Pantera Negra é o herói que Wakanda e o mundo precisavam

Navegar por...

Sempre que um filme da Marvel chega aos cinemas, eu evito a “bronca” de fazer a crítica. Por ser um grande fã de suas produções e gostando de praticamente tudo o que a produtora oferece, penso que minhas palavras possam ser corrompidas pelo meu lado fanboy.

Por conta de um motivo ou outro, acabei pegando a “responsa” de fazer a crítica de Pantera Negra, que chegou essa semana aos cinemas do Brasil. Quando assisti ao filme estrelado por Chadwick Boseman, esperava ver a fórmula Marvel em prática. E ela esteve lá, mas nem por isso o produto final foi menos surpreendente.

Pantera Negra tem todos os elementos que a Marvel trouxe para seu universo cinematográfico. Temos uma grande cena de ação como abertura, temos piadas e temos um vilão ao qual podemos escolher se amamos ou odiamos. Tudo está ali, mas de um jeito diferente do que já vimos.

pantera-negra-3

O filme se passa exatamente após os ocorridos de Capitão América – Guerra Civil (2016). O Rei T’Chaka (John Kani) fora morto por Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan) e seu filho T’Challa (Chadwick Boseman) retorna ao reino de Wakanda para assumir seu posto de novo comandante daquela pátria que capa de terceiro mundo, mas altamente tecnológica. Sem deixar sua raiz mística de lado.

Neste ambiente, o filme consegue, com felicidade, retratar um cenário africano. Pantera Negra consegue trabalhar muito bem o conceito de legado, passado de geração para geração pelo povo wakandiano. As atuações tonam as premissas tradicionais críveis, com seus rituais, cenários criados e, principalmente, a utilização de cores vibrantes, característica tão comum de povos africanos.

E é justamente neste cenário que o filme se desenvolve. Ao contrário dos filmes da Marvel, onde o vilão era algo imponente, com poderes mágicos ou coisas do tipo, em Pantera Negra o vilão “é gente como a gente”. Erik Stevens, interpretado por Michael B. Jordan retorna ao reino em busca de algo é seu por direito: o poder.

A situação começa a se encaixar, já que ela é apresentada de forma introdutória na primeira cena do filme. Todas as eventuais dúvidas serão respondidas ao longo do filme e o que torna o conflito central ainda mais atrativo ao público.

Marvel Studios' BLACK PANTHER..L to R: Erik Killmonger (Michael B. Jordan) and T'Challa/Black Panther (Chadwick Boseman)..Photo: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018

Algo que vale ressaltar nesse filme é a atuação. Primeiro temos Chadwick Boseman, um dos atores mais interessantes dessa nova safra. Se você conhece o ator apenas por suas participações nos filmes da Marvel, por favor, vá além.

O ator de 41 anos é muito mais que um aspirante a super-herói. O interessante de sua carreira é que ele tem se especializado em interpretar personagens que quebraram paradigmas. Foi assim em 42 – A História de uma Lenda, foi assim em Marshall, que concorre ao Oscar deste ano e está sendo assim em Pantera Negra.

Chadwick está sendo o responsável por levar os heróis a um lugar onde eles nunca estiveram. É cada vez mais comum atores e atrizes de todos os tipos, cores e formas assumirem papéis de heróis. Nada apenas de homens brancos. Com Pantera Negra, Boseman faz algo para Marvel o que Gal Gadot e Mulher Maravilha fizeram com a DC. Eles abriram portas para que a representatividade seja maior cada vez mais e de maneira orgânica.

Tudo bem que já tivemos heróis negros, como o Falcão (Anthony Mackie) e a Máquina de Combate (Don Cheadle) nos próprios filmes da Marvel. Da mesma maneira que tivemos heroínas como a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen). O grande diferencial é agora, eles deixaram de serem personagens secundários. Eles ganharam o protagonismo.

1518830942813697

Outro ponto positivo do filme é o elenco de que acompanha o protagonista. O destaque vai para Shuri (Letitia Wrigh), sua irmã mais nova. Por conta da linha sucessória, o trono fica para T’Challa. A grande surpresa é que a caçula não perde em nada para o mais velho, uma vez que ela se apresenta uma cientista brilhante, com mente e atitudes inovadores em seu reino tradicionalista.

Quem também manda super bem são Nakia (Lupita Nyong’o) e Okoye (Danai Gurira). A primeira, interesse amoroso do protagonista, guerreira a sua maneira que está longe de sua terra natal na busca de seu ideal de ajudar o próximo. A segunda, Líder das Dora Milaje, dará tudo para defender Wakanda.

pantera-negra-chadwick-boseman-danai-gurira-lupita

Ao trabalhar o ideal de legado e tradições, Pantera Negra se torna o mais filme mais surpreendente já lançado pela Marvel nesses 10 anos de MCU. Por mais que as piadas estejam ali, algumas até bem fora de hora, o longa ganha pontos por sua sobriedade, seja de uma relação do protagonista com sua mãe Ramonda (Angela Bassett), ou seja por tudo o que é passado em cena no desenrolar da trama.

Pantera Negra não é apenas o herói que Wakanda precisa. Ele é o herói que o mundo novo precisa. Wakanda Forever!

Dirigido por Ryan Coogler e com grande elenco, que ainda teve Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Forest Whitaker e Andy Serkis,  Pantera Negra chegou aos cinemas em 15 de fevereiro.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

Pantera Negra (Black Panther - 2018)

Pantera Negra (Black Panther - 2018)
9,2

Roteiro

9/10

    Atuação

    9/10

      Fotografia

      10/10

        Trilha Sonora

        10/10

          Edição

          9/10

            Pros

            • Atuação do elenco como um todo
            • Roteiro diferente do padrão MCU
            • Quebra de paradigmas e aumento da representatividade

            Cons

            • Piadas em horários inapropriados
            • Alguns CGI's bem aparentes

            Comentários

            comentário(s)