Ouvimos: The Killers – Wonderful Wonderful

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The Killers é uma das bandas de indie rock mais populares da última década, talvez até de todos os tempos. Suas músicas levantam uma legião de fãs ao redor do mundo, eu incluso.

Logo, era animadora as notícias do lançamento de Wonderful Wonderful, sexto álbum da banda e o primeiro em mais de cinco anos de inatividade. Quer dizer, mais ou menos, pequenas declarações da banda acendiam o sinal vermelho de qualquer fã.

A começar pela saída de Dave Keunning (o guitarrista) e Mark Stoermer (o baixista) da turnê por motivos pessoais. A verdade é que não é de hoje que a relação entre os membros do The Killers parece abalada, talvez seja só em Wonderful Wonderful que isso parece mais palpável.

Isso preocupa qualquer um, lógico, ninguém que ver a história da sua banda favorita manchada por rivalidades e brigas. Some a isso declarações do vocalista Brandon Flowers falando coisas como “experimentamos tanto a ponto de ficar desconfortáveis” e a luz vermelha que acendera recentemente começa a piscar feito louca.

No fim era só preocupação mesmo, Wonderful Wonderful se mostra um bom álbum. Na verdade, ele soa confortável até demais.

The Killers repete em Wonderful Wonderful temas dos álbuns anteriores, principalmente BattleBorn. A banda discorre ao longo de dez canções sobre ingenuidade, confiança, maturidade, amor e insegurança. São temas universais, não é necessário forçar muito para vê-los nas letras muito menos sentir alguma identificação com isso.

A identificação com os temas do álbum aumenta ainda mais tendo em perspectiva que muitas das músicas tiveram como inspiração a infância conturbada de Tana Munblowsky, esposa de Flowers.

Não é um problema irreparável a repetição de temas. Dá a impressão que a banda não evoluiu, mas The Killers sempre soou mais como um grupo cuja sonoridade reside no que é familiar do que em experimentações megalomaníacas que fogem do controle.

A experimentação existe em Wonderful Wonderful, mas de forma contida. Talvez o maior exemplo disso fique em “The Man“, segunda faixa do álbum, e “The Calling“, a nona.

Nessas duas, o elemento eletrônico e dançante se sobressai, mas ainda assim de forma controlada e pacífica. Ainda que “The Man” seja a que mais cause estranheza, sendo a mais fora da curva dentre todas as músicas que o The Killers lançou até agora.

Rut” e “Life to Come“, terceira e quarta faixa, respectivamente, representam as faixas mais inspiradoras do álbum. “Rut” foi escrita por Flowers tendo como base o desafio dele de lidar com o TEPT da esposa. É interessante, inclusive, como Flowers entregou-se em Wonderful Wonderful com letras que exploram arrependimentos e inseguranças. O álbum soa como um pedido de desculpas e uma afirmação de que Flowers é tão quebrado quanto às pessoas ao seu redor.

“Rut”, “Life to Come” e “Run for Cover” (esta sendo a quinta faixa) trazem muito do rock mostrado em Sam’s Town e BattleBorn. Entretanto, sinto que a produção de “Run for Cover” pesou demais no instrumental, deixando-a barulhenta e alta demais, as versões ao vivo da faixa soam mais agradáveis.

Outro ponto notável do álbum é como ele explora ao máximo a potência vocal de Flowers, alcançando notas altas faixa após faixa, sempre nos refrões. “Tyson vs Douglas“, sexta música de Wonderful Wonderful, mostra isso, além de ser bastante chiclete.

O álbum inteiro é permeado por músicas fáceis de aprender, isso é bom e contribui para a manutenção de um dos maiores pontos fortes da banda: a capacidade de movimentar uma multidão inteira cantando uma música, coisa feita com “Somebody Told Me“, “Mr. Brightside” e “Human“. Talvez esse tenha sido o maior problema de BattleBorn: músicas que não prendem da mesma forma que as canções anteriores. Wonderful Wonderful consegue esse efeito.

Some Kind of Love” é a calmaria presente num álbum predominantemente dançante, uma boa música e que na certa irá cair nas graças do público com o tempo, da mesma forma que aconteceu com “Be Still” nos tempos de BattleBorn.

A oitava faixa, “Out of My Mind” retorna o aspecto dançante depois de “Some Kind of Love” e referencia os tempos de Day & Age. Na minha cabeça, soava muito com “Joy Ride“, do álbum de 2008. Não é inteiramente ruim, a pegada dançante de Day & Age agrada ainda hoje, é legal ver que Wonderful Wonderful trouxe isso de volta.

A última faixa do álbum, “Have All the Songs Been Written?“, assusta um pouco. Flowers questiona se chegaram ao fim da jornada e não há mais o que ser feito. Assusta pois, se considerarmos o afastamento de Keunning e Stoermer, não seria surpresa o fim definitivo da banda.

O medo é real, Keunning não parece ter vontade nenhuma em palco e Flowers se mostra incomodado com isso, afetando o desempenho deles. Wonderful Wonderful é um ótimo álbum, mas tem-se a impressão de ter sido feito apenas por obrigação.

Contudo, “Have All The Songs Been Written?” soa como a despedida de Wonderful Wonderful. Hot Fuss, Sam’s Town e Day & Age tiveram coisas parecidas no encerramento com “Everything Will be Alright“, “exitlude” e “Goodnight, Travel Well“, respectivamente. Talvez seja apenas uma tradição do The Killers.

O que conforta é justamente saber que o grupo continua bom e familiar, com ou sem problemas nos bastidores da banda. É louvável ver o quanto a banda consegue experimentar sem renegar suas raízes, Wonderful Wonderful mostra isso.

Qual o seu momento favorito de Wonderful Wonderful? Deixe nos comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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