It’s Always Sunny in Philadelphia: uma comédia nada ordinária

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Ano passado eu conheci a qualidade duvidosa de The Mick, a série da FOX que atualmente está na sua segunda temporada, contrariando todas as minhas expectativas de que a série teria vida curta. O ponto é que The Mick é bacana, se você busca algo descompromissado, claro, e grande parte do sucesso da série vem da protagonista Kaitlin Olson.

Foi assim que comecei uma maratona de It’s Always Sunny in Philadelphia, série do FX da qual The Mick pegou muita coisa emprestada, e não estou falando apenas de Olson, os criadores de The Mick também trabalham na série do FX.

It’s Always Sunny in Philadelphia (também chamada de It’s Always Sunny) é um caso peculiar. A série não tem uma audiência assombrosa, ainda assim está no ar desde 2005, totalizando doze temporadas e 153 episódios.

Rob McElhenney, Kaitlin Olson, Danny DeVito, Glenn Howerton e Charlie Day

Rob McElhenney, Kaitlin Olson, Danny DeVito, Glenn Howerton e Charlie Day

A série acompanha cinco amigos, Mac (Rob McElhenney), Dennis (Glenn Howerton), Charlie (Charlie Day), Dee (Kaitlin Olson) e Frank (Danny DeVito), que comandam um pub irlandês na Filadélfia. Entre uma bebida e outra, os cinco buscam maneiras de vencer na vida. A premissa básica de qualquer série de comédia centrada num grupo de amigos.

O “porém” é que os personagens de It’s Always Sunny in Philadelphia são pessoas desprezíveis, egocêntricas, preconceituosas e que usam uns aos outros para se dar bem. Essas características são refletidas em episódios que cutucam e retorcem temas polêmicos como porte de armas, direitos LGBTQ, feminismo, preconceito racial, aborto e tudo o que anda fez  o Facebook ferver em textos problematizadores nos últimos dois anos. E é nessa falta de pudor em abordar o polêmico que reside o trunfo de It’s Always Sunny.

É uma série de psicologia reversa. Ao dar holofotes para pessoas desprezíveis, It’s Always Sunny não aprova nem desaprova esses comportamentos. Muito pelo contrário, os utiliza como apoio para criticar hipocrisias, extremismos e pré-conceitos de todos os lados possíveis.

Um ponto importante é que se você é do tipo que se ofende fácil é provável que você não irá gostar da proposta de It’s Always Sunny. Diversos episódios beiram o absurdo e te deixam desconfortável pela franqueza do texto da série. Se você supera isso, consegue enxergar um bom subtexto por trás da escatologia.

Glenn Howerton, Rob McElhenney, Kaitlin Olson, Danny DeVito e Charlie Day

Glenn Howerton, Rob McElhenney, Kaitlin Olson, Danny DeVito e Charlie Day

Um bom exemplo do subtexto empregado no absurdo está no segundo episódio da nona temporada da série. Intitulado “Gun Fever Too: Still Hot“, o episódio começa com Frank indo ao noticiário local para pedir que a população se arme contra a crescente onda de crimes na cidade. Convencidos de que o bairro está violento, Charlie e Mac se armam e começam a rondar uma escola para garantir a segurança dos alunos, mesmo que ninguém tenha pedido que eles façam isso.

Por outro lado, Dennis e Dee são contrários ao porte de armas e começam a rodar a cidade para provar o ponto que, hoje em dia, qualquer um pode se armar, tentando comprar uma arma. O episódio vem para provar que os dois lados tem suas falhas, tanto de Dee e Dennis quanto de Charlie e Mac. No fim, o episódio aponta como o lobby de armas (encabeçado por Frank no começo do episódio) acaba tendo uma influência muito grande na discussão, replicando no micro-universo da série muito do que acontece nos Estados Unidos.

It’s Always Sunny ganha pontos pelo roteiro ser escrito por McElhenney, Day e Howerton. Amigos de longa data, os três deram o sangue para tirar a série do papel e entregar um bom resultado. Na verdade, os bastidores da produção são tão interessantes quanto a série em si.

McElhenney, que criou a série, filmou o episódio piloto com apenas duzentos dólares para tentar chamar a atenção das emissoras. Quando o FX se interessou pela série, McElhenney só topou a empreitada se ele mantivesse total controle criativo sobre a série. O FX, por outro lado, queria gastar o mínimo possível com o projeto, tanto que os três dividiam o mesmo camarim na primeira temporada e a música tema da série (“Temptation Sensation”, de  Heinz Kiessling) é trilha livre de direitos autorais.

O que era para ser uma série barata, que quase foi cancelada na primeira temporada, se tornou uma das produções mais duradouras da emissora com uma legião de fãs e que rendeu participações especiais para série. Em doze temporadas, nomes como Jimmi Simpson, Mary Lynn Rajskub, Pablo Schreiber, Judy Greer, Dax Shepherd, Josh Groban, Jason Sudeikis, Sean William Scott e Guillermo Del Toro já fizeram visitas ao Paddy’s Pub.

It’s Always Sunny in Philadelphia é uma série que não agrada a todos por seu humor despudorado, mas é um fenômeno cult que vale a pena dar uma chance. É surpreendente o trabalho da série no roteiro e execução e como ela ainda assim voa abaixo do radar. Ela talvez seja a melhor comédia dos últimos anos que você nunca assistiu.

Conhece It’s Always Sunny in Philadelphia? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de André Cabrero e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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