Um estranho no ninho (ou a noite em que fui ver o Palmeiras jogar)

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Nunca fui alguém muito ligado em esportes. As raras ocasiões em que acompanhei competições esportivas mais tinha a ver com a alegria de ver o Twitter se deliciar com o que acontecia (#sdds Copa do Mundo e Olimpíadas) do que acompanhar ferozmente o evento. Dito isso, o que diabos eu fui fazer num jogo do Palmeiras?

Que fique registrado que a culpa é do Matheus. Chegamos em São Paulo para a cobertura da Brasil Game Show um dia antes dela começar, por isso tínhamos um dia vago que pretendia usar para fazer qualquer outra coisa. Foi quando ele comentou que Palmeiras iria jogar contra o Botafogo da Paraíba pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Não me animei muito de início com a ideia em ir assistir um jogo de futebol. Não entendo nada do assunto, venho de uma família de corintianos, apesar de meu asco por futebol me transformar na ovelha negra da família. Não gosto de futebol, amigos. Futebol no geral, mesmo, nem jogo da Seleção escapa do meu desprezo.

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Futebol? Aff

Mais importante que não gostar de futebol, eu não saberia como me portar num estádio. Posso só ficar sentado? Tem wi-fi lá? Posso levar meus fones de ouvido pra assistir alguma coisa na Netflix durante o jogo?

Mas é isso que acontece quando você faz uma faculdade de jornalismo: você também abre a mente para experiências novas, por maior que seja seu preconceito com alguma coisa. E lá estou eu, com um cagaço tremendo de ser o estranho da vez num ambiente que milhares amam e podem não ser tão tolerantes assim com convidados. Ainda mais um convidado que cresceu ouvindo “Salve o Cortinthians….” e sabe muito bem da rivalidade dos dois times.

E os primeiros tapas na cara começaram bem antes de chegar ao Allianz Parque. Quando a gente está acostumado a acompanhar notícias de esporte com certo desdém, o que mais passa pelos filtros e chegam até você é notícia ruim. Logo imaginava um cenário apocalíptico nos arredores do estádio, com cadeiras sendo arremessadas contra pessoas sem motivo aparente e algum velho casca-grossa te desafiando para um duelo por conta de você ter olhado mais de dois segundos para a cicatriz que ele tinha na metade esquerda do rosto.

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Como eu achei que seria chegar no Allianz Parque

Não foi isso que aconteceu (o velho com a cicatriz era bem simpático, até), chegando ao Allianz o que mais via eram famílias, crianças (muitas, por sinal) e pessoas tranquilas que só queriam entrar no estádio assistir ao jogo do seu time favorito.

Não, isso não é uma coisa que acontece sempre, infelizmente. Mas hoje em dia é cada vez mais raro quebra-quebra em estádios. Acreditar que estádios são ambientes violentos é um pensamento ultrapassado demais.

Prefeituras, clubes de futebol e torcidas organizadas tem se empenhado durante tanto tempo para fazer de estádios locais cada vez mais seguros que chega a dar uma vergonha perceber que eu pensava o contrário.

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Entramos no estádio e a pergunta suprema voltou: como eu me comporto nesse lugar? Fico xingando tudo e todos? Arrisco comentários sobre o jogo? Começo a jogar Candy Crush no celular?

Naquela hora valeu o ditado “Está na chuva é pra se molhar” (pode ser até “Tá no inferno, abraça o capeta”, aí vai de quem está lendo), logo entrei na onda e comecei a curtir o jogo.

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Curtiria bem mais se o Palmeiras não tivesse feito um primeiro tempo tão morno. A essa altura tudo o que é possível analisar sobre o jogo já foi feito por gente bem mais competente que eu. Mas o que via era um time que não conseguia finalizações, esbarrando sempre na defesa agressiva do Botafogo da Paraíba.

A essa altura, vale ressaltar que a arbitragem deixava o jogo seguir, mesmo depois de jogadas que claramente renderiam faltas e cartões para ambos os times. Não engrossei o coro de “ei, juiz! Vai tomar no c*!” perto do fim do segundo tempo, mas ele bem que mereceu.

Os frequentes passes errados, a falta de tempo de bola e as parcas finalizações (ou no mínimo lances que valessem a menção) fizeram um esquecível primeiro tempo. Se até eu, que não acompanho nada disso, estava agoniado pela falta de ação do Palmeiras nesse primeiro tempo, imagina o resto da torcida!

A redenção veio aos 10 minutos do segundo tempo, com um pênalti marcado de forma errada para a equipe do Palmeiras. Por “marcou o pênalti de forma errada”, entenda que quem disse isso são os jornais especializados na cobertura do jogo. Eu, sinceramente, não saberia dizer nem se foi pênalti, que dirá falar que não foi.

Quando Jean bate o pênalti e marca o primeiro gol do Palmeiras, minha comemoração se resumiu a erguer os braços e bater palmas em aprovação. Mais uma vez, não sei como me comportar num lugar desses. Já é uma conquista bater palmas e levantar os braços, acredite. Sou uma pessoa que se contém demais nas reações, até o primeiro gol achava que iria comemorar fazendo um aceno de apoio com a cabeça em direção ao campo.

Essa é a magia do futebol: você se contagia pela energia presente no estádio, não apenas vibrei com os outros dois gols do Palmeiras – Rafael Marques aos 17 e Tchê Tchê aos 35 – como realmente entendi um pouco mais sobre esse universo que me é tão estranho.

Não me tornei palmeirense por conta desse jogo, esse não era o foco da experiência. E ela vai além da história do “Corintiano que foi ver jogo do Palmeiras para fazer olho gordo em cima do time”. Última coisa que pensei enquanto assistia o jogo era que minha família é corintiana.

O futebol movimenta pessoas, é repleto de histórias inspiradoras e desperta paixão em muita gente ao redor do mundo. Se surgir a oportunidade, estarei eu lá de novo dentro de um estádio, na torcida do Palmeiras, ou do Corinthians, Botafogo, São Paulo, Flamengo, Boca Júniors, etc.

Independente das preferências, a paixão pelo esporte é maior. Pode não ser uma paixão minha, mas é lindo ver mais de 20 mil pessoas, dentro de um estádio, reunidas em uma só voz, declarando amor a um simples jogo de futebol.

Tem alguma história marcante de idas a estádios assistir o jogo do seu time favorito? Deixe seu comentário 😉

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