Parasyte – Volumes #1 a #5

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Parasyte é o nome ocidental dado ao mangá Kiseiju, que foi publicado entre 1988 e 1995. Ele que (pseudo)inspirou mangás de renome atuais como Tokyo Ghoul, Shingeki no Kyojin (Attack on Titan) e Ajin, só veio a ser adaptado para uma versão anime em outubro de 2014, depois que o gênero ganhou mais espaço no gosto dos fãs de animes.

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Aproveitando o sucesso do anime, a editora JBC decidiu então por publicar o mangá pela primeira vez no Brasil, completo em 10 volumes totalizando 64 capítulos. A publicação ocorreu mensalmente entre setembro de 2015 e junho de 2016. O mangá tem capa em laminação fosca, é impresso me papel offset, no formato 13,5cm x 20,5cm e seu preço de capa é de R$16,90.

O seinen é escrito por Hitoshi Iwaaki, que já naquela época transpunha em sua obra uma preocupação com poluição, depredação da natureza e mutualismo de seres vivos, quando este tipo de conceitoapenas engatinhava. Iwaaki de maneira bem sucinta e discreta encaixa estes conceitos na trama da mangá. Para o leitor de hoje, sustentabilidade já é um assunto batido, mas certamente em sua publicação original provocou imensas reflexões. O que é possível se analisar nas “cartas ao autor”, onde Iwaaki respondia comentários dos leitores de Parasyte.

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Parasita atacando um ser humano

Sinopse: “Criaturas desconhecidas começam a surgir por toda a parte, tomando controle do corpo de pessoas comuns e se alimentando de outros seres humanos. Shinichi Izumi acaba “hospedando” uma dessas criaturas em sua mão direita. Os dois conseguirão viver em harmonia? Será que o mundo sobreviverá a essa invasão?”

A sinopse presente na capa do volume #1 expressa muito bem plot de Parasyte, Shinichi Izumi era apenas um estudante de ensino médio até que Miggy, um dos parasitas misteriosos, tenta se hospedar em seu cérebro, porém Miggy falha e consegue apenas se apoderar do braço de Shinichi. Existem diversos parasitas no Japão e no mundo, muitos deles conseguem se hospedar com sucesso e diferente de Miggy, eles devoram a cabeça do hospedeiro e tomam o controle do corpo todo.

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Shinichi

Os parasitas que se hospedam com sucesso passam a devorar humanos para se alimentar, já parasitas como Miggy dependem apenas dos nutrientes no sangue do hospedeiro. Os parasitas podem “sentir” outros parasitas até um raio de 300m e tem capacidades cognitivas muito similares as dos humanos, por isso podem aprender a falar, escrever e etc. Todos eles podem alteram a forma da área dominada, se esticando, ficando flexível como um borracha ou rígido como o aço, e claro, eles usam isso como arma.

A princípio você vai estranhar um pouco a arte, além da obra ter quase 30 anos, ela tem traços puxados pro realismo. Mas em momento algum parece ser preguiçosa, em alguns quadros abertos em páginas duplas, Iwaaki mostra todo seu potencial artístico. É interessante como o autor consegue com padrões de traços simples diferenciar quem é humano de quem é parasita.

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Miggy

Por se tratar de um seinen, se espera uma narrativa um pouco mais madura e nisso Parasyte acerta na mosca. Além dos quadros gores, com pessoas mutiladas e dilaceradas, retratando a crueldade e frieza dos parasitas. Nos deparamos com reflexões existenciais do tipo “qual o sentido da minha existência?”, “é correto eu predar outros animais”, “o meu conforto vale os sacrifícios do ambiente ao meu redor?”, “e se a raça humana deixar de ser a raça dominante no planeta?” e etc. Todas estas reflexões não soam forçadas, pois dados os acontecimentos, estes seriam questionamentos que qualquer ser inteligente se faria.

Até o volume #5 eu apreciei muito a evolução de Shinichi, é muito interessante a angústia dele quando ele age de forma mais fria, não sabendo se é por conta de um amadurecimento pela guinada radical em sua vida ou se isso é por conta do parasita hospedado em seu corpo. Ao mesmo tempo, Miggy também passa a despertar traços humanos, nada muito significativo até aqui. No início temos Shinichi agindo puramente pela emoção e Miggy pela razão e ao longo da história isto vai sendo quebrado.

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Shinichi e Miggy enfrentando um parasita

Os personagens secundários, principalmente as mulheres, são muito bem trabalhados e tem uma importância absurda para a trama. Até certo momento eu tinha receio do mangá se torna um harém de romances inconclusos ao maior estilo japonês. Gratamente eu estava enganado, existem interesses amorosos na relação de Shinichi com estas garotas, mas isto é trabalhado de forma muito adequada.

O mangá até aqui vem sendo uma experiência incrível e não consigo vê-lo apenas como um entretenimento qualquer. Ficarei devendo uma conclusão mais detalhada para vocês, mas prefiro fazê-la ao final do mangá no volume #10. Até a próxima!

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Links: Mangás JBC | My Anime List

 

Parasyte - Volumes #1 a #5

Parasyte - Volumes #1 a #5
9,2

ENREDO

10/10

    PERSONAGENS

    10/10

      DESENVOLVOMENTO

      9/10

        ARTE

        9/10

          Custo-benefício

          8/10

            Pros

            • Acão gore
            • Reflexões filosóficas
            • Interação entre os personagens

            Cons

            • Arte datada

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