O retorno de Westworld (e da hipérbole)

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Minutos depois do fim da estreia da segunda temporada de Westworld, comentei no Twitter o quanto o drama de ficção cientifica da HBO me soa esquisito. E não de um jeito bom.

A culpa desse meu sentimento conflituoso para com a série é culpa, em parte, da internet que, do alto do seu conhecimento supremo sobre séries de TV, bradava aos quatro cantos o quanto Westworld era uma obra-prima da televisão. O que não é verdade.

Westworld é uma boa série, mas o sentimento de que falta um tempero na série contamina todas as qualidades exaltadas à exaustão pelo Twitter e demais redes sociais.

No retorno, o parque da Delos começa a se recuperar duas semanas depois da rebelião dos anfitriões encabeçada por Dolores (Evan Rachel Wood) a mando (ou não) de Ford (Anthony Hopkins). Paralelo à isso, Bernard (Jeffrey Wright) busca entender sua função no parque após a morte de Ford e Maeve (Thandie Newton) prossegue com sua revolução adquirindo no caminho um aliado improvável.

Simon Quaterman e Thandie Newton em Westworld, alianças improváveis e mudanças no tom da série

Simon Quaterman e Thandie Newton em Westworld, alianças improváveis e mudanças no tom da série

Uma das minhas maiores queixas com a primeira temporada da série veio a partir do oitavo episódio, em que todas as revelações sobre o Homem de Preto (Ed Harris) e as diferentes linhas temporais eram despejadas de forma didática e desinteressante. Westworld cometeu o erro de preparar bons mistérios sem fazer o mesmo na hora de solucioná-los.

A estreia da segunda temporada serviu para recolocar os personagens no tabuleiro e propor novos mistérios, além disso, se mostrou dinâmica, tensa e divertida.

A aliança entre Maeve, Hector (Rodrigo Santoro) e Lee (Simon Quaterman) foi um dos pontos altos do episódio. Newton é uma atriz espetacular e formou uma boa química entre Santoro e Quaterman, sabendo trabalhar o humor em diversos momentos ao longo do episódio.

Talvez a interação no núcleo de Maeve seja o maior indicativo de que Westworld irá mudar seu tom para algo mais aventuresco, o que talvez seja o que faltava para tirar o gosto agridoce da minha boca.

Westworld, mais uma vez, me parecia uma série incompleta e pretensiosa que não sabia segurar os mistérios por conta de um roteiro expositivo demais para o nível de questionamento filosófico a que se propunha. A inclusão de elementos mais acessíveis e dinâmicos como humor e ação, se bem dosados, podem dar um respiro à série e tornar a inclusão e resolução dos mistérios mais agradável.

Quem sabe com essa melhora no tom, Westworld faça por merecer a aclamação desenfreada da internet.

O que você acho do retorno de Westworld? Deixe seus comentários!


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