Quando nossos heróis envelhecem – Reino do Amanhã | Resenha

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Sempre gostei de bons arcos de quadrinhos: histórias que nos apresentam outra visão dos personagens, que nos fazem refletir junto de seus dilemas e onde vemos o peso da decisão que os heróis tomam para resolver tal problema.

Mas infelizmente, não pude presenciar e comprar as primeiras edições de histórias renomadas, muitas vezes recorrendo a leituras on-line ou resumos de Wikipédia para entender um pouco sobre as minisséries. Mas quando vejo uma edição encadernada, ah, rapaz, aí me segura, porque o desejo de levá-la pra casa me toma fortemente!

E foi assim que na última quarta eu comprei Reino do Amanhã, durante um passeio no shopping. As quatro edições em capa dura, e o melhor, com 60% de promoção. Sim, foi um achado.

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Lançado há mais de 20 anos, sendo o fruto da união entre o quadrinista Mark Waid e o ilustrador Alex Ross (que admiro muito por suas ilustrações foto realísticas e os visuais tradicionais dos heróis), essa minissérie é considerada até hoje uma das melhores histórias da DC Comics.

E que se você é fã de quadrinho, com certeza vale a pena adicionar à sua coleção!

Aposentadoria dos heróis

A história de Reino do Amanhã se passa 20 anos após a Era dos Heróis (década de 80 ou 90) e é vista a partir da visão do pastor Norman McCay e Espectro.

A figura fantasmagórica escolhe McCay para o acompanhar como guia em sua (não) ‘missão’, observando cada personagem desta história, mostrando o rumo caótico que o nosso planeta tomou após o sumiço de Superman e a Liga da Justiça.

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Curiosidade: O visual do pastor McCay foi inspirado no pai de Alex Ross, Clark Ross, que também é pastor.

Desde então, novas gerações de super seres nasceram, porém estes não são guiados pela ética e a moral de seus antecessores, o que faz com que os novos ‘heróis’ não hesitem em matar o inimigo, e pior, que lutem entre si, por pura diversão, colocando a vida dos cidadãos em risco.

‘Em nome da moral e bons costumes’

E é exatamente por conta de um desses eventos, que o Superman reaparece, junto da Liga, para tentar endireitar esses jovens do ‘mundo novo’, mostrando como verdadeiros heróis devem se portar. O que também não é muito bem visto, gerando mais atos de rebeldia e a formação de frentes a favor e contra o retorno da equipe.

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Como é esperado, uma dessas frentes é liderada por vilões interessados em destruir os planos de reabilitação dos heróis, utilizando o trunfo que possuem em suas mãos, o Capitão Marvel (Shazam para os íntimos) contra o Superman, trazendo um marcante e importante confronto final entre os ex-colegas.

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O passado e o presente

O que me atraiu nesta história foi ver como os heróis mudaram, mas continuam com seus mesmos ideais de décadas atrás. Os pesos e fantasmas que cada um possui, a forma com que eles se adaptaram a este novo mundo são interessantes de se ver, uns optando pelo exílio, outros, continuando com seu papel de guardião, mesmo que nas sombras.

Além disso, a forma que as alianças são construídas e ‘pequenas coisas’ relembraram-me de características marcantes de cada herói. O que enche meu coração de fã.

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Pois é, Batman, pois é…

O dilema do Super-Herói

Temos também, presentes do começo ao fim de Reino do Amanhã, os dilemas morais de cada herói. Quando se trata de resolver os problemas, vemos confrontos por conta de posicionamentos opostos sobre qual é a melhor alternativa: Diplomacia ou guerra? Uma vida vale mais que várias? Devemos conquistar a paz através da força e derramamento de sangue?

Tais dilemas se fazem mais presentes entre Superman, Mulher Maravilha e Batman. Desde a humanidade que foi adquirida pelo extraterrestre, a honra e ânsia pela batalha da Princesa Amazona ou o valor (mesmo que não ortodoxo) pela vida que o Homem Morcego possui.

Suas diferenças e semelhanças geram ótimos momentos de tensão entre os heróis, e que colocam a nós, leitores, para refletir sobre qual seria a melhor solução para controlar a situação.

Reino do Amanhã

‘World’s finest’

Narrativa envolvente

Outro ponto honroso de Reino do Amanhã é a sua narrativa. Em cada capítulo (ou livro) temos a introdução com trechos do livro de Apocalipse, o que agrega a história um ar tenso e de perigo eminente.

E isso não acontece apenas pelos acontecimentos serem vistos do ponto de vista do pastor McCay, mas pelo fato desses eventos (da HQ) casarem exatamente com o que está escrito nas profecias do apóstolo João. O que para mim, agregou um tom poético à história.

Reino do Amanhã

A visão épica do retorno da Liga da Justiça

Finalizo este texto com o sentimento de satisfação. Este gerado pela história da HQ, que me fez compartilhar com vocês esta resenha. Ter essa narrativa que nos traz uma visão dos heróis mais velhos e o rumo que o planeta tomou durante seu sumiço – e não nego, a arte de Ross – fazem de Reino do Amanhã uma peça de mestre da DC Comics.

E que mesmo após 20 anos de seu lançamento continua cativante e envolvente, abordando temas que, mesmo que indiretamente nos deparamos diariamente, sejam crises de fé, o valor da moral sobre a vida e a morte, a importância de acreditar que tudo pode sim ter uma saída, mesmo que não aparente.

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Sendo assim, Jotinhas, procurem nas livrarias ou on-line, mas essa HQ, sem sombra de dúvidas, deve ser lida por vocês.

Valeu, galera.

 

 

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