O Que Vi Essa Semana: “Invasão Zumbi”

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Existe muito receio com hypes, só porque um filme ou série é comentado por todo mundo não quer dizer que estamos diante de algo realmente bom. Hype não indica qualidade. Mas às vezes pode acabar indicando sim, Invasão Zumbi (Train to Busan/Busanhaeng, 2016) se encaixa nesse caso de hype que tem qualidade.

Antes de tudo, é interessante notar como um filme sul-coreano conseguiu tanto destaque no circuito internacional, inclusive num Brasil que dificilmente recebe filmes que fogem do eixo América do Norte-Europa em suas salas de cinema mais para o interior do estado.

Invasão Zumbi (ok, nem todo hype salva um filme de um título horrível) já ganha inúmeros pontos ao apresentar para o grande público um pouco da produção audiovisual de um país, servindo até de ponto de partida para que as pessoas deem uma chance aos 4500 doramas disponíveis na Netflix (aceito sugestões).

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No filme, o executivo arrogante Seok Woo (Yoo Gong) parte num trem bala rumo à Busan acompanhado da filha, Soo-an (Soo-an Kim), cidade da mãe da menina e ex-esposa de Seok. No meio do trajeto o surto de um vírus que transforma pessoas em zumbis deixa Seok e os demais passageiros do trem encurralados. Com o surto zumbi tomando conta do país, Busan torna-se uma cidade ainda mais importante para Seok, sendo a única cidade segura para Soo-an.

Invasão Zumbi não reinventa a roda. Entretanto, consegue trabalhar bem os conceitos bastante fundamentados de filmes de zumbi e criar soluções criativas para o filme. Apesar de se tratar do zumbi clássico, algumas regras são modificadas e funcionam bem em função da narrativa.

A ideia de situar o filme dentro do trem colabora bastante para o elemento de tensão, presente no filme inteiro. Gosto de filmes que se passam dentro de apenas um cenário justamente por forçar o roteiro a buscar ideias e soluções criativas para fazer a história andar.

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Nesse ponto, Invasão Zumbi lembra bastante Expresso de Amanhã (2013) por ter uma estrutura que usa o cenário em prol de construir tensão. Ambos os filmes brincam com a ideia de que no próximo vagão um desafio ainda maior aguarda os personagens, como na sequência em que Seok, acompanhado de mais dois passageiros, encaram uma série de vagões infestados de zumbis na tentativa de alcançar Soo-an, presa dentro de um banheiro.

Entretanto, na vontade de sempre aumentar o desafio e, consequentemente, oferecer mais tensão ao espectador, o filme do meio para o final começa a apresentar ações pouco coerentes por parte dos seus personagens. Em poucas palavras, os personagens emburrecem de uma hora para outra.

Invasão Zumbi cria situações grandiloquentes demais para sua premissa simplória e encontra como escapatória soluções manjadas para o desfecho de seus personagens. Desconsiderando toda a jornada deles ao optar por um clímax banal que não serve nem para efeito de redenção às ações moralmente questionáveis dos personagens.

O filme justifica seu hype por boas sequências de ação e uma tensão que diverte pela sua engenhosidade. Mas ainda assim, nem todo o hype do mundo consegue fazer um filme escapar de problemas.

Já conferiu o hype de Invasão Zumbi? Deixe seus comentários 😉

Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Invasão Zumbi (Train to Busan/Busanhaeng, 2016)

Invasão Zumbi (Train to Busan/Busanhaeng, 2016)
6,8

Roteiro

5/10

    Atuação

    6/10

      Fotografia

      8/10

        Trilha Sonora

        7/10

          Edição

          8/10

            Pros

            • Boas sequências de ação
            • Bom uso do cenário
            • Construção engenhosa de sequências de tensão

            Cons

            • Pouca coerência nas ações de personagens
            • Clímax pouco inspirado

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