Hoje eu quero ficar em casa

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Acordei desorientada, por conta das duas cobertas de frio e da blusa de manga longa que coloquei para dormir, devido à noite fria que caia. Levantei pingando de suor, mas renovada, como se estivesse pronta para assistir aulas de algum professor desagradável.

Desesperada, saltei da cama, peguei o celular (que fica longe da cabeceira), fui correndo ver que horas eram, acreditando estar, mais uma vez, atrasada para o tradicional almoço em família, que ocorre aos domingos na casa de minha tia. Ainda eram 10h da manhã. Impressionada, abri meu aplicativo Instagram (antes de abrir qualquer notícia e ver as mazelas do mundo, quis ver a felicidade no rosto de um amigo, já que nessas redes todos estamos sempre sorrindo e publicando sobre momentos de alegrias). Encontrei a maioria de meus amigos em um cenário feliz de festas, bares e cigarros.

Fiquei contente ao ver que, até aquela amiga que nunca sai, acabou indo num evento onde “todo mundo foi”, no sábado. Abri o Facebook, as recordações de divertimento da noite passada eram muitas. “Que delícia”, só consegui pensar. Depois fiquei refletindo sobre o meu fim de semana e a rotina da minha vida.

Desde criança minha mãe costuma chamar a minha irmã e eu de: “arroz de festa”, porque marcávamos presença em absolutamente todos os eventos. Houve uma época, no segundo ano de universidade, ápice da graduação, em que se eu não saísse aos sábados, o fim de semana teria sido uma droga. Eu adorava me arrumar e viver a noite que, para mim, sempre foi melhor do que o dia. E assim eu persisti, é da minha personalidade, está enraizado em mim. Minha avó adorava também, segundo histórias de família, um bom carnaval, uma boa folia.

Nesse período da vida, as minhas unhas eram impecáveis toda a semana, eu não saia de cabelo preso e sem uma boa base no rosto. Mas os anos vão se passando e as prioridades mudam, inclusive. Posteriormente veio o meu trabalho de conclusão de curso, e apesar de eu conseguir toda a ajuda possível da minha orientadora, outros aspectos foram deixados de lado, como pintar as unhas, e ir em todas as festas.

Posteriormente, entrou a fase de procurar emprego e as coisas que antes eram importantes, para mim passaram a não fazer a menor diferença, como por exemplo, “o que o fulano está pensando de mim porque eu dei um fora nele”, ou se terá festa de integração na quinta-feira. Obviamente que eu jamais deixei de frequentar os barezinhos, os eventos da universidade, de rever minhas amigas, de conhecer gente nova. Mas aquela ânsia por necessitar estar num evento open bar, passou.

Aquela euforia de, se eu passar o final de semana dormindo, o sábado não valeu a pena, também se esvaiu. Eu não deixo de ir, mas se eu não for, está tudo certo. Mas, às vezes, alguém ainda me manda, entre um áudio e um gole, às 3h da manhã: “Você está muito morta, vem beber com a gente”. Não é que a gente parou de tomar nosso vinho de fim de semana, é que às vezes, deitar no quente das cobertas é melhor do que ficar em pé passando frio. Às vezes, porque a gente prefere ficar em casa assistindo filme na Netflix, não quer dizer que a gente possui repulsa nas festas ou que viramos caretas. Às vezes, só estamos cansados e quando isso ocorre, nada melhor do que o nosso lar.

É que agora eu passo os dias de outro jeito, prefiro dormir do que acordar para arrumar o cabelo durante a semana e a unha a gente faz na sexta-feira, quando dá tempo depois da faxina no quarto ou quando há algum evento especial.

Nessa manhã de domingo eu me espreguicei, e agradeci por eu ter sido sincera comigo mesma em decidir tirar um sábado só para comer porcaria e ficar na minha cama, mas na sequência já pensei: “Semana que vem tem João Rock” hahaha


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