‘Han Solo – Uma História Star Wars’ não é (tão) ruim, mas é desnecessário

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If You Build It, They Will Come”, ou seja, “se você construir, eles virão“. Essa é a frase que o personagem de Kevin Costner, Ray Kinsella, ouve em Campo dos Sonhos, em 1989. O “mantra” incentivou muita gente a pensar grande na vida, e parece que estúdios de cinema pensaram o mesmo.

Produza e eles assistirão. Vai ver foi assim que eles pensaram. Se a gente fizer, a grana virá sempre. E vamos continuar fazendo cada vez mais. E é claro que isso nem sempre vai dar certo, ainda mais quando se trata de algo tão querido quanto o universo Star Wars.

Sim. Nós, fãs da franquia, podemos ser bem xaropes. Algo que fuja do cânone da história vai causar estranheza e a reação será imediata. Até mesmo quando a coisa vai bem, a galera pira. Lembra o auê que foi com The Last Jedi? E olha que o filme é maneirão.

Pois é, mais uma vez resolveram mexer nesse vespeiro. Depois que a Lucasfilm passou para as mãos de Mickey Mouse, o universo de Star Wars está sempre em evidência. E até tinha funcionado bem. O que se viu de sucesso em O Despertar da Força, Rogue One e até mesmo em Os Últimos Jedi, provavelmente não se verá em Han Solo – Uma História Star Wars.

Não, o filme não é tão ruim quanto muitos pintam. Ele alterna momentos medianos, com algumas boas atuações e momentos em que você vai pensar “é sério isso?”. Mas colocando na ponta do lápis, a conclusão que se tira é: esse filme era totalmente desnecessário.

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Han Solo – Uma História Star Wars, como o próprio nome já diz, vai contar a história de Han Solo, o contrabandista mais amado de toda a galáxia. Aqui, o personagem imortalizado Harrison Ford é um jovem adulto, mas que é um malaco desde sempre.

A história, como Han sempre foi, começa com uma tentativa de aplicação de golpe do garoto. Aqui, ele é acompanhado pelo personagem feminino de maior destaque no filme, Kira, que ganhou vida pela talentosa Emilia Clarke. E todo o filme se desenrola a partir disso, elevando o nível do trambique com o passar do tempo e tendo Beckett (Woody Harrelson) como “mentor”.

E isso não é nada legal. Para quem está acostumado com a grandeza das histórias da saga Star Wars, pela menos na maioria das vezes, tudo que se vê aqui acaba sendo bem óbvio. Isso gera um roteiro de ritmo estranho e torna a experiência um tanto quanto maçante. É cansativo assistir a Solo.

Apesar disso, o filme ganha pontos por uma coisa que não fora visto até então. Esse é o primeiro filme que não cita a existência de Jedis ou da força. Aqui, nada sai flutuando pelos ares “com o poder da mente”. A história é sobre gente pé no chão. Pessoas reais.

Outra coisa bastante positiva do roteiro são os “origens secundárias” apresentadas no filme. Sim, elas são mais legais que a história do Han. É apresentado para nós como ele conheceu Chewbacca, seu fiel escudeiro wookie e Lando Calrissian, outro contrabandista e tão macalo quanto Solo.

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Alden Ehrenreich foi quem teve que segurar o rojão de ser a versão jovem de Solo. E, não sei, mas não funcionou. É estranho ver um Han que não seja Harrison Ford. A feição de Ehrenreich não combina com o personagem. Ele tem cara de bom moço, que não casa com a personalidade larápia e canastrona que o personagem pede.

Mas se por um lado o protagonista não funcionou, o resto do grupo vai muito bem. Emilia Clarke entra para a dinastia de mulheres fortes do universo de Star Wars. Apesar dela ser a última dessa lista, que conta com Carrie Fischer, Natalie Portman, Daisy Ridley e Felicity Jones, sua personagem tem um peso bacana, o que casa bem com a atuação da atriz.

Woody Harrelson e sua aparência suja também dá muito certo, ao interpretar um contrabandista que, mesmo em grupo, sempre voa sozinho, não confiando em ninguém, como ele mesmo tenta a ensinar a seu pupilo, que tenta entrar para o negócio de grandes golpes.

Por fim, mas não menos importante (muito pelo contrário), temos Donald Glover. O novo queridinho do momento, principalmente após sua atuação no clipe This Is America, de Childish Gambino é a melhor coisa desse filme. Ao contrário de Ehrenreich, ele soube pegar e retransmitir a áurea do personagem Lando, ao qual a galera gosta desde quando ele foi interpretado Billy Dee Williams em O Império Contra-Ataca, de 1980.

Ah! L3-37! Vocês vão amar essa droid! Assim como Emilia Clarke segue a dinastia me mulheres, L3, interpretada por Phoebe Waller Bridge, segue a linhagem de robôs incríveis. E o mais legal é que, pela primeira vez, esse posto fica a cargo de uma robô.

Como a Nilce Moretto disse no Cadê a Chave? o filme tem uma vibe meio que Sessão da Tarde. Ela funciona como elemento de entretenimento. Diverte, mas não vale o preço do show. Sua estreia teve a pior bilheteria entre os filmes mais recentes, fazendo “apenas” US$ 148.3 milhões de dólares, ficando muito atrás de Rogue One, que fez quase US$ 400 milhões no fim de semana de estreia.

Assista, mas não vá com as expectativas muito altas. Vá com o pensamento de que ele é um filme facilmente descartável. Pode ser que isso melhore sua experiência.

Com direção do vencedor do Oscar de Melhor Diretor de 2002, Ron Howard, Han Solo – Uma História Star Wars estreou na última quinta-feira, 24 de maio.


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Solo - A Star Wars Story

Solo - A Star Wars Story
6,1

Roteiro

6/10

    Desenvolvimento

    6/10

      Edição

      6/10

        Trilha Sonora

        8/10

          Atuação

          6/10

            Pros

            • Introdução de Chewbacca e Lando
            • Donald Glover soube pegar a aura do personagem

            Cons

            • Escolha do protagonista
            • História óbvia
            • Escolhas erradas de roteiro
            • Ritmo maçante e cansativo

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