Jogador Nº 1: um mar de referências

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Não é exagero algum dizer que Steven Spielberg é um dos maiores diretores da história do cinema. O cineasta, hoje com 71 anos, está “no ar” desde 1964, quando Firelight (sem tradução para o Brasil) chegou aos cinemas.

Passados 54 anos desde então, o americano volta às telonas com o seu novo longa: Jogador Nº 1. Inspirado no livro de Ernest Cline, o filme estreou no última sexta e já alcançou o posto de segunda maior bilheteria de estreia do Estados Unidos, atrás apenas de Pantera Negra.

Jogador Nº 1 se passa em 2045 e conta a história de Wade Watts (Tye Sheridan), um garoto órfão que mora com a tia. Em uma sociedade totalmente decadente, ele, e todas as outras pessoas do mundo buscam um escapismo para sua triste realidade. E todos encontram isso no OASIS, uma interface de realidade virtual onde as pessoas podem ser o que elas quiserem, criada pelo excêntrico James Halliday (Mark Rylance).

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Dentro do OASIS, as pessoas vivem suas vidas e criam amizades, como Wade fez com Aech (Lena Waithe). É possível investir em seus avatares, fazendo com que eles fiquem melhores e isso possa suprimir a realidade vivida. E é ali também onde eles buscam uma chance de algo melhor, e tudo isso graças criador da plataforma. Para isso, os jogadores participam de uma corrida.

O objetivo dessa corrida é encontrar o avatar de Halliday dentro do jogo, sendo ele um mago. Essa mago dará ao jogador três chaves, sendo de bronze, jade e cristal. Essas chaves, nessa sequência, são necessárias para liberar as dicas que os levarão para um próximo desafio. O grande prêmio? O Easter Egg, que dá a quem encontrar uma grande fortuna, além do controle de todo o OASIS.

Por conta disso, existem players especializados nessa corrida, que tentam resolver sua vida ao fim desse jogo. E é claro que eles existem, tanto para o bem, quanto para o mal. Por isso que temos tanto jogadores como Artemis (Olivia Cooke), quanto Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn).

Wade, que no OASIS é Ben Mendelsohn e Artemis, nome fantasia da personagem Sam Cook

Wade, que no OASIS é Ben Mendelsohn e Artemis, nome fantasia da personagem Sam Cook

O filme em si não apresenta um roteiro muito espetacular. A história é interessante, a ponto de realmente parecer um jogo de vídeo-game, mesmo em suas partes fora do OASIS. O próprio Spielberg disse que ele foi um de seus maiores desafios, pelo fato de tornar a ideia do mundo do filme palpável para o grande público.

Apesar da simplicidade, ele faz uma forte crítica ao escapismo que o mundo digital pode oferecer para as pessoas. Em uma sociedade cada vez mais complicada, o ambiente on-line tem sido cada vez mais um ponto de refúgio, a ponto de colocarmos a vida real cada vez mais de lado.

A parte estética do filme é muito bonita, tanto o ambiente prático, quanto o virtual. O longa trabalhou muito bem esse segundo cenário, com uma ambientação muito bem criada, coisa de game mesmo. Inclusive, Jogador Nº 1 consegue se encaixar na categoria de Melhor Animação do Oscar, por ter pelo menos 75% de suas cenas criadas digitalmente. Candidato interessante para a edição 2019.

Um outro ponto bacana do filme é a quantidade de referências que ele trás. Embalado por um trilha com músicas famosas dos anos 80, como Jump, do Van Halen, o longa é um prato cheio para quem gosta dessa mistura de elementos. É possível ver de tudo um pouco da cultura pop, desde citações até ícones que aparecem em tela.

jogador

O Gigante de Ferro é apenas uma das muitas referências do filme

Puxando de memória, temos elementos de jogos eletrônicos, como Street Fighter, Mortal Kombat e Overwatch. Na parte da corrida é possível ver veículos icônicos, como o DeLorean, de De Volta para o Futuro, além das motos de Akira e Tron. Isso sem contar as citações de filmes clássicos, como Clube dos Cinco e O Iluminado. Até mesmo Michael Jackson é lembrado.

Jogador Nº Um é uma experiência cinematográfica bem interessante, principalmente para os nostálgicos. Se você acha que Stranger Things e Everything Sucks! mandam bem nas referências, espera para ver esse filme.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo. Ela e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também. É só clicando aqui!

Ready Player One

Ready Player One
7,3

Roteiro

8/10

    Atuação

    7/10

      Fotografia

      7/10

        Trilha Sonora

        8/10

          Edição

          8/10

            Pros

            • Parece um jogo de vídeo games
            • Referências da cultura pop
            • Crítica ao escapismo digital

            Cons

            • Atuações não tão boas
            • Vilão desinteressante
            • Focou tanto em referências que pecou no roteiro

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