Pequenas coisas que você faz para se sentir vivo

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O ano está acabando, mas os dramas da vida não. Segue sempre ao longo de nossos dias, escolhas, reflexões, e uma porção de sonhos que não alcançamos, seja pelo motivo que for. A velha história de “tá todo mundo mal”, “o que está acontecendo com a vida”. Foi nesse turbilhão de sensações boas e ruins que seguiu o meu confuso ano.

Houve certa dificuldade de separar o joio do trigo, de somar tudo aquilo de positivo que aconteceu. As necessidades de ser alguém maior e de sumir do lugar em que eu estava eram tantas, que acabei não percebendo as pequenas coisas que criei para me sentir mais viva.

Há algum tempo, eu espero a minha mãe dormir e, quando fico sozinha na sala, fecho a porta, ligo uma canção bem animada (num volume não tão alto) e danço sozinha, do jeito que quero. Coloco a televisão no mudo, para ter uma pequena luz e enxergar o chão. Se eu deixasse a janela aberta e alguém, por acaso, olhasse de fora, iria ver um cenário curioso de alguém muito jovem, com um pijama nada sexy, e no balanço de um descompasso dos próprios pés. É libertador.

Comecei a me maquiar mais, na esperança de esconder meus traços de cansaço, o que funcionou perfeitamente bem para a estética. Parei de correr, mas esses dias fui correr na chuva (deve ser por isso que peguei gripe). Não me importei com os olhos estranhos das pessoas em seus toldos, e senti uma imensa vontade de pular, requebrar ou socar o ar, mas achei que estaria passando dos limites, então me contive.

Assisti um punhado de séries novas, de drama e ficção. Voltei a conversar com Deus e usar a bíblia como biscoito da sorte (abrindo em qualquer página e lendo, como se aquelas mensagens que eu não entendo nada, uma hora, fizessem sentido). Mudei minhas roupas, comecei a perder a vergonha e dançar em festas. Sabe por quê? Porque a vida é muito curta para a gente perder tempo com medo do que estão pensando da gente. E naqueles dias em que você respira, mas se sente morta, você começa a criar comportamentos que te lembram como é sentir alguma coisa, além de preocupação e neuras.

Joga uma água no rosto, se belisca, faz um macarrão no capricho, inventa. Corre lá, a vida é muito boa, a gente só precisa se lembrar de como ela era antes da gente entristecer.

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