Não, His Dark Materials não é a nova Game of Thrones (ainda bem)

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Antes mesmo de estrear, His Dark Materials era apelidada de “a nova Game of Thrones” pela mídia especializada. Tudo porque, aparentemente, uma série de fantasia merece comparações com GoT apenas por existir. Vai entender o que se passa na cabeça das pessoas.

Ok, talvez His Dark Materials tenha lá seus paralelismos com a finada série baseada nos trabalhos de George R.R. Martin, mas resumir a existência da série apenas a isso é ser preguiçoso.

His Dark Materials é baseada na série de livros Fronteiras do Universo, do autor inglês Philip Pullman. Os três primeiros livros da série — A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar —publicados no Brasil pela Suma de Letras com tradução de Ana Deiró e Eliana Sabino. Outros livros contando aventuras dos personagens principais e secundários, expandindo o universo fantástico criado por Pullman, também foram publicados por aqui pela Suma. Sempre angariando uma legião de fãs

Fronteiras-do-Universo

A saga ganhou uma adaptação para os cinemas em 2007 estrelada por Nicole Kidman e Daniel Craig, mas fracassou em bilheteria e crítica. A nova tentativa, dessa vez para a TV, é uma co-produção entre a BBC e a HBO e tem nomes como Jack Thorne (Extraordinário e The Fades), Jamie Childs (Doctor Who) e Tom Hooper (Os Miseráveis) na equipe criativa. Coisa fina.

Na série, acompanhamos Lyra (Dafne Keen), uma órfã que é deixada pelo seu tio, Lorde Asriel (James McAvoy), para ser criada na Faculdade Jordan, em Oxford. A garota nunca compreendeu inteiramente o porquê do abandono e espera um dia poder viajar junto com o tio e viver grandes aventuras.

A vida de Lyra começa a cercar-se de incertezas quando Lorde Asriel retorna trazendo descobertas perturbadoras para os acadêmicos da Faculdade Jordan, colocando em xeque o status desses indivíduos poderosos. Ao mesmo tempo, ela recebe do reitor (Clarke Peters) uma misteriosa bússola com propriedades mágicas, seu melhor amigo (Lewin Lloyd) desaparece e Lyra recebe um convite para sair de Oxford e morar em Londres sob os cuidados da intrigante Dr. Marisa Coulter (Ruth Wilson).

Apesar da tentativa frustrada de 2007, Fronteiras do Universo sempre foi um fenômeno dentre os fãs de literatura fantástica e venceu diversos prêmios e menções em lista de melhores livros de todos os tempos. Logo, a HBO/BBC tinha uma enorme responsabilidade em mãos.

A necessidade de agradar os fãs e fazer jus a obra original é maior que a vontade de ser a nova Game of Thrones. Mais do que isso, fazer jus aos livros é saber trabalhar com uma obra complexa em temática.

Fronteiras do Universo critica diretamente a Igreja Católica e o poder que ela teve/tem na história. O Magisterium, tal como a Igreja, quer incentivar a busca pelo conhecimento, mas desde que ele não esbarre nos seus dogmas. Não à toa os livros foram duramente repreendidos por organizações católicas desde o seu lançamento, o mesmo para o filme de 2007 que abaixava bastante o tom crítico.

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O episódio piloto não ameniza as referências a Igreja Católica, talvez até de forma explicita demais. Se o filme de 2007 tinha receio em cutucar organizações religiosas, a série pretende ir direto na jugular e incomodar mesmo. Em tempos de conservadorismo, extremismo e um pezinho no fascismo, é importante que uma série de TV se dê o trabalho de criticar o potencial corruptivo daqueles que detém o poder e querem permanecer assim.

Entretanto, todo o piloto de His Dark Materials tem um ligeiro problema: seu ritmo. Por tratar de um mundo fantástico com regras completamente diferentes, ele assumiu um caráter introdutório, ficando restrito a um apanhado de cenas aparentemente desconexas que explicam conceitos e personagens na expectativa de fazer sentido futuramente.

É um mal necessário e o roteiro sabe trabalhar bem a apresentação do mundo e personagens, mas não é difícil imaginar um espectador mais ávido por coisas acontecendo se afastando da série se ela não recompensar essa construção de maneira eficiente e rápida.

O ritmo é um problema mínimo em His Dark Materials. Ele é ofuscado pelo roteiro bem trabalhado e um elenco extremamente carismático que promete apresentar atuações competentes. Dafne Keen é divertida de acompanhar e consegue trabalhar bem uma enérgica Lyra que vai fornecer um bom contraponto a seriedade das conspirações em que ela vai se envolver. James McAvoy é sempre um deleite para os olhos e Ruth Wilson está no tom certo.

Dá pra ficar muito empolgado com His Dark Materials nesse primeiro episódio. É uma série que propõe ser aconchegante, divertida e repleta de bons subtextos.

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