Resenha | Os Defensores

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É difícil não imaginar um fã que não ficou entusiasmado em Novembro de 2013 é quando a Disney anunciou as séries live-action da Marvel em parceria com a Netflix: Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, e que estas culminariam em Os Defensores.

E algo que sempre gostei nessa ideia de trazer as histórias da Marvel para fora dos cinemas e criar séries com seus personagens, é o grande potencial para expandir seu conteúdo, mostrando novas histórias e personagens que não teriam seu espaço dentro do MCU – e nem se limitando a ele.

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Mesmo com as várias opiniões pessoais destas séries – que dividem o público – a parte, nesta madrugada de sexta-feira foram liberados os oito episódios de Os Defensores. Sendo que os quatro primeiros já tinham sido vistos pela crítica ‘especializada’, que jogou críticas bem negativas… A questão é que, depois de assistir a série, não entendi nada dessas críticas ‘especializadas’.

A série começa já com sua ação, antes mesmo dos personagens se conhecerem, e o que em parte dá o gancho para sua união: a ameaça do Tentáculo, organização criminosa que vimos em Demolidor e Punho de Ferro. Sendo muito mais do que apenas um grupo criminoso, e que apresenta uma maior ameaça para Nova Iorque.

Durante a apresentação dos personagens (sim, cada um em seu cotidiano é importante para a construção da história) temos um tipo de ‘teoria de graus de ligação’, onde os heróis estão conectados por seus conhecidos (e não estou falando apenas de Claire) ou situações delicadas, mas que ainda não é o que os levam a se unir em grupo.

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Como eu disse, situação delicada.

Outro ponto interessante foi ver a identidade de cada cena, condizente com o personagem. A paleta de cores sempre teve papel fundamental nas séries da Marvel, e em Defensores não seria diferente. Cada personagem tem sua cor/tom predominante em suas cenas solo, o que (pelo menos para mim) é muito bem vindo, soando de maneira agradável.

As convicções de cada personagem foi um ponto ao qual dei certa atenção especial enquanto assistia. Por que ele estava ali? Qual a razão que o levou a confrontar o Tentáculo? (Visto que Luke e Jessica nem sabem o que é isso! Kung Fu? Pra eles é demais esse papo místico) E isso é bem encaixado na série, não soa como o clichê de que quatro pessoas estão no elevador (mesmo tendo o elevador) e entra um cara de terno falando que eles ‘estão aqui por um motivo maior’, longe disso.

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Essa é da cena do corredor/elevador

O envolvimento de cada personagem com o vilão da trama é trabalhado de maneira gradual. Tirando Murdock e Rand, que não precisam de mais motivos para acabar com a organização, Luke e Jessica entram nesse meio enquanto estão fazendo o que sempre fazem: ele buscando o melhor para o Harlem, e ela investigando maridos desaparecidos.

E todas essas linhas perdidas se cruzam no momento em que um ponto em comum desperta a curiosidade de todos.

Claire Temple ainda funciona como o Nick Fury da Netflix, servindo como o elo entre os heróis até certo ponto, e reforçando um grupo secundário de ação onde temos Misty Night e Collen Wing, o que para mim se encaixa bem na série e ainda mostra o que está por vir para certa personagem.

Obviamente que o grupo, como qualquer outro, tem seus desentendimentos, principalmente ao decorrer dos acontecimentos e revelações. Opiniões divergentes geram momentos de tensão, e esconder segredos nem sempre é o melhor.

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Mas noto uma maturidade na construção dos personagens, onde mesmo que cada herói se ache um lobo solitário, ele percebe que a ameaça é maior do que ele, e que apenas sua habilidade singular não é o bastante para proteger a cidade.

Ver Matt, Luke, Jessica e Danny trabalhando em equipe é algo que funciona bem em cena e cada personagem tem seu peso bem distribuído. Para os fãs de HQ, cenas em que Luke e Danny interagem soam como música para os ouvidos, afinal »» Heróis de Aluguel (se você não entendeu, Google, jovem). Já Jessica e Matt possuem uma boa harmonia por suas personalidades mais incisivas e ‘farejadoras’, visto que ambos são ‘detetives’ e se complementam durante as buscas por pistas.

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E mesmo que os Defensores originais fossem o Dr. Estranho, Hulk, Namor e Surfista Prateado, e que seu principal papel era defender a Terra de seres de outros mundos, possibilitar que a liberdade criativa desse uma cara mais subúrbio e com personagens pé no chão foi algo que trabalhou muito bem, principalmente para tirar o glamour apenas dos Vingadores, mostrando que há muito mais do que ameaças vindas de um robô ou de um titã louco.

Por falar em ameaças, em Defensores temos Sigourney Weaver como a vilã principal, e que atriz. É, acho que nem era preciso dar este adjetivo a ela, afinal, um dos maiores ganhos da série é ter uma atriz deste calibre presente. Inclusive acredito que parte do peso da personagem se dá pela força que Weaver tem em cena.

Durante a divulgação da série, Alexandra soava como uma incógnita, e muitos esperavam um tipo de Rei do Crime 2.0 ou até a Madame Hydra, mas acabou sendo bem mais do que isso – e que bom! Empresária do mal? Ha, que nada (ok, em partes é).

The Defenders (2017) Sigourney Weaver as a TBD Villian. Season 1, Episode 2

Ela não demora para dar as caras na série, algo que gostei muito. Inclusive, Defensores não fica de draminha ou enrolação nas cenas, eles partem direto para o que é suposto acontecer, talvez por uma decisão inteligente dos roteiristas, ou talvez porque oito episódios não permitem esse luxo.

Mas voltando, Alexandra soa como uma ameaça poderosa e misteriosa para o grupo, mas ao mesmo tempo não temos aquela personagem vilanesca imbatível. Ao decorrer dos episódios vamos conhecendo mais de seus planos, e finalmente entendemos quem é o Tentáculo, quem são seus membros e seus objetivos. Principalmente no que se trata na maior afixação da vilã para alcançar seus objetivos…

E claro, não podia esquecer de falar dela, Elektra. Desde seu sacrifício na segunda temporada de Demolidor, sabíamos que o Tentáculo havia recuperado o corpo da personagem para ressuscitá-la como Céu Negro, servindo como arma para que a organização alcance seus objetivos.

A participação da personagem em Defensores gera um certo abalo no grupo por conta de Matt, mas não é esse drama todo também. E sim, se repete um pouco daquilo que vimos em Demolidor, das divergências entre esse casal complicado, mas que funcionou bem em tela, afinal, as batalhas quase mortais entre Demolidor e Elektra mantém viva a identidade deles na HQ.

No geral, a série trabalhou muito bem, e a Marvel, mesmo que com suas tropeçadas no caminho, continua com força na construção de seus personagens nesse universo Netflix, não abalando seu potencial, e inclusive temos o Justiceiro vindo aí!

Os Defensores fecha um arco que vem sendo trabalhado desde 2015, na primeira temporada de Demolidor, e ao mesmo tempo deixa em aberto o futuro dos heróis e os novos caminhos que eles podem trilhar, como unir Cage e Rand em uma série dos Heróis de Aluguel, ao invés de protagonistas solo (sim, seria bem vindo!).

Sendo assim, jovem: muda esse mind-set negativo e vai logo assistir Defensores! Vale a pena sim (pelo menos pra mim valeu) e depois fala pra gente o que você achou!

E é isso, valeu, galera!


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Os Defensores - 1ª Temporada

Os Defensores - 1ª Temporada
8,25

Enredo

8/10

    Personagens

    8/10

      Desenvolvimento

      8/10

        Trilha Sonora

        9/10

          Pros

          • Fecha o arco do Tentáculo
          • Sigourney Weaver
          • Heróis bem equilibrados em tela
          • Não tem enrolação nem draminha

          Cons

          • Vai demorar pra ver o grupo unido novamente

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