Ouvimos: Camila Cabello – Camila

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Quando Camila Cabello anunciou sua saída do Fifth Harmony em dezembro de 2016, a internet, frágil que só, quebrou com a notícia. Eu, que não me interesso pelo som do grupo, não dei tanta atenção pro assunto.

Ainda assim, 2017 foi um ano que provou que a carreira solo acaba fazendo bem para muita gente, vide o trabalho excelente de Harry Styles no álbum solo lançado ano passado (desconsiderei os outros ex-One Direction porque, se levarmos em consideração o trabalho solo deles, Styles foi o que mais saiu do lugar comum). Logo, era interessante ficar de olho no que Camila poderia trazer agora que não teria as amarras de fazer parte de um grupo.

Camila, primeiro álbum solo da cantora lançado hoje (12), mostra competência e muito da sua identidade como artista.

Cabello mistura ao longo das onze faixas o baladas pop com toques cubanos, fruto da sua própria cultura. Isso eleva o álbum a novos patamares e, pode até parecer pegar carona no sucesso de “Despacito” ano passado, mas consegue ir além.

No álbum, canções que versam sobre os benefícios, prejuízos e dúvidas de se entregar à paixões poderosas. “Never Be the Same”, primeira faixa, explora amores entorpecentes que transformam com apenas olhares. É interessante ver como, numa escala bem mais sutil, existem toques cubanos na canção.

“Never Be the Same” é uma balada mais protocolar que, apesar de trazer uma letra poderosa, não exigiria tantas experimentações por parte dela, mas Cabello faz questão de incluir a percussão para afirmar sua identidade, melhorando o resultado final.

“All These Years”, segunda música de Camila, aborda arrependimentos de um relacionamento que acabou precocemente. É, talvez, uma das mais brandas de um álbum predominantemente dançante. Ainda é uma boa, mas parece ser aquela que vai ficar apagada no fim das contas, visto que o álbum ganha em qualidade do meio para o final.

“She Loves Control”, terceira faixa, é divertida ao trazer a obsessão por controle que impede a vivência de novas experiências e amores. É o pontapé inicial de uma sequência de faixas em que Cabello abraça de forma belíssima sua herança cubana.

“Havana (feat. Young Thug)”, quarta faixa, já era sucesso antes mesmo do lançamento e, somada à “Inside Out”, quinta canção do álbum, representa duas músicas que abordam o amor dividido que Cabello sente por Cuba e Miami e a necessidade de externar tais sentimentos.

Apesar da excelente sonoridade, as duas músicas são as mais fracas dentre um álbum repleto de letras bem construídas. “Inside Out” ainda se sobressai em comparação aos “uh na na” de “Havana”. Um medo de ousar demais ao juntar letras mais complexas num ritmo que pode causar estranheza em quem não conhece? Talvez, mas são canções boas, apesar de tudo.

“Consequences” abre o melhor momento do álbum, Cabello canta sobre as consequências  de se entregar demais à um relacionamento. Consequências que também são mostradas em “Real Friends”, que versa sobre solidão e amizades insinceras. Uma indireta para o Fifth Harmony? Duvido, Cabello tem mais o que fazer do que dar indiretas no álbum de estreia.

As três últimas canções do álbum, “Something’s Gotta Give”, “In the Dark” e “Into It” se mostram as melhores (acompanhado de “Consequences” e “Never Be the Same”) de Camila, numa boa junção de ritmos com letras interessantes e repletas de significado. Versando, principalmente, sobre aceitação de paixões inesperadas, sentimentos reprimidos e amores que sofrem para se manter na mesma página.

O ponto mais louvável de Camila é a busca bem-sucedida de Cabello em apresentar sua identidade ao público. Uma identidade que celebra sua terra natal ao mesmo tempo em que soa familiar com o que temos no pop atualmente. Um álbum bem equilibrado e com a confirmação de que ficar de olho no que essa moça está fazendo é a melhor decisão que você pode tomar em 2018.

Qual sua faixa favorita de Camila? Deixe seus comentários!


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