Quando os ‘vinte e poucos’ chegam

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Sabe aqueles dias que parece que os ombros pesam? Você quer abraçar o mundo com os braços, mas ele pesa nas suas costas. Você quer que o dia dure 36 lindas horas, mas ele acaba logo na vigésima quarta. Você quer aprender o mais rápido possível e, quanto mais, melhor. Você quer, e você terá.

Nesses mesmos dias, você reencontra o espelho. Esbarra com ele pela casa, assim, como quem não quer nada. Mas, na verdade, quer. Você quer ver quem o tempo está mudando, como se parece por fora e, principalmente, quem é. Há muitos meses você não se faz a tal pergunta. Tem medo da resposta.

Outros dias, mais à frente, percebe que a idade mudou de casa. “Mas eu tinha dezenove ainda ontem…”, e agora já virou para a casa dos vinte e, de repente, para os vinte e um. Se formou, obteve as notas que queria e fechou a graduação com chave de ouro. Não há onde colocar mais tanta felicidade.

Nesse momento, um turbilhão de coisas passam pela cabeça. Sonhos, metas, objetivos e afazeres, todos reunidos numa pequena lista de papel. “O que devo fazer primeiro?” ou “o que devo fazer?”. A vida de repente virou de cabeça para baixo e você nem vê mais o espelho. As horas passam devagar e, finalmente, você descobre que não precisa de 36 lindas horas.

Ainda assim, as casas da idade andam depressa. Não há à quem recorrer nessa hora, creio que basta aceitar. Os ‘vinte e poucos’ são tão poucos para alguns e tanto para outros. Em quem acreditar? É cedo para algumas coisas e parece estar ficando tarde para outras. É tudo muito confuso.

São horas, momentos e anos complicados. A falta de rotina assusta, mas ao mesmo tempo conforta. Você enxerga a gratidão nos pequenos detalhes e pode perceber como a magia te acompanha. Descobre que não precisa ter medo, que a mágica acontece quando você a coloca em prática. E, por fim, que a vida em qualquer idade está só começando. Esperando ser vivida, em cada hora, momento e ano. Simples assim.

Leia a última crônica “Para onde os ventos podem levar o seu coração”

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