Oxenfree, um game instigante e belo tecnicamente

Navegar por...

Uma das coisas mais brilhantes da Steam é a possibilidade de conhecer games incríveis que não necessariamente fazem parte do mainstream. Claro, gastar horas e horas com Skyrim é ótimo e eu ainda preciso aprender a jogar Dota 2 com o mínimo de dignidade, mas é nos games indies e pouco conhecidos da Steam que temos experiências brilhantes de storytelling. Como é o caso de Oxenfree.

Primeiro game da NightSchool Studios, softhouse formada por ex-funcionários da Telltale e da Disney, Oxenfree é um game do gênero graphic adventure em que você acompanha e controla a jornada de autodescoberta de Alex, uma adolescente que tenta superar a morte do irmão, Michael. Ela parte para a deserta Edward’s Island junto de seu melhor amigo Ren e seu recém adquirido meio-irmão, Jonas, para uma noite de bebedeira descompromissada.

Na ilha, eles se encontram com Clarissa, ex-namorada de Michael e que tem uma relação bastante agressiva com Alex, e Nona, da qual Ren é apaixonado.

Alex e seus amigos em uma clássica noite de bebedeira inconsequente que dá errado

Alex e seus amigos em uma clássica noite de bebedeira inconsequente que dá errado

Além das relações complicadas entre os jovens (Alex se culpa pela morte de Michael e não consegue se conectar com Jonas por medo de esquecer o irmão), o mistério do que fez a Edward’s Island tornar-se deserta começa a intrigar os cinco. A ilha servia de base militar até o naufrágio de um submarino experimental por fogo amigo que vitimou toda a tripulação.

Esse mistério começa a ser revelado após Alex começar a utilizar seu rádio portátil para captar ondas de rádio que sequer deveriam existir. Não demora até que a noite de bebedeira se transforme em pesadelo quando os fantasmas dos tripulantes do submarino naufragado começam a fazer contato e colocar a vida dos cinco em perigo.

Apesar da temática sobrenatural, Oxenfree não se sustenta no terror e jump scares que estamos acostumados em games de survival horror. É um game que prioriza sua história e, principalmente, o desenvolvimento de seus personagens.

Adam Hines, roteirista do game, conferiu personalidades extremamente cativantes e criveis para Alex e seus amigos. Tanto que o mistério da ilha fica em segundo plano em diversos momentos e/ou serve apenas de estopim para avançar o desenvolvimento pessoal de cada um.

É interessante como Oxenfree usa os clichês e tropes do gênero teen e brinca com eles para fazer a história andar. Paralelo à isso, o mistério da ilha garante que cada uma das suas escolhas terá uma consequência.

Durante a minha gameplay, me peguei diversas vezes agoniado com o que estava acontecendo e me colocando no lugar de Alex, uma vez que era uma situação praticamente impossível de se resolver com garantia de sanidade intacta. Oxenfree é um game que te coloca no limite e te força a tomar decisões que você nunca esperou tomar.

Somado a isso, fica o excelente trabalho artístico do game, que funciona num 2.5D com toques de aquarela. As paisagens do game são belíssimas e favorece o aspecto do game de ser algo a ser contemplado enquanto joga.

Em Oxenfree, cada diálogo te leva a um final diferente

Em Oxenfree, cada diálogo te leva a um final diferente

O som do game é, dentre todos os aspectos, o maior trunfo. A trilha composta por scntfc contribui para a imersão, sendo um personagem tão vital para a história quanto Alex.

Oxenfree ainda tem um excelente fator replay, que permite ao jogador buscar finais alternativos, conectando-se de forma bastante estreita ao conceito da Edward’s Island e Alex estarem presas num loop temporal. Mais uma vez, suas escolhas definirão a agradabilidade ou não desses finais.

Um problema que fica muito evidente no jogo são diversos momentos de marasmo ao longo de uma gameplay que toma cerca de 4 horas do seu tempo. Sim, em diversos momentos do game, nada acontece.

Essas lacunas deixam Oxenfree falho por não aparentar ser um game com maior sustância. Dá-se a entender que faltou um “algo a mais”, por mais que os replays prometessem apresentar esse algo a mais, só a promessa não segura o jogador. Problema que poderia ser resolvido com mais linhas de diálogo para explorar seus personagens tranquilamente.

Oxenfree é belo tecnicamente, bem escrito e com uma jogabilidade simples, mas gostosa de acompanhar. Acima de tudo isso, Oxenfree é instigante.

O game, lançado em 2016 está disponível para PC, XboX One e PlayStation 4.

Jogou Oxenfree e desvendou todos os mistérios da Edward’s Island? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Oxenfree (2016)

Oxenfree (2016)
7,75

História

8/10

    Jogabilidade

    6/10

      Gráficos

      7/10

        Som

        10/10

          Pros

          • Excelente fator replay
          • Som bem trabalhado
          • Personagens cativantes

          Cons

          • Modo história curto
          • Momentos de marasmo ao longo do game prejudicam a experiência

          Comentários

          comentário(s)