma longa jornada começa sempre com um primeiro passo.”


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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