Heroína(s) faz Netflix sonhar com bicampeonato no Oscar 2018

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Que a Netflix deixou de ser apenas um serviço de streaming, isso já não é novidade para ninguém. A empresa, que funciona dessa maneira desde 2007, agora também é uma excelente produtora/distribuidora de conteúdo autoral.

Muitos daqui a conhecem, principalmente, na produção de seriados, como Fuller HouseStranger Things e Better Call Saul ou, até mesmo, na produção de filmes longas-metragens. Um bom exemplo a ser citado dessa categoria é Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi. O filme, dirigido por Dee Rees, recebeu quatro indicações ao Oscar 2018, com destaque para Mary J. Blidge em Melhor Atriz Coadjuvante e para Melhor Roteiro Adaptado.

Apesar de todo essa oba-oba sobre esse tipo de produção, a Netflix se destaca – e muito -, na categoria de documentários, sejam em longa ou em curta metragem. No ano passado, a empresa garantiu um Oscar de Melhor Documentário em Curta Metragem com o excelente White Helmets (e ainda tinha Extremis correndo por fora).

Neste ano, o cenário parece se repetir. Mesmo tendo dois documentários em longa concorrendo (Ícarus e Strong Island), a grande chance da Netflix volta a cair sobre os curtas, desta vez, com Heroína(s).

Jan Rader, Chefe dos Bombeiros de Huntington, é uma das personagens principais do documentário

Jan Rader, Chefe dos Bombeiros de Huntington, é uma das personagens principais do documentário

O documentário, de 39 minutos, se passa em Huntington, no estado americano de Virgínia Ocidental (West Virginia). A cidade leva a alcunha de Capital da Overdose dos Estados Unidos. Lá, de acordo com o documentário, uma pessoa morre a cada 10 horas em decorrência de overdose.

O produto trabalha com três mulheres que lidam diretamente com a situação, mas em etapas diferentes. A primeira a ser apresentada é a sub-chefe dos bombeiros, posteriormente promovida, Jan Rader. Ela atua no resgate de vítimas, lidando com situação de risco e atendendo pacientes que atentaram contra sua própria vida com o uso excessivo de drogas.

Ele começa de forma impactante, com Jan atendendo uma ocorrência de uma mulher que se trancou em um banheiro e teve uma overdose pelo uso de heroína. Suas aparições trazem as cenas mais chocantes do documentários.

Vítima de overdose sendo atendida pela equipe de bombeiros

Vítima de overdose sendo atendida pela equipe de bombeiros. De acordo com estatísticas, uma a cada quatro pessoas de Huntington é viciada em heroína ou algum tipo de opiáceo

No trabalho preventivo temos a figura de Necia Freeman, da Brown Bag Ministry. Necia trabalha em uma entidade ligada a igreja da cidade e passa pelas ruas atendendo pessoas, principalmente garotas de programa, no intuito de tirá-las dessa situação. Ela oferece, além de comida e produtos de higiene, ajuda para as mesmas.

Por último, mas não menos importante, somos apresentados para a Juíza Patricia Keller. Keller é responsável, como ela mesmo diz, pelo “tribunal da droga“. Em sua corte ela, ela julga pessoas que foram detidas por conta de problemas com vício. De forma leve, o intuito de suas condenações é ajudar as pessoas a se livrarem daquilo, sendo que cada um que consegue, se torna um exemplo para os outros.

Juíza Patricia Keller e Necia Freeman, da Brown Bag

Juíza Patricia Keller e Necia Freeman, da Brown Bag

Apenas em 2016, no estado da Virgínia Ocidental (onde o documentário se passa), 60 mil mortes foram registradas em decorrência de entorpecentes. Se formos fazer um comparativo, o número é maior que o total de baixas da Guerra do Vietnã, onde estima-se que 58 mil pessoas perderam a vida. O problema é tamanho que Donald Trump declarou estado de emergência nacional

Por mais que tenha diversos momentos leves e de ajuda ao próximo, Heroína(s) impressiona pelo problema que ele retrata. O curta consegue passar com exatidão a dimensão do problema ali vivido. Ele traz relatos de diversas figuras. Além das autoridades aqui citadas, temos entrevistas com outros bombeiros, além de ex-viciados.

Disponível na Netflix, Heroína(s) estreou em setembro de 2017. O documentário em curta, de apenas 37 minutos, é a grande oportunidade da empresa garantir mais um Oscar em sua prateleira. Vale a pena conferir.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo. Ele e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui

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