Ozark é uma série básica, mas com potencial.

Navegar por...

Quem é universitário e começa a estagiar sabe que o tempo começa a ser algo precioso nesta fase, e que muitas vezes nesta correria cotidiana acabamos não reservando uma parte do nosso dia para fazer algo pelo puro prazer de não fazer nada, ou melhor, ficar no ócio.

Em meio a esse ritmo louco, nos últimos três dias decidi aproveitar para fazer algo que não fazia há muito tempo, pegar uma série e assistí-la do começo ao fim. E foi assim que comecei a ver Ozark.

A websérie original da Netflix criada por Bill Dubuque e Mark Williams, lançada em junho de 2017, chamou minha atenção após ver um vídeo onde o IzzyNobre falava sobre seu enredo e pontos positivos e negativos, acrescentando que poderia agradar quem gosta de Breaking Bad – série que nunca terminei de ver, fiquei na S1E7 desde 2015.

Acredito que se você nunca viu Ozark mas sim BB já começou a entender um pouco a respeito da história – mesmo eu considerando ambas um tanto quanto diferente, e que só casam em poucos momentos. Porém, devemos levar em consideração que Ozark só teve sua primeira temporada, o desenvolvimento da história não pode se comparar as 5 temporadas de Breaking Bad.

Ozark_header

Mas vamos lá; Ozark se encaixa muito bem para alguém como eu que não tomo atenção a determinada série antes que ela chegue na sua 4ª temporada, o que me força a gastar muito tempo para vê-la.

Com apenas 10 episódios com certa de 1h de duração, sua trama prende o espectador com pequenos pontos que são deixados nos episódios, ou apenas para vermos o que acontecerá no fim.

Mas como é a série?

A história em si é básica, Marty Byrde (Jason Bateman) é um contador financeiro em Chicago que tem uma ótima vida lavando dinheiro para o segundo maior cartel de drogas mexicano e que após um fracasso no ‘trabalho’ fica em dívida com o traficante Del Rio (Esai Morales), o que o força encontrar uma nova chance de lavar o dinheiro e salvar a vida de sua família, e é neste momento em que o Lago de Ozarks entra na história.

Sim, o Ozarks é um local verdadeiro, sendo um lago turístico no interior do Missouri, local onde o criador da série, Dubuque, se inspirou para construir a história após trabalhar durante a juventude. Mas o mais notável é ver como Bateman consegue se moldar para viver seu papel dramático, visto que estamos mais acostumados a ver o ator em comédias.

ozark-cast

Mas como eu ia dizendo, é o básico: um cara bom que em algum momento da vida decide se dar bem ilegalmente por ser bom no que faz, mas que acaba arranjando alguma tensão que o força a sair do conforto para cuidar daqueles que amam.

A base do drama/suspense policial da web-série é esta, Marty fazendo tudo o que pode (e não pode) para manter sua esposa Wendy (Laura Linney) e seus filhos a salvo.

A construção da trama:

A trama apresenta elementos interessantes ao decorrer dos episódios, onde somos apresentados lentamente a cada um dos personagens e seus problemas, em especial a família Byrde. Cada membro, Marty, Wandy, Charlotte (Sofia Hublitz) e Jonah (Skylar Gaertner) precisam superar as mudanças brutas que passaram e aprender a viver neste ambiente que começa a apresentar suas ameaças com o passar do tempo.

Cada núcleo de Ozark é bem explorado, deixando claro quem é o protagonista de cada arco. Os rumos escolhidos pela produção nos entrega um falso/credível sentido de perigo, principalmente por sabermos que é pouco provável que algo ocorra com os protagonistas (algo que me fez olhar no preview do último episódio para saber se havia alguma dica sobre uma possível morte).

1 CdPxM9856IidrFPJviQGCw

Alguns personagens em determinado momento sofrem uma ruptura daquilo que seu suposto arquétipo pressupõe, até que vem o momento da revelação daquilo que eles estão se tornando e chamam ainda mais a atenção, principalmente pela tensão que isso gera em alguns momentos da trama (em especial uma cena do último episódio)

Outro ponto positivo é que tudo parece verídico, não há muitas pontas soltas durante a maioria dos episódios e na maneira que tais personagens interagem e fazem suas escolhas, na maioria das vezes guiados pela vontade de salvar sua pele, independentemente de quem seja. Isso é mais influenciado ainda pelo filtro azulado da série, que aumenta ainda mais a falta de sentimento que os tons frios transmitem, e que são deixados de lado em pouquíssimos momentos.

Os diálogos são bem encaixados e não parecem estar fora de contexto ou forçados apenas para apresentar determinada situação, mesmo que em determinado momento a série peque ao apresentar elementos que não são concluídos e que pouco servem para aprofundar os personagens de forma positiva, deixando apenas rastros do que aconteceu mas sem necessidade, como se estivesse ali só como um episódio e não como parte da narrativa, algo que me incomodou e me fez esperar que a segunda temporada explore e responda mais do que foi mostrado.

1 kKNGvBUcXfmb1l1FQyP5uA

Mas mesmo sendo uma série com um conceito básico e de temática adulta, é interessante ver como Ozark conseguiu nesta primeira temporada construir e seguir a narrativa, prendendo quem a assiste, principalmente com o plot do final, quando certas ações podem tomar consequências maiores e que podem dizer muito do que esperar dos personagens para a próxima temporada.

Então se você, caro Jotinha, está interessado em alguma série pé no chão com trama que envolva o drama e suspense, passe este fim de semana assistindo Ozark e venha aqui dizer o que acharam.

Valeu, galera!

Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

 

Comentários

comentário(s)